Dez razões para não votar Cavaco


Pedro Correia,

 

1. O efeito eucalipto

 

Ministro das Finanças em 1980, destacado membro da oposição interna a Francisco Pinto Balsemão nos anos seguintes, líder do PSD e primeiro-ministro entre 1985 e 1995, candidato presidencial derrotado em 1996, chefe do Estado eleito uma década mais tarde, Aníbal Cavaco Silva ocupa um lugar central na política portuguesa há 30 anos exactos, tendo condicionado a estratégia de sucessivos líderes sociais-democratas por acções e omissões de vária ordem. É tempo de escrever o terceiro volume da sua Autobiografia Política, desta vez dedicado aos anos decorridos no palácio de Belém, e deixar espaço a outras personalidades no espaço político em que se insere. Para evitar ficar permanentemente associado à imagem do eucalipto. Que seca tudo em seu redor.

28 comentários em “Dez razões para não votar Cavaco”

  1. Cavaco Silva
    E que vem agora, inventar o mar como grande desígnio português.
    Agora, ano da (des) graça de 2010,
    com vinte anos de atraso.
    1990: ano de um PM, Governo e País,
    onde quase tudo seria possível.
    Agora, que graças aos erros de 1990 e anos seguintes e sob a observação do economista pouco político (bem acompanhado pelos seus sucessores)
    descobrimos a realidade:
    Falidos.

  2. Cavaco Silva II
    Outra.
    A decisão do Governo, em fazer cessar a acumulação de pensões de reforma com salários no activo.
    Pouco depois sem efeito.
    Ou de como um PR (e outros), se «safa» de ter de optar:
    a) A limitar-se a ser reformado, ou
    b) A deixar de receber a/s pensão/pensões de reforma, enquanto no ‘honroso’ cargo de PR.
    PS: «lá vamos,
    cantando e rindo,
    levados levados sim…»
    JBravo

  3. A promulgação do Acordo Ortográfico é outra boa razão para não se votar neste sujeito. A bem dizer, para nunca mais votar em nenhum dos cobardolas que por ali andaram nos últimos anos.

  4. Cavaco Silva III
    Portanto, candidatos à PR:
    a) Nobre;
    b) Alegre;
    c) Defensor de Moura (?);
    d) Do PCP;
    e) Cavaco.
    Atentemos nas idades, percursos profissionais, carácter.
    A bem do Regime, ou
    A bem da Nação?
    JBravíssimo.

  5. De acordo. Com razão ou sem ela, penso que Cavaco é um dos grandes responsáveis pela destruição do mundo rural (que me é particularmente caro) e da agricultura, das pescas, da indústria. Por não ter feito o que devia para impedir o esbanjamento dos fundos comunitários. Por se não ter oposto à política do betão.
    Dito isto: que possibilidade de escolha séria há nas próximas presidenciais, excluindo o voto em branco ou a abstenção?

    1. Que escolha pode haver, nomeadamente na área política em que o PR se insere, se este se manterá em silêncio até ao penúltimo dia possível para a apresentação de uma candidatura, condicionando assim todas as alternativas?

  6. Onde pára o tipo dos Ena Pá 2000? É verdadeiramente lamentável que perca a única oportunidade de ser eleito alguma vez.

  7. Caro Pedro,
    Irei acompanhar a listagem que se avizinha com cuidado, e queria deixar já claro que Cavaco Silva terá o meu voto.
    Posto isto, não posso deixar de dizer que este argumento é, como diria o Ricardo Araújo Pereira, “fraquinho…”, aliás, é um argumento cujo conteudo em tudo se poderia ajustar ao PS, no caso, a Mário Soares…
    Aliás, devo dizer que, para mim, esse mesmo argumento só o beneficiaria porque significa que passadas 3 décadas os portugueses continuarão a vê-lo com um digno mais alto representante da Nação.
    Desde quando é que, em Democracia, os políticos têm de se retirar para dar lugar aos outros? Não serão os outros que terão de ter a força, a personalidade, o carisma, o projecto, a vocação e a essência para merecer a confiança dos eleitores? Cavaco Silva não apareceu com um discurso que “rasgava” com o status quo e com uma visão própria do futuro do país?
    Acha mesmo que os portugueses preferirão votar num candidato a quem se ajusta na perfeição o ditado “bem prega Frei Tomás…”, apoiado por um partido contra quem combateu à 5 anos e por outro que para pouco mais serve do que entreter jornalistas? Um candidato que entende que o esoterismo intelectual, sem sumo, sem consistência, sem rumo por si só lhe granjeará o Palácio de Belém?
    Em Democracia, a escolha é entre o que existe, não o que entendemos que seria ideal…

    1. Meu caro,
      Agradeço-lhe o tom urbano e afável que utiliza. Estamos em desacordo, obviamente. Mas nem você me pretende convencer a mim nem eu pretendo convencê-lo a si. Faço-lhe notar apenas que a limitação de mandatos, na vida política portuguesa é fundamental para a renovação das elites. Cavaco está há 30 anos na ribalta política portuguesa. Parece-me tempo mais do que suficiente para dar lugar a representantes de outra geração.
      Só. Mas já é muito.

      1. Caro Pedro, Não sei o que significa um tom “urbano”, mas se tem o “afável” logo a seguir, talvez não seja mau de todo… What’s the point de debater ideias se não for para demover o nosso interlocutor das suas próprias convicções?! A ideia da discussão não é mesmo essa? Mas quanto ao busílis da questão, parece-me pertinente separarmos as águas: uma coisa é a eleição para a mais alta figura do Estado, outra coisa são todas as outras eleições, mais paroquiais e imediatistas, digamos assim…
        Não acha natural que para este lugar os portugueses, ou qualquer outro cidadão, queiram escolher alguém com “passado”, com experiência, com provas dadas (se são boas ou não, é outra questão), ou seja, alguém que conheçamos verdadeiramente? No meu post, comecei logo por dizer que CS teria o meu voto, mas obviamente, não significaria que o tivesse (não teria) caso se se lembrasse de se candidatar de novo a São Bento… São cargos e papeis completamente distintos…
        Como é que pode dizer que na área política de Cavaco não existiria ninguém que se pudesse “chegar à frente”? Assim de repente lembro-me, entre muitos outros, de Marcelo, de Santana Lopes, de Marques Mendes, de Ferreira Leite, de Mota Amaral, de João Jardim, de Mira Amaral, de Leonor Beleza… E se formos mais para a Direita, poderia ter, por exemplo, Adriano Moreira.
        Poderá dizer, com propriedade, que nenhum deles teria a mesma capacidade de vencer que Cavaco… and that’s my point …

        1. A prova de que eu estou certo é que, de todos esses que menciona, nenhum deu o passo em frente. Repito, naturalmente sem qualquer pretensão de que concorde comigo: à direita, o homem dos tabus é o maior eucalipto em 30 anos de democracia portuguesa.

  8. eu nunca mais irei votar pra nenhuma eleição.
    pois o povo exerce o seu voto e os governos vão mudando mas para que?
    eu só vejo palhaçadas na assembleia da republica, vejo o norte a ser sempre prejudicado, somos sempre os atrazados da europa.
    para que eu preocupar-me com o que pensam esses palhaços chamados politicos que ganham 10 vezes mais que eu e me estragam o dia com as teorias da conspiração.
    em espanha ainda existe a monarquia e mesmo assim vivem muito melhor que nós…
    para que?

    1. Discordo profundamente do que escreve. Discordo profundamente das posições do género ‘não voto em ninguém, são todos iguais’. Argumentos deste género legitimam a ditadura.

  9. Penso que comentar a série terá mais pertinência quando estiver completa mas ainda assim ao ler as 4 razões já publicadas não me convenço muito com esta primeira, “ecológica”.

    [Discordo, e muito, da relativa ao estatudo dos Açores – não é uma questão formal, é uma questão supra-substantiva, denotando a falência do regime. Aquilo foi um golpe de estado constitucional por omissão. Que ultrapassa as interpretações – como tal o PR teve que falar. Mas enfim, são as interpretações.]

    Só por curiosidade, no fim virá alguma razão para votar em alguém especial?

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