Esquelética, arquejante, protegendo com ambas as mãos o peito nu, eu diria que desta vez a rapariga da capa parece ter escapado a uma sessão de sevícias sexuais. Ainda ponderei telefonar à PSP de Braga, não fosse a pobre precisar de auxílio, mas depois pareceu-me mais sensato simplesmente comprar a revista. E já agora tentar perceber, de uma vez por todas, porque é líder do seu segmento de mercado.
Em tempos, um experiente editor disse-me que para uma revista ter sucesso tinha que dar qualquer coisa aos seus leitores. Fui então descobrir o que a Happy Woman tinha, eventualmente, para me dar que me fizesse falta.
Logo a abrir, o editorial informa que em três anos vendeu três milhões de exemplares, o que lhe assegura o estatuto de revista feminina mais vendida de sempre em Portugal. Uau! O que andarei eu a perder?
A resposta encontrei nas páginas seguintes: muita moda, shopping e artigos de beleza onde pontificam títulos como: "As calças passaram do número 36 para o número 34". Alguns temas de comportamento e sexo. Muito: uma reportagem sobre Swing em Portugal, outra reportagem sobre Gigolos, outra sobre Sexo no Trabalho (gostei dos títulos "Explosão na sala de reuniões" e "Sexo no Hospital". E também desta pagela: "Ela continuou a movimentar-se em cima de mim, enquanto eu assistia ao ar incrédulo e chocado do meu chefe").
Mais temas: A experiência das cuecas vibratórias (diz que é a última novidade das sex shops e que trazem controlo remoto com alcance até sete metros); Sexo tântrico e… ooohh! Acabou-se! As últimas páginas são dedicadas a um artigo sobre psicoterapias breves e dicas sobre hotéis de luxo e de charme.
Meninas da capa à parte (lamento, mas não encontrei a foto da última na net), confesso que até gostei do grafismo e da sofisticação das imagens. O que vende esta revista? L’air du temps, sem dúvida: prazer, hedonismo, consumismo e pragmatismo na gestão dos afectos (sabiam que já há uma fórmula matemática concebida para calcular a probabilidade de uma relação acabar em divórcio?)
"O mundo é um lugar Happy", diz a Happy das capas das miúdas tristes. Tenho dúvidas quanto a isso. Em contrapartida não duvido de que a Happy tem um lugar neste mundo.

Não diz lá onde se compram essa cuequinhas vibratórias?
Onde posso encomendar esse tipo de cuecas?
Obrigado
Chamam-se Ruby Thong Panties e, segundo a Happy, em Portugal ainda não estão à venda, mas podem encomendar-se.
Fabulosa análise dos nossos tempos “tristes”.
A felicidade instantânea… vendida em soluções de plástico.
Se ao menos as miúdas começassem a pensar por si próprias e não em função dos estímulos que lhes impingem… seriam certamente mais felizes.
Mas a sua exposição a estes estímulos (de um mercado verdadeiramente vampiresco) é cada vez mais precoce, anterior à sua capacidade de análise distanciada e da sua autonomia.
Vou guardar este post, Teresa!
Obrigada, Ana. Subscrevo cada uma das suas palavras. De facto o que mais preocupa é o acesso precoce (e acrítico por ser precoce) das miudas a este tipo de revistas. A publicidade que ostenta é um indicador seguro do seu público alvo e lá estão as marcas de surf que as adolescentes consomem, a par dos cremes anti-rugas…
E não será também líder de mercado, por custar somente 1.5€?
Neste caso não creio que seja determinante, Patti. Entretanto o preço já subiu para 1.90
Gosto especialmente destas suas análises Teresa 🙂 crítica mordaz mas oportuna! e sim .. foi sentida por aqui a recente ausência! 😉
Bom fim-de-semana *
Bom fim-de-semana, Once. Também gosto de a ver por aqui 🙂
é triste, realmente. também tinha reparado na capa: horrível.
Horrível, mas muito fashion, I presume
Nunca compprei a revista, mas vejo os Mupis no Metro e leio as chamadas de capa, que sempre me deixam um bocado perplexo…
Ah!ah!ah! Perplexo, pois. É como eu imagino que muitos homens ficam ao ver todas aquelas propostas de “felicidade”
Ia eu com marido, mãe e sogra vagueando calmamente pelos corredores do shopping de Cascais, num sábado frio e chuvoso, quando uma jovem estica o braço e oferece a meu marido uma Happy. Olhámos. De Janeiro de 2009. Tinha bom aspecto gráfico. Não conhecíamos e guardámo-la num dos sacos de compras. Quando em casa a abri, senti-me defraudada por ter carregado com ela a tarde toda. Este mundo onde este género de revistas circulam não é decerto um mundo Happy .
Gostei de a ler. Ao seu texto, claro.
Nunca a vi, Teresa, mas, depois do que li, acho mesmo que não tenho pena…
Não perde nada, Cristina
Este último número é mais gordinho, porque é de aniversário. Por curiosidade pesei-o. Deu um quilo certo. De facto não compensa o incómodo de a transportar durante uma tarde de compras 🙂
Comprei a de Janeiro ou Fevereiro por curiosidade e foi a primeira e última vez. Não cheguei a perceber se não me encaixo no público-alvo ou se a revista não presta mesmo, embora me incline fortemente para a segunda hipótese.
Então ficámos as duas inclinadas para o mesmo lado 🙂
Fico mais descansada, Teresa, já somos duas pelo menos 🙂
Não, somos três. Também folheei uma delas – não cheguei a comprá-la – e fiquei esclarecida. Lixo requintadamente perverso, e, por isso mesmo, perigoso. Dá ás miúdas uma falsa sensação de sofisticação, numa idade em que ainda não se faz a menor ideia do que isso significa. E num país onde ela é raríssima, valha a verdade…
Belíssima análise, Teresa.
Gostei do “lixo requintadamente perverso”. É isso mesmo!
também fiquei chocada com a capa. estou mesmo a pensar enviar um comentário qualquer para a revista, mas ainda não encontrei nenhum e-mail…
Achei quase todos artigos interesses Propus-me a realizar o desafio dos 21 dias.
Há já algum tempo que tento encontrar alguém que possa estabelecer contacto entre mim e a minha mãe. Se me puderem facultar o contacto do espírita e do medium da revista Happy, agradecia!
Sinceramente acho estes comentários um pouco retrógados, talvez escritos por pessoas já de uma certa idade e com a sexualidade um pouco recalcada, talvez por isso ainda se leia hoje em dia que adolescentes engravidam muito cedo, o motivo é este mesmo, pessoas que preferem meter a cabeça no buraco como fazem as avestruzes quando se fala de sexo descontraidamente e sem tabus.
Eu li a revista pela primeira vez(emprestaram-me) e achei as reportagens sobre sexo muito engraçadas, talvez aja muita inveja pelas situações descritas, mas pelos vistos é preferivel esconder estes assuntos das adolescentes, não vão elas fazer alguma coisa que não devam, poupem-me. A informação é meio caminho andado para os adolescentes aprenderem aquilo que certos pais têm vergonha(ou pudor) de ensinar.
Não estou de acordo com as leitoras. Comecei a comprar a Happy em Abril mas ando sempre a procura do próximo numero. Não sendo teenager nem adolescente, já estou nos 40, vejo nos artigos da revista o quanto me falta e o que ainda quero viver.
Não sou perversa, tenho uma vida normal e sou mãe e os momentos que dedico à Happy são para mim deliciosos.
Aceito todas as opiniões mas achei que faltava uma contraditória ao que li.
Aqui está uma mulher a sério e que sabe ser imparcial, mas não deixa de perceber a lavagem cerebral que essa revista faz.
Vou expor este post no meu blog!(Se não te importares)