Rover 2000 (Reino Unido, anos 60)
Nota — Este post marca o dia em que a Câmara Municipal de Lisboa fechou de vez o Museu Fernando Pessa do Automóvel Antigo, iniciado com a oferta do saudoso Fernando Pessa do seu velho Rover 2000, que contou com a contribuição de alguns amigos, que a Câmara de Lisboa assumiu (primeiro com João Soares e depois com Santana Lopes) e ao qual nunca chegou a dar verdadeira dignidade. Não passou de um nado-morto adiado.


Fui colega de Fernando Pessa na RTP. O Fernando não merecia esta ofensa por parte de gente sem escrúpulos, sem dignidade, sem amor ao próximo. O Fernando tinha uma grande preocupação: a sua cidade de Lisboa. Lutava diariamente (porque nem sempre conseguia) por uma equipa de reportagem – operador de imagem, assistente, operador de som, assistente e motorista – para sair para a rua.
O Fernando tinha sempre consigo uma agenda, que me mostrou por diversas vezes, onde ia inserindo uma lista de anomalias e lacunas em Lisboa. Muitas vezes andei com ele no seu belo Rover porque éramos vizinhos. Umas vezes ele dava-me boleia e outras levava-o no meu carocha.
O Fernando merecia que a Câmara de Lisboa mantivesse o museu porque trabalhou para o bem de Lisboa como poucos. Muito mais do que muitos que hoje usufruem chorudos salários na Câmara e que nada fazem a não ser praticar a arte de bem almoçar e jantar à conta… de alguém.
… Além da arte de fechar memórias e museus.