Há um mês (foi a 26 de Julho), numa manifestação em Indianápolis, a posição pública assumida pela National Organization for Marriage One Man, One Woman nada teve de compreensão ou sequer de tolerância, como se percebe pela imagem. Nem se esperava que tivesse: vinda, como vinha, de uma organização que se opõe fortemente ao casamento homossexual, sabia-se de antemão que a mensagem poderia ser tudo menos pacífica. Mas também não era preciso ostentar tal radicalismo, ou ainda haverá pela frente novas versões da tenebrosa Ku Klux Klan de outros tempos, agora contra os homossexuais.
No fundo, isto tem uma explicação e não vale a pena ficar-se a pensar se a liberdade de expressão e de manifestação tem balizas, porque não é disso que se trata. O problema continua a ser o mesmo de sempre: não manter diferente aquilo que representa diferenças sociais que entroncam na moral individual e colectiva (ou cultural) costuma ter consequências. Não querer perceber a tempo e aceitar que se está perante uma fractura da sociedade, desperdiçar a criação de laços entre as duas partes e optar por acentuar essa fractura à pressa e à força não é apenas desinteligente: acarreta resultados perversos.
Invariavelmente, o fundamentalismo exacerba-se quando se passa por cima dessa regra básica que é consagrar a diferença como um direito, para que o respeito pela diferença seja um dever. Ignorar esta regra é, afinal, desafiar os outros. Escusadamente. A violência é o passo seguinte.


Não sendo a favor do casamento homossexual, também não sou a favor da violência. As minorias terão que respeitar as maiorias, se quiserem ser respeitadas e não provocar as maiorias. Não concordando com o casamento entre pessoas do mesmo sexo, não sou radical, mas não gosto de ser incomodado ou até provocado. Isto estando eu convencido que a maioria, ainda é heterossexual, isto estando eu convencido que haverá respeito mutuo, isto estando eu convencido que não se irá chegar à violência, se existir um principio básico que é o respeito. Isto para não se criar divisões que poderão levar a faltas de respeito, falta de civismo e a consequência poderá ser a violência. Por isso passo a passo, lentamente…..poderemos chegar a bom porto.
É isso mesmo, Zé. Nestes casos ditos fracturantes, nem sabemos se há maiorias e minorias ou se os lados se equivalem. Já os desafios provocadores sabemos que não devem partir de nenhum dos lados.
Essa organização que a meu ver só incita à violência tem os “alvos” errados.
Enforcados, deviam ser os/as violadores, os/as pedófilos, os/as assassinos do corpo e da alma.
Que importa o amor ou o sexo entre “iguais”? A vida é tão curta que cada um a viva à sua maneira, sem alaridos, integrados na sociedade e sem aqueles Circos-Homo que vemos na comunicação social.
Não sou a favor ou contra a homosexualidade.
Sou contra todo e qualquer tipo de violência.
Muito bem, Virgínia.
«Enxuto» e certeiro. Excelente!
Obrigado, Nicolina. Deu-me alento.
João, não seria mais simples exprimir-se contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo do que escudar-se atrás deste tipo de discurso duma organização para-criminosa, para dar esta volta toda e acabar por dizer que eles, coitados, é que estão a ser provocados?
A resposta é simples: não.
Não, porque a minha posição já ficou há muito clara aqui no DO e nunca me incomodou pensar de forma diferente de muito boa gente.
Não, porque a minha posição resulta novamente clara neste post e também não me incomoda que muito boa gente discorde do que eu penso (e que não é necessariamente definitivo).
Não, porque rejeito querer «dizer que eles, coitados, é que estão a ser provocados», visto que a única finalidade foi apontar outro argumento que fundamenta a minha posição e não, obviamente, encontrar desculpas para qualquer nova KKK.
Acho que me fiz entender muito bem, Inês.