9. O árbitro que não arbitra
Pilar supremo da estabilidade institucional (há quem lhe chame árbitro do sistema), o Presidente da República deve contribuir para a obtenção de pactos de legislatura, particularmente em situações de crise. Ora não foi isso que sucedeu em Outubro de 2009, durante o processo que levou à formação do Governo minoritário do PS. José Sócrates, como é sabido, cultiva pouco ou nada o diálogo: o seu apelo às forças políticas para um acordo foi mera encenação. Era óbvio que o primeiro-ministro nunca teve uma política definida de alianças, tendo cortado pontes simultâneas à esquerda e à direita. É nestas ocasiões que deve evidenciar-se o papel supletivo do Presidente da República. Mas não há notícia de que Cavaco Silva tenha dado qualquer passo nessa direcção. Os resultados estão hoje bem à vista.


Onde estão as outras 9?
Fartei-me de procurar e não as encontrei!
(As tuas, não as minhas, òbviamente!)
Simples. No final deste texto há uma etiqueta que diz ‘cavaco silva’. se clicares nessa etiqueta aparecem esses textos.
“não há notícia de que Cavaco Silva tenha dado qualquer passo”
Mais uma “razão” sem razão, reveladora de uma leviandade que confrange.
Ou V. acha que o PR devia ter trazido para a praça pública as diligências feitas junto de Sócrates com vista à formação de um governo estável, em conversas a que o PM fez ouvidos de mercador, como é seu hábito?
Para si, o PR (este ou qualquer outro) deve assumir-se, perante o País, como um “queixinhas” do PM?
Tinha decidido não comentar mais esta lastimável série de posts (arrasadora para a credibilidade do seu autor), mas não resisti.
Até agora, nenhuma das “razões” por si aduzidas faz qualquer sentido. As minhas condolências.
Dou-lhe os meus parabéns. Já há poucos cavaquistas puros e duros, como você. Daqueles de fé inquebrantável. Faço sinceros votos para que prossiga assim.
Penso que este é um mal do próprio sistema político nacional, por norma quando um PR intervem há sempre quem o acuse de falta de insenção e refira que não tem de intervir pois essas funções cabem ao executivo e a política aos partidos.
Mas confesso que estes constragimentos do sistema são mesmo agravados por Cavaco Silva, que não tem jeito para arbitrar… nem para unir, mas só me faltava com Sócrates surgir um PR a empurrar o governo para esquerda e com uma Constituição de esquerda.
Pois claro. Basta recordar a última sessão solene do 25 de Abril no Parlamento, há menos de seis meses: com o País mergulhado na maior crise política dos últimos decénios, o PR falava liricamente das vantagens em nos voltarmos para o mar. Achei lindo.
Cavaco Silva, ao longo do seu mandato, fez várias alusões quanto à necessidade de estabelecer “pactos de legislatura”, o que não aconteceu pelas duas razões fundamentais: Manuela Ferreira Leite à frente do PSD e José Sócrates com o seu firme propósito do “quero, posso e mando”.
Entretanto, parece-me que algo já mudou: a colaboração do Dr. Eduardo Catroga na negociação do Orçamento de Estado.
Gostava de partilhar do seu optimismo. Veremos o que acontece.
O presidente não deu qualquer passo em Outubro de 2009 nem em qualquer outra altura do mandato. Guardou-os para esta semana! Agora é que foi dar ao chinelo … a coisa apertava!
Já agora mais uma razão para não votar Cavaco: porque tem Marcelo como “sparring partner”!
Dessa não me lembrei. Mas é uma razão que certamente justificaria uma boa polémica.
PR, que voltou a chamar a atenção do País para se voltar para o mar.
Uma vez mais. Com vinte anos de atraso.
Agora, é tarde.
Contudo, um dos menos maus ou um dos melhores. Do sistema.
Quanto ao sistema e à saúde do Regime, estamos entendidos.
Que fazer?
JB
Com o estado a meter água por todo o lado, o PR chama a atenção para o mar. Tem tudo a ver.
Caro Pedro!
Permita-me que lhe coloque uma pergunta tão clara como é clara a sua posição relativamente a Cavaco:
Em Janeiro próximo, deduzo que devamos, então, votar em Alegre?
Cumprimentos.
Mas não estamos fartos de criticar os ‘partidos’ e os seus produtos?
Cavaco Silva, já perdeu.
Perdeu quando foi PM do reino.
JB
(Voluntário de Fernando Nobre a PR)
Tal como Edmundo Pedro, um militante histórico socialista, presente no Congresso de FN de há um mês .
Ou um militante do PS, na casa dos trinta, um dos jovens que resolveram, pese as críticas, entrar nos partidos.
Depois deste seu comentário, acho que o dr. Fernando Nobre (será primo do dr. Mário Alberto Nobre Lopes Soares?) já ganhou.
Belém ’tá no papo.
Parabéns!
Caro António Luís, longe de mim ter a pretensão de ‘recomendar’ qualquer voto. Eu próprio não decidi ainda em quem votarei. Sei, isso sim, em quem não votarei. Nas presidenciais e nas legislativas.
Abraço
Cavaco é o coveiro de Portugal!
http://exiladonomundo.blogspot.com/2010/1 0/os-responsaveis.html
Há alternativas a votar Alegre ou Cavaco, para além das óbvias.
Quem não quiser votar no candidato do PC ou no Dr. Nobre, pode sempre votar branco ou nulo, ou – o que me parece preferível – não votar de todo.
Já repararam decerto que os votos brancos e nulos não são contabilizados para efeitos de eleições presidenciais no que me parece uma “esperteza saloia” para manipular números e percentagens.
Mas a percentagem da abstenção é incontornável.
Voltando a Cavaco: acho fascinante que haja tanta gente que o apoia depois da sucessão de “burricadas” que fez, que o colocam claramente como co-responsável da desastrosa situação actual.
Há, felizmente, alternativas. Poderia haver ainda mais se alguns dos que hoje lamentam a falta de alternativas não tivessem antes defendido uma ‘candidatura única’ à direita. Incluindo alguns ‘analistas’ políticos, que confundem opinião pessoal com análise.
Já V. não confunde… Valha-nos Santa Engrácia!
Obrigado pelo elogio.
Depois da entrevista que Alegre deu ao DN de hoje, quantas razões encontrará Pedro Correia para não votar nele? 50?, 100?
Nada a ver uma coisa com outra. Analiso o mandato do PR Cavaco Silva. Cinco anos de mandato não podem ser comparados com uma entrevista. Nem com cinco entrevistas. Nem com cinquenta.
Concordo, mas o pressuposto deste “inventário” é “10 razões para não votar Cavaco”, não apenas uma simples avaliação, logo, é parece-me legítimo que se coloque a questão da alternativa proposta e os respectivos argumentos.
Muito bem, o sr. Correia apresentou a sua lista advogando uma atitude pela negação (o que aliás dá razão ao velho axioma de Ciência Política no qual se afirma que “as eleições não se ganham, perdem-se”). Portanto, também é legítimo que se pergunte o que vai fazer o sr. Correia no próximo dia 23 de Janeiro de 2011
Esse axioma é cada vez mais verdadeiro. As eleições não se ganham, perdem-se. Bem se percebeu isso nas últimas legislativas e nas últimas presidenciais.
Mesmo assim, o melhor exemplo que me recordo foram as autárquicas nas quais Santana venceu João Soares. Ainda hoje me espanto como foi possível JS perder quando tinha uma obra bem visível para mostrar, estava no cargo e num concelho com maioria sociológica de esquerda… É preciso que uma campanha corra mesmo mal para ocorrer um desfecho daqueles… Ah, e concorreu coligado, contra o Santana sozinho… PURA ARTE…