Tolerar o uso de um “símbolo de submissão das mulheres aos homens” que pode constituir “uma ameaça à dignidade e à liberdade das mulheres”, é insultar todas as mulheres. Em nome do respeito pela liberdade religiosa não se podem desrespeitar valores essenciais da nossa cultura. Este deveria ser o princípio orientador das entidades que nos representam, mas infelizmente não é assim. As cedências unilaterais sucedem-se, cobardemente, para apaziguar comunidades que não estão dispostas a abdicar seja do que for para viabilizar a sua melhor integração nas sociedades que as acolhem. Uma tristeza.
Respeito não é isto
Teresa Ribeiro,


“Os governos europeus devem (…) tentar instruir as mulheres muçulmanas sobre os seus direitos, assim como as suas famílias e comunidades, e animá-las a participar na vida pública e profissional”.
É uma hipocrisia, pois sabemos muito bem que não é praticável.
Muito bem, Teresa. Isto não é respeito nem liberdade religiosa. É cobardia, medo e indiferença.
Pois não, respeito não é isto! Mas ainda quero ver se haverá gente a condenar os franceses! ? ( Independentemente de em França mandarem os franceses ). Não foi assim há tanto tempo, que muito ” boa gente “, mesmo em Portugal, condenava os franceses por causa da liberdade religiosa, por as mulheres muçulmanas não poderem usar burca.
Pois eu estou com os franceses nesta questão, como é óbvio, Zeparafuso.
Como qualquer pessoa de bom senso!
Muito bem. Isto já é instruir no sentido devido.
A isto chama-se, com todas as letras, capitulação. Inadmissível e vergonhoso. Se estão convencidos que apaziguam quem quer que seja, coitados….
Os princípios pelos quais nos regemos não são, indubitavelmente, universais e a liberdade religiosa funciona nos dois sentidos: acolher aquilo que compreendemos e aceitamos como legítimo e tolerar aquilo que escapa ao nosso entendimento e que no limite consideramos uma ofensa a princípios básicos de respeito. O tolerar não será sinónimo de insulto mas sim de aceitação da diferença. A mudança de padrões de comportamento passará mais pela criação de mecanismos de assimilação de determianados valores do que pela imposição seja do que for.
É um percurso difícil? Porventura… Mas não nos é permitido ceder ao facilitismo e impor uma perspectiva do relacionamento homem-mulher, sob pena de a liberdade religiosa se esvair na sua pretensa afirmação.
Teresa
Quem é que me garante que são mulheres?… 🙂
Pois, João. Já nem falo das questões de segurança – legítimas – que se colocam ao uso de tão infame indumentária.
Hmmm… portanto a Teresa quer proibir algo porque esse algo é, no entender da Teresa, um símbolo de outra coisa. A Teresa quer combater a submissão das mulheres mas, como não sabe exatamente como fazê-lo, resolve identificar o niqab como sendo um símbolo dessa submissão, e põe-se a combater o niqab. Eu diria que esta lógica é tortuosa.
Além disso, a Teresa resolve que há uma coisa chamada “a nossa cultura” (sendo que não se sabe muito bem a quem é que o “nossa” se refere – deve referir-se à Teresa e a alguns amigos dela), e vai daí, as pessoas que têm uma cultura diferente vão ser obrigadas a submeter-se à cultura da Teresa. Não sei bem aonde isto vai parar, será que a Teresa também pretenderá proibir as pessoas de comer certas coisas que não fazem para da “nossa cultura” ou de vestir outros trajes que não fazem parte da “nossa cultura” ou de praticar religiões que fazem parte de outras culturas que não a “nossa”?
Problemático. Eu desde já digo que não sou contra a proibição do niqab, mas estes argumentos da Teresa para justificar essa proibição parecem-me péssimos.
É bom ter presente, Luís, que isto de cultura, quando envolve hábitos e tradições, tem muito que se lhe diga. Dou-lhe um exemplo: na China come-se carne de cão (de certas raças); em Macau e Hong Kong é (ou foi até recentemente) foi proibido. Pacificamente proibido. Por razões obviamente culturais e sem necessidade de discutir se o cão é um animal de estimação para nós e não o é para outros povos.
Lavoura, você é de uma coerência abismal. Mesmo que para isso tenha de dizer continuamente disparates. Deixo à Teresa uma resposta mais detalhada ao seu comentário estapafúrdio, se ela tiver paciência para tanto.
O Luís, caso seja casado, vá de férias com a esposa à Arábia Saudita e depois diga-me que vestuário ela usava. Pois é…
Exactamente o que ia escrever, esgotou-se o argumento do Luis…
Pois, na Arábia Saudita há certos códigos de vestuário, e cá também os há. É por isso que eu aceito perfeitamente que se proíba o niqab. Trata-se de um código de vestuário. Será proibido andar de niqab, da mesma forma que é proibido andar de biquini (a não ser na praia). Os códigos de vestuário existem e são legítimos. As árabes devem andar cá de acordo com os códigos de vestuário de cá, da mesma forma que as europeias andam na Arábia Saudita de acordo com os códigos de vestuário de lá.
Pois, a intolerância, como o André recordou nesta caixa de comentários, é uma chatice.
Aos exemplos que o Luís deu, contraponho um outro: a excisão dos órgãos genitais femininos. Em nome da boa convivência entre os povos deve fechar-se os olhos a tudo e esperar pacientemente que a barbárie ceda, lentamente, aos nossos doces costumes?
Para mim, que sou mulher e tenho particular sensibilidade em relação a estas questões é um insulto ouvir dizer que é mais importante fechar os olhos a práticas humilhantes para o sexo feminino, do que defender a sua dignidade como seres humanos. Há valores de que não se deve abdicar. Fazê-lo é desrespeitar a nossa cultura. E desrespeitar a nossa cultura em nome do respeito por outras é um contrasenso e no limite, como disse a Ana Vidal, uma cobardia.
Eu compreendo que a excisão dos órgãos sexuais femininos seja uma barbárie e deva ser proibida, Mas o niqab é uma barbárie? Não me parece evidente que o seja. E o niqab é humilhante? Que eu saiba há montes de mulheres que o usam porque gostam (o niqab tem a vantagem de a pessoa não ser reconhecida, o que lhe confere uma certa superioridade…).
Eu repito à Teresa que não me oponho à proibição do niqab. Mas é preciso argumentar com cuidado essa proibição… não se pode afrimar simplesmente que o niqab é um símbolo de submissão. E tem que se ter bastante cuidado com esses argumentos sobre “a nossa cultura” porque, com base neles, poder-se-ia proibir a esmo uma data de outras coisas.
E como respeitar e deixar de respeitar simultaneamente?
Helena
As culturas não se equivalem: essa é a tese dos relativistas morais. Há culturas superiores a outras. Uma cultura que se funda na Declaração Universal dos Direitos Humanos, como a nossa, é superior a uma cultura que espezinha esses mesmos direitos humanos. Há que dizer isto uma vez, cem vezes, mil vezes – tantas vezes quanto for preciso.
Em duas penadas disseste o essencial, Pedro. É isso mesmo.
O comunicado da Assembleia Parlamentar, para além de sublinhar que a proibição total do véu integral viola o artigo 6 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos (que garante a liberdade dos indivíduos usarem ou não a roupa religiosa que querem, tanto em privado como em público), sendo esse um dos motivos porque se opõe a essa proibição, adianta que numa sociedade democrática as restrições legais podem ser justificadas por questões de segurança, ou em situações “onde as funções públicas ou profissionais do indivíduo exigem a sua neutralidade religiosa ou que o seu rosto possa ser visto”.
Não se trata de capitulação mas de demarcar a fronteira entre o que é razoável, de parte a parte, à luz dos valores democráticos europeus e o que é exagero e uma violação desses mesmos valores.
O comunicado está aqui:
http://www.assembly.coe.int/CommitteeDoc s/2010/IslamIslamismandIslamophobiainEur ope_E.pdf
Pois, Maria N. mas para mim não é razoável admitir na sociedade em que vivo o uso de uma indumentária que – e também passo a citar _ é “um símbolo de submissão das mulheres aos homens”.