O Discurso do Rei


Teresa Ribeiro,

 

Eu gosto de ver trailers, embora tenha consciência de que às vezes me enganam. Foi o caso do trailer de “O Discurso do Rei”. Vendeu-me emoção e afinal comprei tédio. Prometeu-me ritmo e lamentavelmente arrastou-se, não porque o filme seja demasiado longo, mas porque o seu argumento é demasiado curto. “O Discurso do Rei” limita-se à relação que se estabeleceu entre Jorge VI de Inglaterra e o seu terapeuta da fala. Fosse este rei um personagem de ficção e talvez me satisfizesse com o excelente desempenho de Colin Firth e Geoffrey Rush, mas Jorge VI, que diabo, existiu. E num período histórico extremamente conturbado. O mínimo que se poderia esperar desta obra era alguma contextualização histórica ou, na sua ausência, um biopic, mais focado na vida familiar do rei, que nos explicasse a sua gaguez.

Sei que é matéria delicada, tratando-se de um elemento da família real com parentes próximos vivos, mas resumir as razões que podem ter contribuído para aquela deficiência da fala – afinal o assunto principal do filme – a duas linhas de texto traduzidas numa breve troca de palavras entre Firth e Rush é demasiado redutor.

Firth merece o oscar, mas o oscar que provavelmente ele vai ganhar merecia melhor filme.  

11 comentários em “O Discurso do Rei”

  1. Bastante monocórdico, sim, também achei “curto”.
    (o filme).
    Porque, quanto ao que me interessa (Colin Firth), não me desiludiu nem um pouco, muito pelo contrário.

    1. Fernando, escrevi sobre Another Year no dia 5. Se tiveres paciência, vai lá e espreita. Só não te ponho aqui o link porque sou nabiça e não o sei fazer. Adorei esse filme.

  2. Teresa

    Fomos ver o filme com expectativas diferentes, porque adorei o filme, aqueles actores-personagens, aquele discurso electrizante…
    Mas concordo: se a Teresa esperava mais contextualização histórica, o filme fica pelo caminho.
    Ana

    1. Pois, Ana Gabriela, nem sempre podemos estar de acordo. Eu até gosto de filmes de actor, mas este tema implicava mais ambição e justificava, a meu ver, as expectativas que criei.

  3. Inteiramente de acordo, Teresa. A densidade das personagens é tão escassa que o mérito de Firth, que existe, acaba por ser menor. Este papel, com outra densidade, ter-lhe-ia dado um outro nívelde interpretação, acho.

  4. Foi essa exactamente a minha sensação ao ver o filme. O que diz faz todo o sentido. Um filme não se pode reduzir às interpretações mesmo que elas sejam muito boas, como é o caso.

  5. Também fiquei com grandes expectativas ao ver o trailer, ainda mais porque também sofro de gaguez (se bem que, não tão acentuada como a de Jorge VI).
    Quanto ao filme o que me decepcionou mais foi o final, não estava à espera que culminasse apenas com aquele discurso mas pronto, no geral gostei.

    Quanto à representação de Colin Firth e Geoffrey Rush, gostei de ambas, mas para ser sincero a que mais me tocou foi a de Geoffrey Rush.

    Se ambos ganharem os óscares é bem merecido, ainda que não tenha visto todos os outros filmes [dos actores que estão nomeados].

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