O Paleco


Bandeira,
Estação de Valado dos Frades, Alcobaça

Escava a escavadora uma vala no areal da Nazaré. É sinal de que o Oceano acordou. Basta ver – e ouvir – o estardalhaço que faz. O velho pertence à estirpe dos titãs, que aliás traiu. No curso da guerra que em má hora o seu clã travou contra os olímpicos, fez saber que estava no Met (onde qualquer comunicação com o exterior é impossível durante os espectáculos) assistindo a uma coisa qualquer de Strauss. O diplomático gesto permitiu-lhe, finda a contenda, manter um domínio mais ou menos tácito sobre o Atlântico e outras águas então mal conhecidas ou desprezadas. A Poseidon, espécie de político medíocre e sem visão de futuro, bastava-lhe o Mediterrâneo. O único mar que, de qualquer forma, ele entendia. O Mediterrâneo que falava grego.

 

Olho para as altas vagas que a qualquer instante ameaçam, entre os oooohs e os aaaahs dos turistas de câmara em riste, levar a água salgada até à estrada marginal. O velho Oceano nem sequer pode justificar-se dizendo que se limita a cumprir ordens. Todos os anos assim, pronto, que é que se há-de fazer, e a gente da praia a perdoar o mau feitio ao paleco.

4 comentários em “O Paleco”

  1. eis como o josé e o paulo se unem para me fazer uma invejinha do tamanho de um camião tir.

    aiiiiiiiiiiiiiiiii! Já para cama! 😉

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