«O primeiro-ministro explicou ao “Wall Street Journal” e ao “New York Times” que as medidas de austeridade anunciadas têm como objectivo acabar com as dúvidas dos mercados sobre a capacidade de Portugal corrigir o défice.» Sobre as dúvidas dos mercados, os dois jornais já sabiam; parece que só ficaram com dúvidas sobre o estranho idioma da resposta que receberam.
Claro que o Wall Street Journal e o New York Times não sabem o pior: se ontem as medidas de austeridade anunciadas tinham como objectivo acabar com as dúvidas dos mercados sobre a capacidade de Portugal corrigir o défice, hoje é certo que as medidas de austeridade anunciadas não têm como objectivo não acabar com as dúvidas dos mercados sobre a capacidade de Portugal não corrigir o défice — e amanhã as medidas de austeridade anunciadas terão como não-objectivo acabar com as não-dúvidas dos mercados sobre a não-capacidade de Portugal corrigir o défice.
Se aqueles jornais soubessem o que nós sabemos, aí é que as dúvidas se adensariam.

João, e conseguiste perceber o inglês que usou para dar as explicações? Mau inglês ou, tendo em conta os nomes dos jornais, inglês técnico?
Adivinha…
Entre sucessivas inaugurações de creches pertencentes a a instituições particulares de solidariedade social, que ele apresenta como obra do governo, e sucessivas entrevistas a tudo quanto mexe, cá dentro e lá fora, questiono-me onde arranja este homem tempo para governar.
Não arranja. Nem é líquido que o quisesse. Nem que saiba.
Leio na notícia que o primeiro-ministro justificou ao Wall Street Journal que as novas medidas de austeridade pretendem “acabar com as incertezas em relação ao país”. E acabam mesmo com as incertezas, não há dúvida: agora já temos todos a certeza de que estamos tramados. E quando este homem diz que vai usar “todos os meios que tiver ao seu alcance para alcançar os objetivos orçamentais”, é de temer o pior.
Dia-sim-dia-não…
Infelizmente, acho que os mercados já não têm dúvidas nenhumas acerca de Sócrates e do seu governo.
Já sabem quase tanto quanto nós.
Vou só fazer aqui um parêntesis.
Tanto se fala do inglês técnico e ninguém ouviu a entrevista que o PM deu em Madrid?
É tão bom a falar castelhano quanto inglês técnico.
Vi-me grega para o entender, mas retive aqui esta pérola:
“Piara dançar el tango …”.
O resto do discurso era ininteligível.
Faltou a tradutora, ao que consta.
Castelhano técnico. Aliás, castielhiano tiécnico.