A ver o Mundial (14)


Pedro Correia,

 

Os especialistas

 

Andaram a “vender-nos” a Argentina, que iria arrasar tudo e todos. E a Costa do Marfim – selecção-maravilha de África. De caminho, apostaram na Itália, “como sempre acontece”. Resignaram-se depois a vaticinar o triunfo do “imbatível” Brasil de Dunga. E, enfim, garantiram que o Mundial seria dos alemães, graças ao seu “poderio atlético” e à sua “incomparável disciplina táctica”. Raras vezes os ouvi mencionar a Espanha entre os favoritos. Nem vaticinar, como técnico vencedor, o “velho” Vicente del Bosque (quase com 60 anos), casmurro e obstinado, que teimou em não seleccionar o “astro” Senna, em deixar Silva no banco e em manter na defesa o “inábil” Puyol, que “toda a gente sabia” ser um jogador cheio de insuficiências.

São os especialistas em futebol cá do burgo. Falam e falam e falam e falam. Mas teimam em não acertar. A Espanha qualificou-se hoje para a final, que disputará com a Holanda. Com um golo de Puyol, mais “inábil” que nunca.

 

Alemanha, 0 – Espanha, 1

36 comentários em “A ver o Mundial (14)”

  1. Dor de quê? Esqueço-me sempre do nome! Os comentadores portugueses são os mais entendidos em futebol……..mas esqueço-me como se chama a quem nunca acerta. Ah! Acertaram no Scolari ……foi campeão da Europa. Não foi ? A Grécia na bancarrota não conta, logo o outro finalista foi Portugal……num campeonato disputado cá…….seremos os herdeiros.

      1. A dor é para ser entendida com as preferências de cada um. Chama-se a isto fazer dominó para os dois lados. Mas lá que a maior parte dos comentadores têm uma dorzinha ……têm. Se calhar por nunca acertarem ! Poderia até chamar as duas dores.

  2. Só me apetece parafrasear o António Manuel Venda ali em baixo: tivesse a Alemanha um treinador a sério e estaria a disputar a final.
    E também gostei de ver os alemães cheiinhos de sentimentos de culpa a não fazerem nada para ganhar, tolhidos por um treinador que não quer ser acusado de pretender hegemonias ilegítimas e criminosas (chamemos-lhes assim).

          1. Dizia um amigo meu, botar faladura escrevendo, é pior, fica registado.

        1. Na próxima intervenção, Rui Serpentina Santos fará aquilo em que é exímio: falará durante duas horas e dezoito minutos, zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz, serpenteando por todos os temas do pé-na-bola, zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz, para no fim concluir que Queiroz é o maior.

    1. Vai botar para fora a cabecinha ou o brilhante ? Porque isto de cabecinhas tem muito que se diga……Até há quem tenha diarreias mentais. ( Se as mentes ficarem, lá para os lados da cabecinha )

  3. Excelente texto, Pedro! … de facto, até arrepia ouvir o tom tendencioso dos comentários enquanto se assiste aos jogos! … bem feita! Em frente e em força, Espanha!
    Abraço amigo.

      1. Eu até devia estar contente,Antolin não é um apelido servo-croata…mas “la roja” está a jogar um futebol que me lembra o Björn Borg no ténis…chato até não poder mais.

        He dicho !!

  4. Era a “minha” selecção, depois da minha ter vindo discreta e vergonhosamente para casa.
    Receei o jogo de hoje, mas a determinação de uma equipe considerada tecnica e tacticamente inferior, levantou-lhe o moral e mostrou que ninguém entra em campo vencedor, a vitória constroi-se e provavelmente só com perseverança, força, união e muito trabalho.
    Foram realmente uma equipe e demoliram o poderio atlético/táctico dos prováveis vencedores.

    Repare-se que já no seu primeiro jogo deste mundial, a Espanha mostrou quem era, apesar do desastroso resultado. Naturalmente, aprendeu também alguma coisa com isso.

    Bem razão tinha JP:
    Prognósticos?
    Só no fim do jogo …

    1. A Espanha que se sagrou campeã europeia há dois anos tinha um futebol mais bonito. Esta está a ser terrivelmente eficaz. Mas onde andam os arautos da “eficácia”? Não os tenho ouvido ultimamente.

      1. Sem dúvida mais eficaz e menos espectáculo.
        Mais ao jeito de um futebol germânico ou britânico, mas não tão atlético.
        No entanto, e mea culpa, porque ainda não digeri a bandeira nem sequer tirada para este mundial, apreciei o inimaginável: onze jogadores em campo, em todo o lado, unos e coesos.
        O que nos faltou a nós, já que nunca havia ninguém no lado certo, encolhidos como estávamos. Era um passar de bola para a terra de ninguém, leia-se, do adversário.

  5. Já só encolhemos os ombros. Os nossos (nada sei dos outros) críticos, jornalistas, comentadores, sejam eles de política, economia ou desporto, falham sempre.

  6. Deve ser coisa de não viver em Portugal, mas apanhei poucos que não apostassem na Espanha como a principal favorita. Houve muitos que ficaram de pé atrás depois da derrota com a Suíça (eu incluído), mas nunca vi ninguém a apostar a sério na Alemanha até ao jogo com a Inglaterra (e mesmo assim tinha sido “só” contra a Inglaterra).

    Espero bem que a Espanha leve a taça, que não posso mais com o inchaço dos holandeses (quem se queixa da febre do futebol em Portugal deveria ver a holandesa, desde antes do primeiro jogo). Além disso a Espanha está a jogar um futebol apesar de tudo mais interessante que a Holanda, que se não tivesse tido adversários acessíveis (o Brasil passou o jogo a pensar que ganharia inevitavelmente o jogo) possivelmente não estaria na final.

    Seja como for, talvez depois do jogo de ontem haja quem comece a pensar que a táctica de Queirós não foi assim tão despropositada. Foi a mesma que a da Alemanha, a qual parecia só saber atacar. Talvez as pessoas comecem a raciocinar e a ver que contra a Espanha as equipas só jogam o que os espanhóis os deixam jogar.

    1. O local onde vivemos influi nestas coisas. Por cá, quase nada transparece sobre a arrogância holandesa. Da espanhola sabemos nós bem. Seja como for, estou plenamente de acordo: a Espanha está a jogar melhor futebol. Não tão deslumbrante como o do Europeu de 2008 mas ainda assim é a selecção que demonstra ter mais vontade de ganhar. Nunca joga para o empate: joga sempre para a vitória.

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