Ligo ao acaso a televisão, deparo na TVI24 com a enésima entrevista de Carlos Cruz na fase pós-condenação, desta vez conduzida por Manuel Luís Goucha. Cruz, condenado a sete anos de prisão, deixa entender que foi envolvido no caso Casa Pia por ser “a segunda pessoa mais credível de Portugal”, logo após Mário Soares. “Assassina-se na praça pública uma pessoa inocente”, diz o entrevistador, condoído com o destino do entrevistado. Cruz avisa: “O que me aconteceu a mim pode acontecer a qualquer outro. Pode acontecer-te a ti.” Goucha remata: “É só levantar a suspeita.” E dá-lhe a deixa: “Tu terias que ser condenado para salvar a face da justiça?”
Cruz concorda, claro. Por mim, fiquei esclarecido. E mudei de canal.

É certo que se trata de uma televisão privada. Tão certo como a estupidez estar nacionalizada.
Privado ou estatal, neste caso, já me interessa pouco, compadre. Porque começo a ficar cansado de tanta manipulação.
Fiz link, Pedro.
Obrigado.
Um abraço.
Obrigado eu, Ana Paula.
Com esse duo, o melhor mesmo era desligar a televisão.
Esse Goucha, se a memória não me falha, começou por apresentar uns programas culinários.
Já então não era brilhante.
Quando resolveu meter-se noutros “cozinhados”, aí é que deu mesmo cabo da “cozinha”!
Nunca vi um cidadão condenado pela justiça em Portugal beneficiar, logo após o acórdão produzido pelo colectivo de juízes, tentar a via do recurso através de sucessivas entrevistas televisivas. Isto levanta-me as maiores dúvidas sobre a qualidade do jornalismo que se vai praticando em Portugal.
Já não se suporta a “via sacra” de CC.
Quanto ao MLG, foi por isso que ele apareceu na Gala TVI vestido de anjo e a cantar “tocam os sinos na torre da igreja…”, ensaiando uns passos de dança tipo “disco dance”?
Haja paciência.
Já não se suporta, João. Inteiramente de acordo.
E o Carlos Mota o que dirá da entrevista à Goucha? Será que repete: “Se o Carlos é pedófilo, somos todos pedófilos!”…
Carlos Mota eclipsou-se para parte incerta. Por certos motivos que ele bem saberá.
Todos os arguidos, à excepção de Bibi , clamam pela sua inocência.
Pergunto:
Será que todas as testemunhas tiveram uma pontaria tão errada que apontaram apenas inocentes?
Ou será que as testemunhas falam verdade e apontaram os culpados?
Será que Bibi incriminou só inocentes ou apontou verdadeiros culpados?
Quantos de vocês que estiveram numa casa há dez e mais anos e se lhes perguntarem agora não saiba dizer o mínimo detalhe? E pior ainda, se estiveram lá enquanto
miúdos a sofrer represálias, admira alguma coisa que não saibam dar detalhes das casas?
O Sr Carlos Cruz chama as testemunhas de mentirosas. Não será ele que está a mentir ?
Serão todos os arguidos inocentes?
Eu acredito mais no facto de que três Juízes que ouviram os testemunhos e se convenceram da veracidade desses mesmos testemunhos, do que na “verdade” propalada na comunicação social de um arguido que, MESMO QUE SEJA CULPADO NÃO MAIS ASSUMIRIA A SUA CULPA, TAL COMO OS OUTROS ARGUIDOS NÃO ASSUMEM.
Será que as vozes que se pronunciaram até agora, defendem que todos os arguidos sem excepção (tirando o Bibi que confessou) são inocentes?
Se não defendem todos os arguidos, não devem defender este. E porquê? Porque não o sabem evidentemente.
Apenas o sabe ele, as vítimas e Deus (se é que existe). E agora sabe-o a justiça; de acordo com o convencimento dos Juízes e dentro da possível certeza jurídica.
PS: Um indivíduo abusado (possivelmente mais que uma vez e por mais que uma pessoa), quando miúdo, há já muitos anos, não se lembrar em que dia foi, nem em que mês, não é nada de estranhar. Saber que foi determinada pessoa é
Possível, mesmo que não se lembre da data.
Quem julgou é que está em condições de apreciar os depoimentos. Não somos nós que não vimos nem ouvimos.
Os depoimentos foram certamente determinantes, mas não foram os únicos elementos a ter em conta.
É nos Tribunais que se faz a defesa (agora através do recurso). Não é na praça pública.
Quem dá cobertura a tais mediatices não sabe certamente como funcionam os Tribunais.
Genericamente de acordo com o que escreve. E retenho o essencial. Que é isto: “É nos Tribunais que se faz a defesa (agora através do recurso). Não é na praça pública.”
100 por cento de acordo com o seu comentário… 5 estrelas
Gostei, muito obrigada Paula