“Nenhum movimento especulativo fará o Governo mudar de planos. O pior que podemos fazer é mudar de plano”, dizia o primeiro-ministro há uma semana, assegurando que o Executivo iria levar por diante os grandes projectos de obras públicas.
As promessas e garantias de José Sócrates valem o que valem: nada. Com a mesma aparente convicção da semana passada, o chefe do Governo vem agora dar o dito por não dito, admitindo adiar “todos os investimentos que não foram ainda adjudicados, como é o caso por exemplo da terceira via, como é o caso do aeroporto, para que os possamos lançar num momento em que a estabilização financeira regresse aos mercados e possa haver maiores garantias de financiamento para que essas obras se possam desenvolver.”
Isto diz ele agora: sabe-se lá o que dirá daqui a uma semana. Parafraseando – com uma ligeira adaptação – o mais fervoroso blogue pró-governamental, só é pena que este cata-vento não esteja ligado à rede energética nacional. Se estivesse, as importações de petróleo cairiam para metade.


Este vai-vem de raciocínio (que é mais anti-raciocínio do que outra coisa) demonstra bem a falta de estratégia e de rumo para o país de que tanto se fala, a falta de consistência e a mediocridade de qualquer planeamento a curto prazo que seja.
Serve, porém, para alguns repensarem esta tristíssima realidade antes de irem atrás do primeiro cheiro de poder que lhes vá às narinas. António Mendonça é um deles. Com isto, até fiquei a saber o nome de um dos ministros recentes.
Mendonça arrisca-se a vencer o troféu de pior ministro do ano. Já falta pouco.
Não há dúvida que lata não lhe falta.
Isso não lhe falta, não. Mas falta-lhe quase tudo o resto: competência, credibilidade, crédito junto dos portugueses.
Todos querem ser recordados pelo seu legado. Infelizmente os governantes em Portugal, acham que legado é sinónimo de grandes obras ao invés de boa governação.
O TGV Poceirão-Madrid não faz sentido, mas muito menos sentido fazia o novo aeroporto quando ainda recentemente se “enterraram milhões de euros” na Portela.
Um abraço e bom fim de semana.
Tal e qual, Renato. Abraço.
É claro que todos compreendemos que para o ego de Sócrates que a todo o custo tinha de deixar uma obra de regime, tinha imperiosamente de fazer o TGV para Madrid!É humanamente compreensível. Um provinciano, metido a politico de Lisboa, com diploma de engenheiro conseguido manhosamente através de amigos devidamente colocados, militando no partido certo, o da situação, depois de um pequeno engano à partida, quando palermamente, se inscreveu no PSD, tinha de , forçosamente, deixar obra com o seu nome!O TGV!E logo para Madrid, a capital da Ibéria!Temos todos de compreender e pagar a factura respectiva, ou com aumento de impostos ou com diminuição de prestações sociais. É um sacrifício que se justifica. Um nosso concidadão precisa de protagonismo e vindo de baixo como ele veio e atingindo o topo, tudo merece!Se temos de nos sacrificar é por uma boa causa.
Parece-me que, referindo-se a um caso concreto, faz depender a competência das pessoas, ou a sua ausência, da sua naturalidade e das suas origens familiares. Não posso deixar de expressar o minha discordância, um “provinciano” e/ou uma “pessoa que venha de baixo” é uma pessoa tão capaz como as restantes, quer em termos de competências profissionais, quer em termos de formação pessoal.
O que está em causa não é a competência, nem a formação pessoal da medíocre personalidade em análise. O que faz doer é a ânsia de fazer obra de regime à custa de contribuintes que têm azar de o ser e que, ou sob a forma de aumento de impostos, ou sob a forma de diminuição de beneficios sociais, vão ter de pagar estes sonhos megalómanos. Se o homem é megalómano por ser oriundo da provincia e desembarcado na capital, ou por não ter a formação necessária para o cargo, não é relevante para quem vai pagar!
Entre o galo e…
Esse cata-vento activo
e totalmente confundido
cita um rumo putativo
para um governo perdido.
São momentos espantosos
para mais tarde recordar,
de discursos portentosos
com um vigor de enfadar.
Tantas teses discordantes
em termos esbaforidos
de efeitos trucidantes
e com tons descoloridos.
É tamanha a molhada
de nabiças estragadas
numa lista farfalhada
por alusões engasgadas.
Viva, Amêijoa. É um gosto vê-lo de novo por cá.
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