“Avante” em ponto morto


Pedro Correia,

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A Feira do Livro de Lisboa tem este ano 140 participantes oficiais, que ocupam os 350 pavilhões do recinto. Ontem, dia de greve dita geral, houve quem esboçasse uma tentativa de paralisar o certame, defraudando o público. Como se o Parque Eduardo VII fosse “território conquistado” da CGTP.

Não conseguiram: fiasco monumental. Paralisação nenhuma, excepto o encerramento de uns irrelevantes pavilhões. Anotei-os, contando pelos dedos – e sobraram dedos.

Foram estes:

Edições Avante!

Edições Húmus

Tigre de Papel

Livraria da Câmara Municipal de Lisboa

Imprensa da Universidade de Lisboa

Cinemateca Portuguesa

Publicações Jesuítas

Grupo Almedina

 

Coisa chata: não consegui comprar obras dos camaradas Marx, Engels e Lenine. Depois não se queixem de que a revolução continua em ponto morto.

29 comentários em ““Avante” em ponto morto”

  1. > não consegui comprar obras dos camaradas Marx, Engels e Lenine.

    Os alfarrabistas são capazes de ter uma cópia ou outra, mas os maiores de cinquenta com livros em casa costumam estar abastecidos. Era para oferecer?

    1. Para oferecer, só a alguns comunistas que aqui vêm picar o ponto.
      Mas ele não deixam endereço, nem sequer o nome. Apenas pseudónimos e alcunhas: jo, militar, etc.

      Ando à procura da correspondência Marx-Engels para um trabalho ensaistico.
      Não me parece fácil encontrar em alfarrabistas. Só mesmo lá no antro dos saudosistas da URSS.

      1. Pode contactar André Ventura, que lho poderá vender por 800000 euros. Se quiser, mais barato, peça ao ministro, da educação. É capaz de conseguir 90%, de desconto.

          1. Com todo o prazer. Costumo ir dar a esse site quando procuro uma citação mal lembrada.

            Ocorre-me agora que o archive.org também tem um bom acervo, e com uma conta gratuita é possivel ler PDFs completos de livros por empréstimo temporario como numa biblioteca. Há uns tempos vi mencionado um mecanismo desses para Lisboa (mas ainda não usei) … ah: https://blx.cm-lisboa.pt/servicos/documentacao/cartao-da-rede-blx/

    1. Terâ sido coincidência? Teriam os filhos do Inácio compromissos religiosos inadiáveis em véspera de dia santo? Terão sido vítimas colaterais da acção grevista?

    1. Depois de uma sauna aquecida ecologicamente com a combustão de contentores de lixo e de umas refrescantes litrosas cujo vasilhame foi devidamente reciclado nas cabeças dos senhores agentes.

  2. Parque Eduardo VII, Lisboa. O sol bate impiedosamente no alcatrão. No meio de 350 pavilhões a fervilhar de gente, há uma pequena ilha composta por uns quantos caixotes fechados.

    O Cliente aproxima-se, suado, a abanar-se com um panfleto do Cheque-Livro. Bate no balcão de lata do pavilhão das Edições Avante!.

    Cliente: Ó camarada, acorda aí. Queria a “Trilogia da Desgraça”: o Manifesto do Marx, a Origem da Família do Engels e as Teses de Abril do Lenine.

    Camarada: (Limpa migalhas de uma empada de frango da barba) Não vai dar, pá. A vanguarda do proletariado decidiu fazer greve geral contra o patronato opressor.

    O Padre, debruçado no balcão das Publicações Jesuítas mesmo ao lado, põe uma garrafa de tinto na mesa e intromete-se.

    Padre: Ovelhas tresmalhadas… O camarada estalinista tem razão. A greve é um desígnio divino.

    Cliente: Não me diga que o senhor padre também está em greve? Desde quando é que a Companhia de Jesus alinha com a Intersindical para boicotar a Feira do Livro?

    Padre: Deus está em todo o lado, meu filho. Mas entre as duas e as quatro, está em solidariedade com os oprimidos. Vai em paz que eu vou descer a persiana, que o sol bate-me na hóstia e estraga-me a liturgia toda.

    Da porta do pavilhão da Livraria da Câmara Municipal de Lisboa, uma Funcionária Pública sopra para o verniz fresco das unhas enquanto fuma um cigarro eletrónico.

    Funcionária Pública: Ó faxavor, falem mais baixo que eu estou aqui desde as nove da manhã e dói-me muito a cabeça. .

    Cliente: A senhora por acaso tem o Lenine aí perdido? É que o pavilhão do Avante! está fechado.

    Funcionária Pública: Eu tenho cara de quem tem russos na prateleira? Eu aqui só tenho actas da Assembleia Municipal de 1994, catálogos de azulejos de Marvila e um guia prático de como pedir isenção de IMI que caducou em 2008.

    Cliente: Mas isto é um fiasco monumental. Como é que a revolução avança se vocês estão no tinto, na empada e a pintar as unhas?!

    Padre: (A benzer-se com o saca-rolhas) Se quiser, leve a biografia do Papa Francisco. É quase a mesma coisa que o Marx, mas sem os gulags.

    Cliente: (Suspira, derrotado pelo aparelho) Está bem. Dê-me lá o catálogo dos azulejos e a biografia do Papa. Só para dizer que não vim em vão.

    Camarada: Eia, ó fura-greves. Vendido ao sistema… Ouve lá, por acaso, tens aí dados móveis? Só queria saber se o Mourinho sempre vai para o Real Madrid.

  3. Oh Pedro Correia, e comprou o livro de 723 euros, com capa dura, de Aníbal Cavaco Silva, para poder ir pedir-lhe a assinatura, no próximo congresso, onde o Pedro Correia irá ter 15 minutos, em troca de doar 500 euros (ou pagar 9000 euros, para ir participar, recebendo o diploma (avaliado em 700000 euros), da universidade, de Verão, do PSD?
    Era uma boa opção, para quem lá foi, preocupar-se com a greve geral. Diz-se que venderam 80000 unidades, só no dia do lançamento, a 4 de Abril, de 2026, das versões simples (38,94 euros) e 15000 da versão capa rígida (723 euros). Ontem colocaram, à venda, a 2 edição, com 50000 exemplares, com 2500 de capa rígida.
    Há que contribuir como qualquer um contribui. PSD precisa de 9000, a 17600 milhões, para conseguir equilibrar o orçamento, sem precisar do rectificativo. Ainda pode piorar, pois revogaram as cativações, de ordenados, para lideranças, dos institutos públicos, onde há jovens, de 26 anos, a receber 9481 euros, de salário base, mensal (com 600000 euros, em ajudas de custos e 250000 euros em viagens, anualmente), que estavam a empancar, no ministério das finanças, pois seriam 2400 milhões, além do limite, de despesas, previsto pelo orçamento. Agora podem subir 60000 milhões, e irem cortando benefícios fiscais, subindo 56000 impostos, pela calada, como foi passarem 231 produtos, da taxa mínima para a intermédia e 739, da mínima para a normal, já a partir de 1 de Julho. E ainda há a suposição que, em Janeiro/27, restaurantes (e bares, que já reclamaram perdas de 25000 milhões, no turismo, se isso acontecer) subirem para 23%, em todas as vertentes.
    Há que aproveitar e ajudar, a economia. Compre o livro do seu ídolo e obtenha a assinatura.

    1. Você, precisa, de, aprender, a, colocar, as, vírgulas.
      Inútil, perguntar, ao, seu, ídolo, José, Sócrates. Ele, não, escreveu, nenhum, dos, livros, que, saíram, com, o, nome, dele, na, capa.

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