Apesar de tudo, as coisas movem-se em Havana. Há dois anos, o general Raúl Castro autorizou a venda de computadores, esquentadores, secadores, panelas de pressão eléctricas e alarmes para carros – grandes conquistas do “socialismo” cubano. Lamentavelmente, Cuba continua com a menor taxa de acesso à rede mundial da Internet na América Latina. Ainda não estudei a fundo a questão, mas a culpa é certamente dos Estados Unidos.
Agora o general, numa nova demonstração da sua sensibilidade social e do seu talento político, decreta o fim de quase meio século de interdição à actividade privada de barbeiros e cabeleireiros, que deixam de ser funcionários públicos, o que acontecia desde 1968, data em que este grande sector estratégico da económica cubana havia sido nacionalizado pelo irmão mais velho de Raúl, Fidel Castro. Mas atenção: por enquanto, esta medida revolucionária só se aplica aos cabeleireiros “com um máximo de três cadeiras”. Os outros continuam a ser do Estado.
Sábia política de “abertura”, esta. A passos graduais, como recomenda a mais elementar prudência. Permite-se a venda das panelas de pressão e dois anos depois são “privatizadas” as barbearias com um máximo de três assentos. Sabe-se lá que novo marco do “socialismo cubano” será implantado em 2012 graças ao génio visionário do general.
Castro vê longe: se privatizasse agora uma só peluquería de quatro cadeiras poderia abrir as portas à “contra-revolução”, aos “tubarões do capitalismo internacional” e à “camarilha de Miami”. Assim, só com três cadeirinhas, o socialismo resiste. Inabalável.


Quando li o título, pensei que se tratava das “três cadeirinhas” em que se sentam o RPSoares, o AThomati e o JCSilva, com o “pesetero” a assistir, mas afinal enganei-me.
Coisas que acontecem.
Esses sentam-se em poltronas confortáveis. E podem continuar lá sentados, para honrar as melhores tradições da justiça portuguesa, que mexe muito à superfície para no fundo tudo continuar igual ao que era dantes. ‘No pasa nada’.
Bem visto.
As 3 cadeiras são para cada um daqueles macacos que constituem a trilogia do cego, do surdo e do mudo. Se houvesse uma quarta já não poderia ser nenhum desses.
Boas férias.
Tens toda a razão, Sérgio. Obrigado pelos teus votos. Um abraço.
Ó Pedro, este seu post é de partir o coco a rir! Perto de mim, há um barbeiro que tem duas minúsculas barbearias de duas cadeiras cada. Como o negócio parece estar fraco, vou sugerir-lhe que emigre para Cuba, onde há-de tornar-se no maior empresário do ramo. Ou será que vão topar a marosca, nacionalizar-lhe as 4 cadeirinhas e mandá-lo ‘ad aeternum’ para a prisão por actividades contra-revolucionárias?
Yo no creo en contras, pero que los hay, los hay…
Esse seu conhecido é um grande capitalista, segundo os padrões de Cuba. Não o aconselhe a procurar negócio em Havana: na melhor das hipóteses, acabaria como barbeiro residente dos estabelecimentos prisionais.
Nem sabes das cabeleireiras: só se privatizam se não tiverem mais de três rolos para o cabelo.
LOL
Consta que a próxima medida “revolucionária” é privatizar mulher peluda. As peladas continuarão nacionalizadas.
Ehehehehe! Castro sabia bem que é nos cabeleireiros e barbeiros que as conspirações começam. Aqui é igual… num momento está a falar-se do vestido da Cinha Jardim ou do corte horrível que a vizinha de cima traz e, sem se dar por isso, já se está a planear um golpe capitalista. A sociedade evita tocar neste assunto, formatados que estão pelo pensamento mercantilista. 🙂
Pois é, Sara. Todo o cuidado é pouco. Há que manter a vigilância revolucionária.
Olha que bem te fazem os ares de Maiorca… ainda não parei de rir! (e estou a dar nas vistas, porque ainda estou no escritório…)
Mas esta coisa da privatização das cadeiras traz água no bico… será que se seguem os bancos? Só os que tiverem menos de três clientes, claro.
Em Portugal também já assistimos ao fenómeno da privatização das cadeiras, Ana. Houve até quem concluísse “cadeiras” a um domingo, dia em que os estabelecimentos de ensino estão fechados. Dificilmente haverá maior “privatização” que esta.
Tens razão, somos pioneiros na privatização de cadeiras. Será que fomos nós a inspirar esta mudança tão radical em Cuba?
Talvez. Por mim receio as consequências de medidas tão drásticas em Cuba. É como dizes: começa-se por privatizar as cadeiras e não tarda nada já andam a privatizar bancos.
É lá! Sinto que este texto me diz respeito. Tenho de falar nisto na minha baiuca. 🙂
Abraço, Pedro. É sempre bom ler-te.
Força, caro Luís. Um grande abraço.
Eh!eh! Ia caindo da cadeira a rir!