Fascinante – mais um ranking


cadernoelastico,

1) A fantástica ideia dos mega-agrupamentos escolares não funciona, dizem os resultados de exames deste ano. Oh really? Ninguém estava à espera. É que ninguém, ninguém, ninguém. Ó p’ra mim tão apanhada de surpresa.

 

2) O director da escola de Felgueiras refere que, se pudesse transpor a sua estrutura toda para Coimbra, também conseguiria os mesmos resultados. Quer-me parecer que ia ficar desiludido: não é só o carácter urbano da escola que é um factor de sucesso. O D.Maria, antigo liceu nacional feminino, consegue reunir uma população escolar quase exclusivamente vinda de classe média, com uma elevada taxa de estabilidade de professores. O liceu não é muito grande, e estamos a falar de alunos, na sua maioria, com pais instruídos (muitos professores, médicos e advogados), com um rendimento bem acima da média nacional. Evidentemente, esta particular fatia social está relacionada com a localização da escola: urbana, classe média alta, zona bem tratada (Solum, em Coimbra). Mas não há milagres. Compare-se o D.Maria, uma escola pequena que se dá ao luxo de escolher alunos, com a Avelar Brotero, uma escola maior, situada uns cinquenta metros ao lado. As diferenças saltam à vista.

3 comentários em “Fascinante – mais um ranking”

  1. Essa é a questão, Ana Margarida. Nos rankings estão todos em pé de igualdade, números que se somam e dividem, quando a realidade de cada escola é muitíssimo diferente, logo não devia ser comparada em absoluto.

    1. No tempo em que eu andei no Dona Maria (81-85… por aí), a realidade era lá um pouco diferente. Sempre foi um bom liceu, com um corpo docente ainda mais estável do que agora (muitos professores da velha guarda), mas iam para lá alunos de todo o concelho, e mesmo de fora do concelho, de todas as classes sócio-económicas (como agora se diz), muitos com dificuldades. A percentagem de chumbos era bem maior. Com a construção de mais escolas no concelho, e fora dele, o Dona Maria cingiu-se praticamente àquela “bolha” da Solum, muito filho de professor universitário, de médicos, advogados, etc. Curiosamente, o José Falcão, da zona ainda mais chique de Celas e Olivais, o liceu por excelência dos betinhos 😉 não tem tanto êxito, embora esteja também bem colocado no ranking.
      Estes rankings são uma bela porcaria. Não gostaria nada de estar na pele dos miúdos e dos professores em concelhos como a Pampilhosa da Serra, por exemplo.

  2. O Liceu Infanta Dona Maria e a Escola Avelar Brotero têm diferenças profundas, que não nascem apenas do público que acolhem. Decorrem de aspectos como a dimensão, as áreas pedagógicas leccionadas e algo importantíssimo: o próprio histórico. Frequentei todos os 7 anos do liceu no Liceu Dona Maria (precisamente até ao ano em que se converteu em liceu misto). A dois passos, estava a escola industrial Avelar Brotero. Tudo dito.
    (e não, não sou contra essas antigas estruturas do ensino profissionalizante, antes pelo contrário).
    Não creio que o Dona Maria se dê ao luxo de escolher os seus alunos: o fenómeno é o inverso. A escola é que é escolhida. Pelos melhores, claro. Ainda bem que fenómenos como este vão sobrevivendo.
    Já no meu tempo ministrava um ensino de excepção. E – repito – o histórico conta muitíssimo.
    É claro que, sendo de dimensão média, a coisa é menos complicada: – exemplificando, no antigo Liceu masculino, o José Falcão (ex-D. João III), existem igualmente belíssimos professores, um grande histórico, mas o estatuto de escola-pólo obrigou à massificação do público e… dos resultados.
    Para o Dona Maria concorre depois outro pormenor relevante, que não vale a pena desvalorizar: tem contado com directores excepcionais. Verdadeiramente excepcionais. De que é exemplo a ex-socialista Rosário Gama: incansável trabalhadora, mulher inteligentíssima, gestora nata, a quem muito se deve nestes resultados.

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