
Anda por aqui gente com pouca ou nenhuma fé, navegando no derrotismo militante. Pois eu, contrariando a tendência, insisto em ver o copo meio cheio, mesmo em circunstâncias difíceis. E não me arrependo.
Releio o que escrevi nesta caixa de comentários do DELITO a 4 de Janeiro, após a captura de Nicolás Maduro numa operação-relâmpago dos EUA com óbvias cumplicidades ao alto nível do corrupto regime da Venezuela. O que mais me interessou ali foi ver o colapso de um precioso aliado da Federação Russa. E logo vaticinei a queda de outros dois: o ditador russo «está a escassos meses ou até semanas de perder o Irão» (aconteceu a 28 de Fevereiro) e «em Abril perderá o amigo Orbán, por derrota nas legislativas da Hungria» (aconteceu a 12 de Abril, no passado domingo).
É verdade que neste atribulado 2026 o mundo está muito perigoso. Mas todo o negativo acaba por ter o seu reverso. E até dentro do péssimo é sempre possível vislumbrar o menos mau.

o ditador russo «está a escassos meses ou até semanas de perder o Irão» (aconteceu a 28 de Fevereiro)
Não aconteceu.
O regime iraniano mantém-se incólume e continua a ser um aliado da Rússia.
Aconteceu, major-general Agostinho. Nem o Irão está “incólume”, como todo o mundo sabe, nem a Federação Russa risca nada hoje junto de Teerão. E a Ucrânia continua a resistir.
“E a Ucrânia continua a resistir.”
Será a Ucrânia ou quem lhe vende armas?
É o heróico povo ucraniano, por muito que isso vos custe.
“É o heróico povo ucraniano, por muito que isso vos custe.”
Eu já tenho quase 90 anos e a minha opinião não serve para nada. Andei na guerra colonial. Desde então para mim não há heróis nem posso ouvir falar em guerras. Guerra significa morte. Heróis significa que gostam da guerra e matam muito e nem se importam de morrer. Ser herói, guerra… que é que isto me faz lembrar? Ver morrer amigos, ver tripas de fora, os soldados não morrem como nos filmes: ficam com as tripas, rins, etc. e nós vemos-los a palpitar e o sangue a correr.
Isto é o que sinto e o que me ocorre quando aclamam heróis e feitos guerreiros. Por favor não falem em feitos heróicos à minha frente. Falta a razão no meu pensamento? Talvez. Mas não posso evitar relembrar tudo o que descrevi.
A minha pátria é a humanidade e não somente a minha língua. Desprezo os heróis.
Há quem morra e sofra com as guerras mas também há quem ganhe e não é pouco. E há os que opinam sobre guerras mas nunca viram nenhuma, salvo na Televisão.
sem petróleo ficam às escuras
A Ucrânia continua a resistir e a Europa com ela!
O fabrico acelerado de enormes quantidades de drones em diversos países europeus (RU incluído), decidido em Março passado e já em curso, para serem usados na defesa da Ucrânia, provocou a esperada reação via Peskov: que é uma ingerência directa da Europa no conflito e como tal será encarada (olhar matador e pausa arrepiante); e que a Rússia sabe exactamente onde se localizam as ditas fábricas…
Para bom entendedor a meia-palavra e respectivo tom ameaçador bastariam. O problema é já estarmos anestesiados com tantas ameaças desde há mais de quatro anos, até repetidamente relembrados de serem eles os campeões em número de ogivas nucleares, portanto muito cuidadinho, que o amigo do meu inimigo, meu inimigo é.
E não é que não se tenha medo, e até muito. Mas ainda se tem mais medo de ficar debaixo da bota daquela coisa meio medieval, meio mafiosa, que é lá o sistema em que vivem e querem obrigar os outros a viver.
Veja-se os húngaros, prova irrefutável disso mesmo, apesar de viverem encostados ao monstro…
Não só de ânimo positivo se fazem os prognósticos acertados, que precisam também (sobretudo) de ser bem informados e objectivamente analisados – no fundo, a racionalidade que falta aos “derrotistas militantes” que já nasceram vencidos; e mais ainda àqueles que projectam em homens desequilibrados e infames as suas orfandades ideológicas, ou as suas frustrações de gente fraca e mal resolvida.
E tem razão: quanto mais difícil é a circunstância, mais o ânimo tem que preencher o meio-vazio do copo. Tchim-tchim!
Slavia Ukraina
Força aí na Frente.
Continuem a empurrar aí nas Traseiras.
Sem duvida. Mas não é essa, seguramente, a atitude de um generoso grupo de comentadores (comentadores, pelo menos) neste blogue. É ler os comentários às “notas sobre a guerras, abaixo, onde a esta hora abundam as desconsiderações liminares do autor, por ousar racionalizar a questão, sem todavia se questionar os aspectos obectivos por ele apresentados.
Em suma se há Trump naquilo, até pode rebentar o mundo desde que isso signifique uma derrota de Trump. E, claro, logo surgiu a viscosa escorrência de um anti-semitismo próprio de certo regime dos anos Trinta.
Se os fins justificam os meios? Não, como princípio geral. Que a realidade pode impor que seja flexibilizado, perante casos concretos. Antes que esses casos concretos se imponham irreversivelmente.
Implica isso que alguém faça o trabalho sujo e esse trabalho assim seja qualificado, e muito vocalmente, pelas consciências acertadas? Parece que sim e alguém – uma besta, é certo – o está a fazer.
Enfim, tudo visto até dá jeito. Desde que não nos tenhamos de meter nisso.
Amigo Costa, como bem sabe as opiniões aqui são livres e plurais, designadamente nas caixas de comentários, onde aparece gente da extrema-esquerda à extrema-direita.
Assim tem sido desde a primeira hora do primeiro dia. Assim será até cair o pano.
Um inquestionável mérito do D. O.
E que o pano, caindo aqui, como parece inevitável, logo se levante noutro local.
E quem é que nos vai defender do Trump?
Os eleitores.
os amigos de Putine encontravam-se numa matrioska.
parece não saber como sair deste desastre.
Ainda falta Cuba, Pedro.
A importância geoestratégica que lhe falta, sobra-lhe em simbolismo. Quando Havana cair, e é apenas uma questão de tempo, com ela extinguir-se-á também a chama da luta de gerações de comunistas e anti-ocidentalistas.
Milhões de cubanos celebrarão o fim da ditadura e da penúria, os presos políticos serão libertados e isso ocorrerá num dia inteiro e limpo, pois também eles terão direito ao seu 25 de Abril.
Enquanto isso, de barriga cheia, alguns pseudo-intelectuais ficarão aziados ao ponto de durante vários dias nem sequer sairem de casa para passear o Bobi. E o mundo ficará um pouco melhor.
Cuba, sugada até ao tutano pela corrupta oligarquia que confunde a família com o partido e este com o exército e o estado, em esquema mafioso, tornou-se menos do que uma república das bananas. Já nem de açúcar consegue abastecer a população, tendo sido até 1958 um dos maiores produtores mundiais. Peixe, os cubanos nunca consomem apesar de ser ilha. Porquê? Não têm barcos, a pesca é inexistente. Quem os tinha zarpou para terras do “inimigo”. Foram 2 milhões só nesta década: o maior êxodo registado no século XXI num país em tempos de paz. Essa migração forçada, em grande parte de jovens, transformou a ilha-prisão num enorme “centro de dia” para velhos com miseráveis reformas de 15 euros por mês. Mal têmforça para fechar o punho para gritar o miserávelestribilho do regime: “Pátria ou Morte!!” Leonardo Padura fala de tudo isto no seu último livro: tenciono escrever sobre ele aqui.
Isto para concluir, Paulo: Cuba já entrou em colapso fatal. Só falta a certidão de óbito lavrada em notário. Outro aliado que Putin perdeu, mesmo que de pouco lhe servisse. ern%C3%A1ndez-revuelta-la-hija-rebelde-d e-castro/455063.html
Falta saber qual membro da família Castro irá ocupar o trono quando o caduco Raúl bater a bota. Servirão o amo capitalista como serviram o amo comunista desde 1959.
Alguns já vão mudando a agulha sem problema algum.
https://www.martinoticias.com/a/alina-f
“Dentro do péssimo” – eu também gostava que as coisas, com ditadores e outros vilões, se resolvessem como sonham esses encartados da diplomacia e outros toleimas: com retórica, à mesa nuns requintados repastos regados por grandes néctares, numas recepções glamorosas, numas cordiais dissertações sobre a luz projetada nas pinceladas de Brueghel ou por simples actos/assomos de consciência ou contrição. Infelizmente não é assim.
Só a força, a guerra fazem recuar ou podem conter o mal.
Neste “freak show” ou “reality show”; anti-católicos indignados com ataques a Cristo e católicos, anti-ditaduras indignados com prisão ou derrube de ditadores, esquerdas em êxtase por vitórias da direita e discípulos da transição verde defendendo a energia nuclear, dou graças por ainda haver quem no nosso mundo ocidental ainda tenha o discernimento de ver e fazer o que deve ser feito para conter a ascensão do eixo ditatorial!
Ainda bem que os timorenses não se vergaram à lei do mais forte e ao “argumento” trumpista “might is right”. Sem a força da persuasão, sem o império da legalidade internacional, sem a competência dessa “retórica diplomática” que você tanto desvaloriza jamais se teriam libertado do jugo indonésio e não seriam um Estado independente como são desde 2002.
Se fosse hoje Trump estaria a negociar “resorts” de luxo com o Suharto de turno lá na terra deles.
Quanto à Igreja Católica, que também parece desprezar, limito-me a anotar que é a mais antiga e experiente diplomacia do mundo. Ainda não existia esse país chamado EUA e já a Santa Sé era chamada para resolver conflitos.
As atoardas de Trump – em ofensa aberta e reiterada a mais de 50 milhões de católicos só nos EUA – equivalem à pergunta sarcástica de Estaline: “Quantas divisões tem o Papa?” João Paulo II respondeu-lhe na histórica visita pastoral à Polónia, em 1979: primeiro passo concreto para desmoronar o bloco soviético. Sem um tiro.
Aprendizes de feiticeiro, como Trump, passam. A Igreja fica.
Sou católico e praticante, muito além dos praticantes apenas de baptizados, comunhões, casamentos ou funerais. Atoardas à Igreja passam ao lado, especialmente vindas de quem não é Igreja e de quem as procura instrumentalizar.
A diplomacia tem imensa valor e faz todo o sentido. Não desvalorizo ou ridicularizo. Crítico-a quando perde a objectividade. Condeno-a quando infrutífera ou sem vislumbre de sucesso algum.
“império da legalidade internacional e competência da retórica diplomática” – pois, pois.. Se a Ucrânia estivesse a contar com isso, hoje estava a par com a Bielorrússia fazendo vénias a Moscovo! Se Israel confiasse nisso já estaria mergulhado no mediterrâneo e o povo judeu escravo dos aiatolás!
A mim importa o que deve ser feito na defesa e segurança das nossas Sociedades, não importa os personagens ou bonecos. Há outra forma? Qual? A dos “acordados” e utópicos do homem-novo?
Se é católico, está certamente chocado – como estão milhões de católicos nos EUA e muitos mais em todo o mundo – com a chacota feita por Trump na “Cloaca Social” onde todos os dias evacua alarvidades, tendo agora como alvo Leão XIV. Só porque este – e muito bem – não lhe faz vénias nem lhe vai comer à mão.
Já o tinha feito durante o conclave quando se fez retratar vestido de Papa. Algo grotesco: com Trump a falta de nível desce sempre para novos patamares.
Como só presta culto a si próprio, ele reconhece agora que nem é “muito religioso”, o que não o impede de colar a agenda política aos grupos evangélicos mais fanáticos e extremistas, adoradores do Deus Dólar.
Um oportunista, enfim. Que tem deixado o mundo mais perigoso.
Anda agora em negociações com um regime que em Junho dissera ter “decapitado” para pôr fim a armamento que em Junho dissera ter “obliterado”. E para desbloquear o Estreito de Ormuz, que em 28 de Fevereiro estava desbloqueado, antes de ele ter posto o dedo no gatilho. Iniciando uma daquelas guerras que ele jurara aos eleitores jamais desencadear.
Mentindo sempre, como quem respira.
Para Trump, a única voz que interessa é a dele: atirou-se agora furiosamente a Giorgia Meloni, só porque ela se atreveu a defender o Papa.
A intolerância e a falta de cultura democrática são marcas evidentes destes lamentáveis 15 meses do seu mandato.
E o que o Pedro refere é apenas um resumo muito pela rama, mesmo que nos fiquemos pelas blasfémias, heresias e escárnios do “cristão” que autografa Bíblias para as mercadejar, ou que faltou à missa do Domingo de Páscoa para ir ver como corriam as obras do Maior e Melhor Salão de Baile da Galáxia.
E o católico Vance, a querer ensinar Teologia ao Papa?! É de ficar de facto chocado, não há outra palavra, parece um daqueles miúdos exibicionistas e malcriadões, a estender rasteiras de chico-esperto ao professor, sem fazer ideia do que está a falar, num desrespeito indecoroso e desafiante.
E ainda bem que o Papa não se encolheu, ser contemporizador ou humilde com semelhante corja só os faz cair em maiores e piores tentações.
O Trump atirou-se à Meloni não só por ela ter defendido o Papa, mas também por se ter entesado com os amigos israelitas (suspendeu o acordo de cooperação em defesa) depois de estes terem atingido soldados italianos da UNIFIL – o que também já tinha acontecido em Novembro do ano passado -, só não havendo mortos por grande sorte.
Ela assusta-me um bocado, admito, mas reconheço-lhe um instinto e habilidade política que não posso senão admirar, num meio em que o que mais abunda são oportunistas, cobardes e indecisos. Para já, parece ter recuperado os italianos que lhe começavam a “fugir”…
Trump é e está no domínio do ridículo. Não me interessa ou entrega valia consumir energia com o ridículo. E como referiu; o boneco passa, as instituições ficam.
Do resto seria de todo relevante colocar de lado distracções/manipulações e esclarecer as pessoas, a Sociedade, do que realmente está em causa havendo um Irão armado nuclear, um eixo Rússia/China/Irão consolidado. No entanto dados os graus de inveja, de toleima e patologia ideológica, presentes no espaço mediático, talvez seja pedir demais.
Creio que todas as pessoas com dois deditos de testa, mesmo as mais acomodatícias, compreendem perfeitamente o perigo que representaria um Irão armado nuclear, e bem assim o tal eixo consolidado, como diz. É uma simples constatação de facto.
Agora, a questão que se coloca é a seguinte: mexer sem prudência nem preparação num vespeiro alguma vez acalmou as vespas? Só se forem outras vespas a fazê-lo, para acabarem com a concorrência…
Este dito “ataque preventivo” tão amador, tão mal organizado, quase patético, com Trump a deixar-se levar por Israel para fazer o trabalho sujo que lhe proteja as fronteiras; e que já teve as consequências mundiais que se vêem e sabe-se lá as que se verão – porque é da natureza das guerras a alta probabilidade do seu descontrolo -, será que compensa, de facto, o tal risco das putativas armas nucleares iranianas que, em tantos anos de avisos israelitas de “iminência certa”, nunca passaram disso mesmo? Ou os perigos do tal eixo que diz “consolidado”, nele incluindo uma China cujos “desígnios pérfidos” (que os tem) nunca deram sinal de passarem por actos de guerra – mesmo na questão de Taiwan é visível a vontade de resolver a coisa a bem, apesar das ameaças. Não por os chineses serem bons rapazes, mas porque – ao contrário de outros – levarem em consideração as consequências negativas dos seus actos, começando logo pelos prejuízos em causa própria. Uma Taiwan destruída, uma ruptura (ou pior) com os EUA, servia-lhes para quê? Se lhes servisse para alguma coisa já tinham resolvido assim o assunto há muito tempo.
E inclui no “eixo consolidado” também a Rússia, que actualmente, para o que releva, não passa de um estado-vassalo da China, que só continuará funcional enquanto isso lhe interessar. Em termos internacionais, a Rússia só tem a relevância que o activo-Trump lhe confere, e a que a China lhe permite.
No tal eixo resta assim o Irão, sem armas nucleares de facto, mas com capacidade defensiva convencional bem dissimulada; e sem pruridos de provocar os prejuízos suficientes à sua volta que tornem tanto do interesse dos vizinhos como do seu o fim dos ataques de que é alvo – tudo como aliás mandam as boas, e cínicas, artes da guerra.
Mas alguém supôs, ou foi convencido na sua ignorância crassa e arrogância cega, que o Irão seria apanhado de surpresa como a decadente Venezuela, ou que se vergaria perante a enormidade das forças que ameaçavam esmagá-lo.
O que acabará eventualmente por acontecer, mas da maneira mais difícil e cruel, e deixando um rasto de morte, destruição e crise económica desmesurado. Só haverá um ganhador, Israel, e apenas pelos seus próprios critérios.
E tudo isto em nome de quê? Da possibilidade de produção de armas nucleares que estava contida e fiscalizada de perto por um acordo que Trump rasgou, ainda não se percebeu muito bem porquê, mas provavelmente apenas porque tinha a assinatura do Obama.
E da possibilidade de o “eixo consolidado”, na verdade uma espécie de banco com três pernas de comprimentos diferentes, se consolidar mais ainda?
Parece-me pouco, e um pouco já muito conhecido, para uma aventura bélica tão mal amanhada e com tão graves consequências globais – esperemos que não catastrófica.
A inveja, não sei. Mas a toleima e a patologia ideológica são como na parábola do argueiro e da trave, melhor seria que se visse primeiro o que se tem nos próprios olhos antes de criticar os olhos dos outros. Se não for pedir de mais, evidentemente.
“Compreendem perfeitamente o perigo” – se são contra esta guerra não compreendem nada, ou então são uns tolos que ignoram os sinais e o passado recente.
A Ucrânia também tinha os acordos de Budapeste, o acordo Minsk … A UNIFIL também diz que protege o norte de Israel do Hezbollah, a UNRWA também só estava a ajudar refugiados… instalações nucleares subterrâneas dissimuladas e altamente sofisticadas é mesmo só para uso civil, urânio enriquecido a 60% deve ter sido distracção ou então uma nova medicina nuclear que necessita de isótopos três vezes mais potentes…
Aventura bélica mal amanhada é narrativa mediática construída em múltiplas desinformações e meias verdades, sem conhecimento de informação classificada e domínio da coisa/intenção/plano militar.
A minha tolice vejo-a todos o dias, é ela me lembra a necessidade da fechadura na porta de casa, é ela que me alerta para a dos outros e para a necessidade de acautelar impensáveis como “o dilúvio de al-aqsa” ou contenção de manifestações com tiro na cabeça!
Já ouviu falar em esquizoidismo.