
Ele é o “Messias”. Está mesmo convencido disso. “Oblitera” Cristo, para se retratar a si próprio como rei dos milagres. Capaz de dar luz aos cegos, consolar aflitos, ressuscitar defuntos e pôr qualquer moribundo a dançar o cancã.
Assim se fez retratar ontem durante horas na sua rede, TrashSocial. Enquanto disparava raios e coriscos contra o Papa, acometido da habitual logorreia, cada vez mais patológica.
O líder supremo dos EUA chegou a rabiscar isto: «Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano.» E a evacuar isto: «Eu gosto do seu irmão Louis, muito mais do que gosto dele, porque o Louis é MAGA.»
Sentirá vontade de lançar uma “operação militar especial” contra o Vaticano, tanta é a sua fúria contra o Pontífice? Leão XIV já declarou não sentir receio das alucinadas birras do bilionário de Mar-a-Lago. Dias depois de ter feito um vibrante apelo a favor da paz e contra a «idolatria do ego e do dinheiro», como lhe compete, enquanto referência moral entre os cristãos e todos os seres humanos de boa-vontade.
O que dirão destas imprecações de Trump os católicos J. D. Vance e Marco Rubio?

Com a desgraça geopolítica chamada Donald Trump, entre muitas outras coisas, fica indiscutivelmente provado que parte do eleitorado americano, corresponde ao público mais estúpido do mundo. E mesmo o restante, o aceitaria com toda a naturalidade se a inflação estivesse baixa. O problema não reside na democracia americana, mas sim do povo que não a merece.
Convém haver contenção nesse raciocínio. Caso contrário estaremos a esvaziar e a desvalorizar, por antecipação, a mais que provável derrota eleitoral do partido republicano dos EUA do início de Novembro.
Faltam menos de sete meses.
Os republicanos que o apoiam são seguramente o povo mais estúpido do mundo.
João Guimarães…
“Os republicanos que o apoiam são seguramente
o povo mais estúpido do mundo.”
(João Guimarães)
Ser republicano é “povo”?
João Barros da Costa
(G. A. R. D.)
A coisa tem sido sobretudo latente, ainda que identificável sem especial esforço, também por aqui e nos últimos tempos. O firme e criativo repúdio por Trump, fenómeno pelo menos bizarro, decerto muito danoso, mas feliz e necessariamente temporário e que, imagine-se e apesar dos seus esforços, não se pode furtar à crítica pública que é severíssima desde logo no seu país (a institucional e a outra: os “memes” ou lá como se chama a isso, não são só nem sobretudo obra do Trump e seus acólitos), nem à justiça, esconde – e mal – na verdade um puro anti-americanismo (e anti-israelismo, já agora, que Netanyahu usualmente é mimoseado de igual forma e serve de disfarce para verdadeiro anti-israelismo), absolutamente primário, dogmático, irracionai.
Nem vou elaborar sobre o tema, mas se o povo americano não merece a democracia, que dizer do português? Eles estão onde estão, nós onde estamos e somos (e parece que com muito orgulho): “pés rapados”, sem dinheiro para o que seja, que cada vez que saem da falência logo se apressam a lá regressar, conformados numa mediocridade abjecta e de qual recusam – prova de grande maturidade, decerto, sair -, crescentemente embrutecidos e disso orgulhosos. Mas todos doutores e engenheiros, sentenciosos e cheios de superioridades morais, prontos a apontar o dedo acusador (deve ser legado das “vitórias morais” em certo desporto, uma nossa verdadeira especialidade).
E, voltando aos americanos, onde está a alternativa credível da parte do partido democrata, ente de quem mal se ouve falar? Aquela que finalmente resgataria esse povo dessa sua tremenda condição de “deplorable” e em quem todos nós, por todo o mundo, votaríamos em espírito, cheios de luminosa esperança. Mesmo que a política externa americana pouco ou nada mudasse, a não ser na linguagem, pois os seus interesses já não passam como passaram pela Europa. E nós não nos preparámos para isso. É simples e é assim
E esta Europa, largamente irrelevante e por culpa própria, insiste em meter a cabeça na areia e berrar aos americanos – em quem tanto e tanto gosta de malhar (depois queixem-se de que a primitiva verborreia de Trump até seja aliciante para os rednecks e os blue collars lá do sítio) – que, sendo embora irredimível e profundamente estúpidos (ou pior), lhe têm de assegurar o conforto e certeza de paz a que se habituou.
Em democracia existem sempre alternativas. Só em ditaduras elas não existem. A democracia é, por definição, um sistema imperfeito: inútil sublinharmos esse ponto.
Perfeitas – por trágica ironia – são as ditaduras.
Perfeição absoluta, apenas nos regimes totalitários.
Trump mostrou ao que vinha logo em Fevereiro de 2025, ao destratar (acolitado por Vance) Zelenski na Sala Oval: enxovalhou e praticamente expulsou o líder ucraniano, alguém com uma grandeza moral que ele jamais terá. p%E2%80%93Zelenskyy_Oval_Office_meeting
O tema até já é verbete na Wikipédia.
https://en.wikipedia.org/wiki/2025_Trum
Revelou-se ainda com maior nitidez ao receber Putin – agressor e carrasco da Ucrânia, responsável por 500 mil mortos, dois milhões de feridos e cerca de dez milhões de desalojados – com passadeira vermelha, sorrisos e abracinhos em território americano, em Agosto desse ano.
Inaceitável e revoltante cumplicidade com o déspota russo, que o bilionário de Mar-a-Lago faz sempre questão de não beliscar.
Repetiu o padrão (acolitado por Vance) perante os aliados da NATO – nós incluídos – que nunca falharam no apoio aos EUA em ocasiões tão diversas como o 11 de Setembro ou as intervenções no Afeganistão e no Iraque. Declarou, alto e bom som, querer anexar o Canadá e abocanhar a Gronelândia, tratando os aliados como adversários de forma totalmente inaceitável.
Ele e Putin têm dois inimigos estratégicos: a NATO e a UE.
De Putin, não admira: ambas as instituições foram desenhadas contra os interesses de Moscovo, em plena Guerra Fria.
Da parte dos EUA, é uma aberração: eles fundaram a NATO, a aliança nasceu em Washington; o eixo euro-atlântico tem sido sempre um pilar da diplomacia norte-americana, seja quem for o titular do poder ou o partido dominante de turno.
Outra regra que Trump quebrou.
O mundo está mais pacífico?
Não, está muito mais perigoso. Muito mesmo. A ameaça que ele fez de “arrasar por completo” em “apenas uma noite” uma civilização três vezes milenar configura já a utilização da bomba nuclear, afrontando o supremo tabu das relações internacionais e a própria sobrevivência da espécie humana.
Foi contra estas abomináveis declarações que o Papa se insurgiu – e fez muito bem. É um imperativo moral, proceder ao invés de Pilatos. Como católico, não esperava dele outra coisa.
Esteve o Papa muito bem, isso é indiscutível. Não sendo praticante, os princípios que me enformam são cristãos e, nisso, católicos (mesmo quando me distancio, não podendo ser acrítico, perante palavras e actos dos homens e mulheres, necessariamente falíveis, que materializam a Igreja). Em tudo, do conteúdo à tão serena forma – o rigoroso oposto de Trump -, esteve muito bem e nele me senti, quanto possível, reconfortado.
Quanto ao mais que escreve, caro Pedro Correia, só posso concordar com a certeira súmula que faz. Apenas não esqueço, como estou certo não esquece, o quanto nisso a Europa “se pôs a jeito”.
Se pôs a jeito perante um eventual Trump (e o distanciamento americano começou, sabemo-lo, bem antes dele e verbalizado muito educadamente por ex-presidentes americanos que são tidos geralmente, e tirando as marinas e restantes fanáticos do costume, em razoável boa conta), ao longo de décadas. Em que só não via o que potencialmente aí vinha quem não queria. E, limitando-me ao estrito âmbito militar (e não, não sou especialista; nem a tropa “fiz”, e não foi verdadeiramente por não querer), socorro-me do exemplo da, para muitos, Pérfida Albion: nos idos de Oitenta e Dois, uma frota da Royal Navy desceu até aos confins do Sul para resgatar umas pequenas ilhas e um punhado de gente que aí teimava em ser britânica. E fê-lo.
Quarenta e tal anos depois, nem um – um – navio conseguiu levar atempadamente a Chipre. E isso depois de uma ameaça passar a coisa concretizada.
Quanto ao Portugal e aos portugueses, nem gasto agora o meu tempo.
João Guimarães…
Quando é que deixa de fazer comentários idiotas ?
João Barros da Costa
o primeiro mandato não correra assim tão bem, pelo facto do seu Governo ser constituído por políticos de carreira, que lá iam conseguindo frear as maluqueiras. Durante a campanha percebeu-se que o erro seria corrigido caso vencesse segunda vez. O grupinho que o sustenta, alguns dos quais extremistas libertários, prefere assim, é a mais rápida maneira de alcançar aquele admirável mundo novo.
Caso os EUA ainda se mantenham uma democracia a sério no fim disto, mesmo com todas as falhas, muita desta gente vai bater com os costados na prisão daqui a 4 anos…
Abominável mundo novo.
Vai a meio, um pouco mais. Leitura interessante, ainda que já algo datada, tal a velocidade da realidade.
Muitas vezes a realidade actual ultrapassa a mais imaginativa ficção.
Datada? Sim, tem data de publicação…
Lá está o Trump a gozar com o pagode.

Acho que ele está viciado na arte de atiçar os indivíduos com TDS. E, infelizmente, são abundantes neste blog.
O Pedro passou oficialmente a fazer parte do chá da cinco das tias (e tios, que também os há) afectados com TDS aguda.
Susana, confesso-me impressionado por verificar que pessoas inteligentes e cultas – como é o seu caso – persistem em negar o óbvio ululante.
Mas isso não impede que ele esteja lá. Cada vez mais óbvio, cada vez mais ululante.
> o óbvio ululante
O meu óbvio ululante, como o da Susana, também é mais ou menos o inverso do seu, mas não venho cá discutir com o dono da casa.
Venho dizer que também gostava da Maga Patalogika do tio Patinhas
(Eventualmente, na linha de bruxas más, pode querer ver no YouTube o que um jornalista chamado Gonzalo Lira disse acerca de uma chamada Victoria Nuland. Pagou com a vida, morreu numa prisão ucraniana há dois anos.)
Quem pagou com a vida foi Navalny e muitos outros corajosos opositores à ditadura russa, mártires da liberdade, enquanto vocês iam fazendo vénias, dobrados até ao chão, e entoando hossanas ao vosso amado Putin.
Errata: “Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria…”
Isso. Vou corrigir. Embora Trump se tenha feito “fotografar” como Papa quando Francisco morreu.
Não será “Messias” é mais “Camilo Alves” o tal que dizia que até de uva se faz vinho.
Trump é uma espécie disso.
Faz da presidência uma taberna de vinho marado
De um tipo que emborca doze coca-colas por dia não seria de esperar nada de bom.
”as divisões do Papa” votam nos EUA.
o Papa estava na Argélia próximo dum estreito.
Se o Sánchez se lembra de “portajar” o Estreito de Gibraltar, o bilionário de Mar-a-Lago dirá logo que também quer estabelecer parceria.
O que mais será preciso para atestar que esta criatura ensandeceu de vez?
A criatura está completamente louca, cada vez mais patológica, e deixou de ter qualquer noção da realidade e da compostura exigível ao cargo que ocupa…
Este traste tem que ser destituído do cargo. Se o deixarem continuar nesta roda livre, o resultado será catastrófico, tanto para a nação que o elegeu como para o Mundo…
Agora sonha erguer um arco monumental em Washington, mais alto do que o Memorial Lincoln. Irá chamar-se, claro, Arco Trump. e1e3kvo
https://www.bbc.com/news/articles/cwywr
Aguardo com impaciência o dia em que ele ordenar que a Fossa das Marianas passe a chamar-se Fossa Trump.
Mas, e no caso em apreço, o que vale à própria criatura é que a mesma nem deve saber o que é a Fossa das Marianas, nem onde se situa… Neste caso, a ignorância acaba por ser sua amiga…
É uma viagem que ele poderia fazer, ficava a conhecer ‘in loco’. Munido do respectivo escafandro XXL.
Ou então era metê-lo dentro de um submersível e deixá-lo lá…
E numa jangada deixada à deriva no Triângulo das Bermudas? Poupava-se no submersível e testava-se o Triângulo…
Brilhante, Zebra! Vamos nisso!
Fossa Trump não será uma redundância?
Pertinente pergunta.
Bem visto, Carlos Sousa…
“Vale a pena refletir sobre um facto tão inacreditável que tentamos a todo custo apagá-lo: que o Estado que se autoproclama o mais poderoso do mundo é governado, há anos, por homens que são tecnicamente dementes. Não se trata de dar uma forma extrema a um julgamento político: que Donald Trump — assim como Joe Biden antes dele, por certo — deva ser considerado demente no sentido patológico do termo é uma evidência agora compartilhada por muitos psiquiatras. Qualquer pessoa que observe sua maneira de falar não pode deixar de concordar.
O que nos interessa aqui não é, evidentemente, o caso clínico de indivíduos chamados Trump e Biden.
Mas a pergunta que não podemos deixar de fazer é: qual o significado histórico de um país como os Estados Unidos — que, de certa forma, lidera todo o Ocidente — ser governado por uma pessoa com problemas mentais? Que declínio espiritual e moral radical, mesmo antes de sua natureza política, poderia ter levado a um resultado tão extremo?
Que o destino do Ocidente estivesse selado pelo niilismo era algo que Friedrich Nietzsche já havia diagnosticado há mais de um século, juntamente com a morte de Deus. Mas que o niilismo assumiria a forma de demência não era algo inevitável. Talvez seja, de certa forma, por compaixão e piedade que o Deus que deseja destruir o Ocidente o conduza a seu fim não com consciência e responsabilidade, mas com delírio e loucura.”
Giorgio Agamben
Reflexão interessante. Direi até: estimulante.
Já Reagan padecia de Alzheimer ainda estando como Presidente. O diagnóstico oficial é posterior, mas os sinais (ou sintomas iniciais) estavam lá.
Reagan venceu a Guerra Fria.
Trump “venceu” a guerra do Alecrim & Manjerona.
Reagan é hoje lembrado como um dos melhores presidentes dos EUA do século XX. Trump será lembrado como um dos piores de sempre. ricans-say-reagan-greatest-president.asp x at-was-ronald-reagan
https://news.gallup.com/poll/146183/ame
https://www.hoover.org/research/how-gre
Ao lado de Trump até Reagan parece um intelectual.
A lado deste Donald até o Peninha parece um Gastão.
E o Gastão parece um Eanes. Em homenagem a Romano Torres.
Isso é indiferente. Não é comparado Reagan a Teump.
O comentário referia como ser possível os EUA serem governados por pessoas com problemas mentais, como se tal não acontecesse antes de Biden.
Ah, ok, é só um problema dos EUA. Todos chanfrados.
O assassino Putin é normalíssimo.
O homicida Kim é arguto e lúcido.
O XI que acaba de decapitar quase todos os altos comandos militares da China enquanto mantém mão de ferro sobre toda a sociedade civil é um modelo de sensatez.
O Lukachenko, último ditador da Europa, é um tipo fixe. “Só” está no poder na Bielorrússia desde 1993, coisa pouca. Menos do que o “lusófono” Obiang, que pôs a pata no comando supremo da Guiné Equatorial e ainda não zarpou.
Tudo malta fixe.
Não sei o que pensarão os católicos Marco Rubio e J.D. Vance (futuros adversários se Trump não tiver um AVC antes de terminar o mandato) mas, como católico penso muita coisa.
Há Princípios – Verdade, Justiça e Liberdade – aquilo que nada precede e de que nada depende, para um cristão o mesmo que Deus.
Há Valores – igualdade, fraternidade, paz e muitos outros – que são ideais e, na vida terrena irrealizáveis para toda uma sociedade, podendo apenas existir em situações limitadas.
Há também virtudes e utilitarismos, mas que aqui não vêm ao caso.
A questão é que a defesa de valores não pode ser feita contra princípios. Ou seja, a questão da guerra no Irão não pode ser reduzida ao julgamento pela bitola única da paz
O Papa Leão XIV elegeu a paz como o seu grande objectivo, desde a suas primeiras palavras como Papa “A paz esteja com todos vós” e tem coerentemente apelado à paz em diversas ocasiões. Mas o que disse, relaciona directamente o desejo de paz a um conflito concreto e, isso fragiliza a intervenção de duas formas. Primeiro é uma intervenção política, segundo foi pouco pedagógico porque condenou uma acção por ofender um valor, sem explicar que também ofendia princípios, o que é discutível e matéria de opinião e nunca de fé.
A história, para quem tem memória, mostra que a defesa da paz, pode ser instrumentalizada. Lembro o Conselho Mundial da Paz, a par de outros também instrumentais do comunismo soviético, em defesa de um valor, a Democracia: Federação Mundial da Juventude Democrática, Federação Democrática Internacional das Mulheres e Associação Internacional de Juristas Democratas.
Para mim, católico, ambos estiveram mal, Leão XIV e Trump. Trump terá sido péssimo mas de Leão XIV esperava melhor.
É preciso muita criatividade (estou a ser brando) para equiparar Leão XIV a Trump, como você faz.
A minha opinião é oposta. Leão XIV é uma referência moral, independentemente da crença individual de cada um. Trump é referência imoral – em tudo. O Bezerro de Ouro personificado, em permanente idolatria a si próprio. A indiferença total perante o sofrimento alheio. O cego despotismo, inebriado pelo poder que crê absoluto. O culto da violência, traduzido no lema “Might is Right” e na mudança do Departamento da Defesa para Departamento da Guerra.
Um comporta-se como discípulo de Cristo; o outro é a chocante negação do exemplo de Cristo enquanto se apropria indevidamente do nome (e até da imagem iconográfica) de Jesus.
Ninguém lhe quer retirar o direito à sua opinião. Apenas desejo reciprocidade.
Leão XIV exprimiu uma opinião sobre um facto actual e do domínio político e Trump reagiu a essa opinião (dou de barato a publicação como Deus, que repete agravada a primeira como Papa porque nem quero perder tempo com isso). O que eu critiquei, sem equiparar pessoas ou cargos, foram essas opiniões do campo político. E, com toda a franqueza, o Papa a declarar publicamente que não tem medo da administração Trump, é decepcionante, para não dizer pior. Como disse, de Leão XIV esperava melhor. E Trump, de quem no campo declarativo, não tenho quaisquer expectativas, nem sequer igualou Stalin, que perguntou quantas divisões tinha o Papa.
Eu ouvi o Papa dizer: «A minha mensagem é o Evangelho e continuo a falar com força contra a guerra.»
É isso que se espera dele. Tal como se esperava dos seus antecessores imediatos. Todos eles.
De Trump – que se fez fotografar há um ano nas redes como “Papa” e diz agora que, se não fosse ele, Leão XIV não estaria na Santa Sé – estes 15 meses de mandato falam de forma expressiva. Não contente em ter entrado em colisão com meio mundo, incluindo os países vizinhos e aliados de Washington, faz agora o mesmo também com o chefe supremo da Igreja Católica. Aparecendo até “travestido” de Jesus.
Os financiadores evangélicos da seita MAGA devem ter adorado este embate com o Papa.
Aguardarei as reacções dos católicos Vance e Rubio, que tanto apregoam a devoção católica.
Já com a certeza antecipada de que os mais de 50 milhões de eleitores católicos dos EUA darão a Trump a devida resposta nas eleições intercalares de Novembro.
Vance e Rubio, religião católica? Deve ser igual á do “Ventrulhas”. Só idolatram os ricos e poderosos.Jesus fez precisamente o contrário.
“Aguardarei as reacções dos católicos Vance e Rubio, que tanto apregoam a devoção católica.”
Enquanto Trump for Presidente dos Estados Unidos, os cargos de Vice-Presidente e de Chefe da Diplomacia Americana não passarão de meros “adereços cinematográficos”, postos ao serviço da insanidade, pautada por ideias delirantes, e do grotesco…
Vance (Vice-Presidente) e Rubio (Chefe da Diplomacia Americana) não passam de meros “adereços cinematográficos”, putativos fantoches, que Trump vai manobrando, de acordo com os seus apetites e devaneios…
Nesse contexto, Vance e Rubio não poderão deixar de ficar na História como dois cobardes serviçais, que aceitaram estar à disposição de uma mente confrangedoramente perturbada…
De Vance e de Rubio não espero nada de bom: Ou as suas reacções serão inexistentes ou servirão apenas como tentativa de desculpar e escamotear as alarvidades proclamadas por Trump. Obviamente, Vance e Rubio não passam de dois devotos de Trump, pelo que não me merecem qualquer respeito ou consideração.
Vance e Rubio são, no fundo, “dois homenzinhos muito pequeninos” que, com toda a franqueza, preferia não ver associados à Igreja Católica Apostólica Romana.
Quando muito, daqui a algum tempo, talvez os vejamos a “lavar as mãos como Pilatos”, aquela atitude perfeitamente deplorável de quem, perante alguma atrocidade praticada mesmo à sua frente, se escusa de responsabilidades, fingindo-se de inocente.
Será o homem o anti Cristo profetizado ?
Em declarações sobre o assunto proferidas hoje, o Trump renega Cristo, ou melhor, que estivesse a fazer de Cristo – e que só as “fake news” é que se iam lembrar de um disparate desses!
Diz que na verdade estava vestido de socorrista da Cruz Vermelha, porque gosta muito da Cruz Vermelha, e aliás os EUA contribuem muito para a Cruz vermelha…
E ainda há quem ache que este pobre coitado é um humorista nato ou que joga com o baralho todo.
Portugal devia propor uma moção na ONU para mudar o nome do planeta Terra para planeta Trump. Como entender que o gajo ainda não se tenha lembrado dessa? Só se ainda não se apercebeu de que vive num planeta …
Chiça.
Que exagero, claro que ele sabe que vive num planeta, e que é raso e redondinho como um prato.
José Gomes Ferreira disee por outras palavras que Trump longe de estar louco, está mais convencido que é o novo Alexandre o Grande. Isto de aparecer como sendo um Papa ou mesmo Jesus Cristo, mais não é que uma presunção de grandiosidade suprema que faz questão de explicitar, muito para além do poder militar que infelizmente comanda. Ouvi duas apoiantes dele, afirmar que estão convencidas piamente que o homem é o novo enviado de Deus. Perante tais evidências, é perfeitamente aceitável a ideia de que quem apoia Trump, é supinamente estúpido.
Trump está manifestamente incapaz de exercer a presidência do mais poderoso Estado do mundo. Poderoso nos planos económico e militar.
Como Biden estava, apesar das cortinas de fumo que chegaram a possibilitar que fosse “eleito” como recandidato à Casa Branca quando todas as evidências sobre a sua condição mental apontavam no sentido contrário.
A cegueira dos apoiantes é igual, só mudou de campo político.
Em 2024-2025, andavam cegos os democratas.
Agora andam cegos os republicanos. Mas já não todos.
Como o futuro próximo demonstrará.
É certo. Mas também não deixa de ser verdade que só Biden conseguiu ganhar-lhe; e afastar Trump do poder, mais do que ser ele próprio eleito, terá sido a sua principal motivação para se obstinar numa candidatura para a qual já não tinha condições mínimas, mentais ou físicas, e que até lhe deve ter exigido um esforço bastante penoso.
Fez mal em obstinar-se, ele e os que o apoiaram, como veio a comprovar-se, porque Kamala Harris poderia ter avançado mais cedo e aumentado muito as suas hipóteses, até pela excelente campanha que apesar de tudo fez.
Se sequer avançasse, porque relembremos que mesmo a substituição in-extremis de Biden por Kamala esteve muito tremida, já que foi bastante contestada na altura, até por Democratas – o que também poderá ajudar a explicar a tal obstinação aparentemente irracional.
Se Biden se tivesse conseguido manter em mínimos de forma teria muito provavelmente batido Trump e posteriormente sido substituído por razões de saúde pela vice, Kamala.
O plano devia ser esse, mas infelizmente não aguentou.
De qualquer modo, em sentido rigorosamente nenhum Trump é comparável a Biden.
Recordo sempre Biden dignamente sentado na tomada de posse do lunático, a ser aliás deliberadamente ignorado. No entanto, ainda hoje Trump continua a não aceitar ter sido derrotado por ele, e o culpabiliza e insulta sistematicamente, com baixezas ignóbeis como aquela fotografia que mandou colocar na Galeria dos Presidentes e que faz gala de mostrar a todos os visitantes da Casa Branca. Um homenzinho rancoroso, mau, esquisito e patético, é o que devem pensar dele e da fotografia.
Nunca vi, nem imagino, Biden a comportar-se alguma vez assim.
Em 2024 o Partido Democrata foi acometido de coma cerebral. A história completa desse período – e daquele que o antecedeu – há-de ser contada em livro. E talvez em filme. t/o-caduco-contra-o-proto-martir-1718211 9
Havia mais de um ano que Biden tinha a agenda diária reduzida a um máximo de 2 ou 3 horas, recolhia aos aposentos privados assombrosamente cedo, mostrava-se incapaz de reter as informações mais insignificantes. Contava com um batalhão de assessores a fazer barreira entre ele e o mundo real, além da cumplicidade activa dos jornalistas credenciados na Casa Branca, que sabiam da inaptidão e calaram.
Mesmo assim, como se ele estivesse apto, abriram-se fileiras no PD para aquele ridículo cerimonial das primárias, condicionadas por haver um vencedor antecipado. Andaram seis meses nessa pantomima até todos os sinais de alarme se acenderem enfim naquele inenarrável “debate” com Trump.
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.p
A partir daí foi correr atrás do prejuízo, com uma inépcia digna de antologia. Harris arrancou já como derrotada. Herdou a máquina, herdou o aparelho, herdou o aparato – mas não herdou os votos.
O tiro na orelha do bilionário ajudou muito, mas há que reconhecer esta evidência: Trump não aterrou do céu. O PD abriu-lhe o caminho – e de que maneira. Sem liderança, sem rumo claro, muito fragmentado por mil quezílias, tem ainda muitas feridas por lamber. E precisa de renovação total, não pode mostrar sempre os mesmos. A doença que o acometeu não se cura com pensos rápidos.
(Ups, com um isto escrevi um texto autónomo para o corpo principal do blogue. Agradeço-lhe o seu estimulante comentário, Zebra.)
Que o homem é um mariola, é certo e sabido.
Mas isto já vai para além da personalidade. Há questões do forno clínico, como dizia o treinador. Ou então uma mistura de substâncias com privação de sono.
Ele emborca entre 12 a 14 cocas (colas) por dia. Confirmado pelo próprio, numa das quatro ou cinco entrevistas que vai dando todos os dias (para ele não há sequer feriados ou dias santos).
Não admira.
Parece um samba-enredo: “Ele dá na coca / ele dá na cola / por isso ele não ’tá / bom da tola!”, eheheh.
sobre o muito que se escreveu acerca deste postal queria referir um punhado de pontos que me parecem ser essenciais para se perceber como chegamos ao ponto de ter no poder gentinha deste calibre.
1 – A larga maioria das pessoas mais capacitadas não está para ver a sua vida devasada a torto e a direito num mundo cada vez mais feito de “posts”, “selfies” e “show-off”, isto é, os melhores não são de todo os que seguem e chegam ao topo no atual mundo político;
2 – Consequência do ponto 1, a qualidade das lideranças no mundo ocidental decresceu significativamente nas últimas décadas;
3 – Com a sucessiva perda de qualidade por um lado e, proliferação dos que estão dispostos e vivem bem com no mundo do “show-off” e do faz de conta, de casos e casinhos (na verdade muitos até querem é que existam sempre muitos), o foco das próprias notícias é cada vez menos o verdadeiro conteúdo e impacto das políticas, assim como a verdadeira profundidade dos problemas e passou a ser o que imagem transparece, a ilusão, a percepção por mais errónea que seja – no fundo o que aparenta tornou-se muito mais relevante do que aquilo que é de verdade;
4 – Toda esta necessidade de “show-off” para distrair o povo acerca do realmente relevante, levou a que se explorassem até ao limite causas polémicas, isto é, causas fraturantes da sociedade sempre colocando o foco na emoção (afinal o que vende e dá show é a emoção e, quanto mais fraturante uma causa maior é o soundbyte) e nunca na razão;
5 – Este exagero foi lentamente criando fraturas e tribalizando a sociedade. Para piorar alguns desses “show-offs” mascarados de verdadeiras causas, foram de tal modo explorados que, uma das grandes tribos criada neste processo, claramente atingiu um ponto em que não tem mais paciência para levar mais com isso. Simplesmente quer que tudo isso desapareça seja por que meios for.
6 – É exatamente aqui que Trump entra, como o sujeito que vai acabar de vez com tudo isso, que vai acabar com todo o uso e abuso que foi dado em várias dessas causas que foram instrumentalizadas de forma vergonhosa e até quase que criminosa. A saturação é tanta que, essa tribo já nem quer saber como, mas apenas se tudo acaba e rapidamente, daí que tenha passado um cheque em branco a Trump.
Trump é portanto o resultado de tudo o que de errado se andou a fazer durante décadas. Infelizmente vamos ter de o continuar a aturar.
A pergunta dos milhões: vai o Papa falar evangelicamente diante do Byia? Do Teodoro? Do João Lourenço?
Dos milhões? Quais milhões?
Você também idolatra o bezerro de ouro? Também está contaminado pelo vírus trumpista?
Vai.
E pode ficar com os milhões, podem fazer-lhe falta na velhice.
O carpinteiro da Galileia? Um loser de primeira. Deixou-se apanhar pelos romanos, foi crucificado, teve zero de rating nas sondagens de Pôncio Pilatos. Moisés? Outro loser. Desceu do Sinai com umas pedras ranhosas e pesadas. Eu como Líder Supremo no TrashSocial, declaro a partir d’hoje que sou o novo Messias.
E eis, Donald Trump a descer pela escada rolante da Trump Tower com a pele a brilhar naquele tom radioativo cor-de-cheetos que só os verdadeiros eleitos possuem e traz no smartphone, os novos 10 Mandamentos Trump (em formato NFT, apenas a 99,99 dólares a unidade).
Trump’s ten Mandamentos
1. Amarás o Donald sobre todas as coisas: E por “todas as coisas”, entenda-se a tua própria dignidade.
2. Não invocarás o nome de Trump em vão: Só podes dizer o nome dele se for acompanhado de um “Obrigado” e com um cheque de 200000 dólares ao portador”.
3. Guardarás os domingos para o Golfe: O descanso é para os fracos. O domingo é o dia de contar tacadas falhadas como se fossem milagres.
4.Honra o teu pai e a tua mãe… se eles forem MAGA.
5. Não matarás.
A não ser que estejas no meio da 5.ª Avenida e dês um tiro num gajo qualquer. Aí, como toda a gente sabe, não perdes um único voto.
6. Não cometerás adultério.
…Dizem os falhados da moral. Tu podes. Especialmente com atrizes porno.
7. Não furtarás.
Porque furtar é para amadores. Tu deves é abrir falência e deixar os empreiteiros a arder.
8. Não dirás falso testemunho.
Mentirás. E mentirás muito. Dirás mentiras tão grandes, tão gordas e alucinadas que a chalupagem vai engolir tudo sem mastigar.
9. Não desejarás a mulher do próximo.
A menos que seja uma Miss Universo.
10. Não cobiçarás os bens do próximo.
Não percas tempo a cobiçar. Processa o teu próximo, manda uma turba furiosa invadir-lhe a propriedade e fica com as coisas dele.
J.D. Vance e Marco Rubio, já estão a preparar o comunicado. Vão dizer que os novos mandamentos são “uma lufada de ar fresco na teologia” e que, se pensarmos bem, Jesus também era um bocadinho conservador, só lhe faltava era o acesso a uma conta no Twitter e um bom gestor de falências.
Nem a Margarida amaria este Donald sobre todas as coisas. Talvez só mesmo a MAGA… Patalógica.
A Maga Patalógica ao pé desta MAGA é mesmo uma patinha. Esta não quer roubar a moedinha número um do Tio Patinhas, quer o cofre inteiro, e ainda consegue convencer os patos de que a culpa de não haver pão no lago é dos gansos imigrantes.
Quanto à Margarida… coitada. Está fechada num resort em Mar-a-Lago a rever o acordo pré-nupcial a poder de Xanax, enquanto reza para que a dieta à base de hambúrgueres e o colesterol façam finalmente o seu trabalho.
E o Pateta, claro, foi quem votou nele.
Eu gostava mesmo era do Mancha Negra… Bons tempos, em que se podiam desenhar patos falantes com camisolinha à marinheiro mas sem cuecas – e ninguém achava esquisito.