Intimidação


Luís Naves,

Em post anterior, jpt reage a uma situação que o deixou justamente perplexo e zangado. Compreendo a sua frustração.
Escrevi toda a minha vida, trabalhei em boas publicações e tenho pensado muito no colapso dos meios de comunicação, que ocorreu em câmara lenta durante a minha carreira e agora parece acelerar. Os monopólios tecnológicos estão a destruir a imprensa e a paisagem mediática do futuro será diferente, como explico neste texto de ficção.
O bullying de alguns comentadores que vêm a este blog destruir o trabalho dos autores é mais preocupante do que parece. Na realidade, os falsos leitores querem atacar as ideias heterodoxas e silenciar o inconformismo de quem aqui escreve. Trata-se de uma forma de intimidação. Estas pessoas não têm interesse em discutir ideias ou comentar aquilo que foi escrito. Presumem coisas inexistentes, insultam, não respeitam os outros, tiram conclusões sobre o carácter ou as opiniões dos autores. A certo ponto, estes fartam-se de levar pancada e desistem. Os verdadeiros leitores também.
Os comentadores irresponsáveis vão minando esta modesta hipótese de resistência e de liberdade de expressão. Impondo a sua censura, fazem o jogo das grandes corporações monopolistas que estão a sufocar financeiramente os órgãos de comunicação tradicionais e a comprometer a diversidade. Sem recursos de publicidade, os jornais, rádios e televisões são forçados a despedir os melhores jornalistas ou a pagar salários de miséria. A independência vai desaparecendo. Sendo gratuitos, os blogs podiam servir de refúgio, podiam manter vivas as discussões, mas também eles estão a ser arrasados pelos idiotas úteis.

27 comentários em “Intimidação”

  1. Concordo, no geral, com esta análise neste seu post, no entanto acho que não preciso de lembrar a funcionalidade ‘gerir comentários ‘ a qual deve ser usada respeitando quem vem comentar (concordando ou não com determinado post/assunto) com sentido crítico mas respeitador, e barrando os outros.

  2. e quem lê blogs hoje em dia para eles servirem de opção para a tal imprensa moribunda? o pessoal está lendo o twitter ou o falsebook

  3. não serão todos com o interesse de “…os falsos leitores querem atacar as ideias heterodoxas e silenciar o inconformismo de quem aqui escreve…”.
    haverá quem aprecie o que está escrito, mas fique abismado com o facciosismo em não escrever sobre boas razões sobre situações idênticas.
    p.ex.: sempre tem havido escritos a criticar, e bem, a ditadura teocrática do Irão, mas agora com atribuição do Prémio Nobel da Paz 2023 a uma iraniana, que está presa por não usar o véu islâmico, por ela se manifestar sobre a luta da Palestina foi excomungada dos escritos.

  4. Caramba… nem mais!
    Os idiotas úteis sempre foram muito perigosos (não tanto por aquilo que pensam, sobretudo por aquilo que não conseguem pensar e não pensam).

  5. O “colapso dos meios de comunicação tradicionais” não resulta exactamente do “sufoco financeiro das grandes corporações monopolistas”…

    1. As corporações monopolistas do setor da tecnologia estão a destruir financeiramente os meios de comunicação tradicionais, atraindo toda a receita de publicidade e também através do uso da informação fornecida por estes meios (paga de forma insuficiente) em plataformas controladas por algoritmos capazes de modificar as audiências. Claríssimo.

      1. As corporações monopolistas de tecnologia, não estão apenas a destruir financeiramente os meios de comunicação tradicionais, mas sim tudo. Os seres humanos (ainda) são necessários apenas e só como consumidores para alimentar as corporações e os idiotas úteis são uma ajuda importante nesta transição.
        O poder que hoje existe fora dos governos do Mundo nunca foi tão grande e tão perigoso,

      2. Os meios de comunicação tradicional estão a auto-destruir-se pela conversão convicta e deliberada ao activismo. E pela prostituição intelectual. E pela cumplicidade com os actores políticos. E pela opção pela mentira.

        O estrangulamento financeiro é um distante quinto lugar no rosário das suas preocupações.

  6. O problema de alguns comentadores na blogosfera Nacional é exporem as mentiras e colocarem em causa a fabricação de factos, revisionismo histórico, e as narrativas falsas, que são escritas e publicadas nos blogues.

    Os mentirosos não permitem o contraditório.

    Tomei a liberdade de ler o artigo presente na ligação que partilhou da autoria do dr. jpt, e qual não é o meu espanto quando me deparo com uma quantidade de mentiras, falsidades, e teorias da conspiração escritas e promovidas pelo dr. jpt acerca da Palestina e da guerra e genocídio que ocorre naquele País provocado pelo regime da Inglaterra e a «Declaração de Balfour» que inventou o “Estado” de Israel, como por exemplo: «…desde o vil ataque terrorista do partido fascista Hamas…» ou «…o seu primeiro-ministro Netanyahu. Se eu tivesse a sua autoridade e o seu poderio militar e policial, suportado em informações de serviço de espionagem – ainda que estes algo falhos, como se viu aquando do enorme ataque terrorista sofrido…».

    O Movimento de Resistência Islâmica («HAMAS») foi criado e financiado pelo “Estado” de Israel, pertence à organização terrorista Irmãos Muçulmanos («Muslim Brotherhood») fundada com base na Grande Loja Unida da Inglaterra.

    O Movimento de Resistência Islâmica («HAMAS») serve os interesses do “Estado” de Israel e tem como objectivo impedir a criação de um Estado Palestino e perpetuar o confronto com o chamado “Estado” de Israel, fazendo com que este último tenha um pretexto para continuar a colonizar, ocupar, e assassinar um País e território que não lhe pertence e o Povo Palestino.

    Quanto ao Sr.º Primeiro-Ministro do “Estado” de Israel, Benjamin Netanyahu, o dr. jpt não refere que o primeiro sabia ao pormenor e antecedência que o ataque levado a cabo pelo Movimento de Resistência Islâmica («HAMAS») ia acontecer; alguém acredita que os responsáveis de um regime tirânico e policial, com uma temível e experiente estrutura de serviços de informação, polícia política, e forças armadas, como tem o “Estado” de Israel não seria capaz de neutralizar o ataque?

    Posto isto, o dr. jpt não tem razão.

    1. Isso não está a ser discutido aqui. Uma coisa é quando se faz a crítica a um texto, outra quando se insulta o autor ou se altera o sentido daquilo que ele escreveu, outra ainda quando se exige que tenha determinadas opiniões.

      1. Não li os comentário que refere onde «..se insulta o autor…» por tanto não irei analisar essa situação.

    2. Figueiredo, com esta é que mete medo.
      Nem mais, como é que a Mossad não soube (ou sabia?) do ataque terrorista do Hamas?
      E como deu uma jeiteira politica a Netanyahu, que levou a grandes em manifestações em várias cidades Israel.
      E até podia ser feito um comentário: pudera apareceram em mini saia (ataque terrorista) estavam mesmo a pedi-las (bombardeamentos e milhares de mortos em Gaza).

  7. Diferentemenete da minha antecessora – à hora que escrevo – Maria Dulce, subscrevo mas não integralmente. Na realidade com dois “mas”.
    O primeiro, que não esmiúço, tem a ver com o próprio “blogger” “perplexo e zangado”.
    O segundo acrescenta, sem as retirar, culpas aos “monopólios tecnológicos”. Há anos fui técnico nas relações públicas de um grande banco comercial. Sendo os CCT o que eram depois do PREC e nacionalizações, sendo a maioria dos eventos fora de horas de expediente, muitas vezes em fins-de-semana, ganhava quase obscenamente. No mínimo, duplicava o ordenado nominal, que não era nada mau. Além disso viajava em 1ª classe (regra do CCT) e frequentava hotéis e restaurantes absolutamente fora da minha situação económica. Pois com enorme espanto meu, um colega recém-chegado de pára-quedas, poucos meses depois, mudou-se para a redacção de um jornal, com um ordenado, no mínimo, inapropriado. Só compreendi quando soube que também passara a acumular com o lugar de assessor de imprensa de um secretário de Estado.

  8. “Sendo gratuitos, os blogs podiam servir de refúgio, podiam manter vivas as discussões, mas também eles estão a ser arrasados pelos idiotas úteis.”
    Cabe aos moderadores censurar os comentários menos apropriados e noto que neste blog os moderadores deixam passar muita coisa digna das redes sociais de Mark Zuckerberg ou Elon Musk.

    1. os autores e os moderadores têm textos /temas com ideias à Alex Jones, e às vezes até parecem ser inspectores da pide a jogar com palavras para ver se a outra parte se confessa politicamente.

  9. Isto parece-me mais uma tentativa de intimidar os comentadores — que são a garantia da heterodoxia, não o contrário. O Luís há uns tempos ficou magoado porque descobriu que apesar dos seus vastos conhecimentos e das solidez das suas opiniões as pessoas não concordaram com ele na questão da Ucrânia. É o que pensar, como os marxistas, que as verdades são dialécticas. Quando não são: basta tomar um partido e defendê-lo. Desde então, maltratar comentadores e desfiar um rosário catastrofista é recorrente.

    No caso do jpt, que ainda há pouco tempo se lamentava de que ninguém comentava os seus posts, é diferente: normalmente os maus tratos e os insultos com que brinda os comentadores, sejam eles quem forem, acontecem quando sente o seu narcisismo ferido.

    Em ambos os casos, a vitimização é obvia — e é a verdadeira explicação da crise do bloguismo, que começou no primeiro dia da blogosfera. Milhares de posts como estes já foram escritos, e milhares de comentários como o meu já foram feitos. Não querem comentários, fechem os comentários e boa sorte. É melhor do que andar a reclamar e a queixar-se dos vossos leitores, se são anónimos, se não são anónimos, se são parvos ou não parvos. O que é que isso interessa?

    1. Este comentário é engraçado. Escrevi aqui umas vezes sobre o conflito da Ucrânia (julgo que três ou quatro textos) e muitos leitores concordaram, outros discordaram. Quando escrevo sobre alguma coisa só quero que as pessoas pensem um bocado, nunca fico “magoado” se não o quiserem fazer. Os comentários são importantes, pois fazem parte das discussões inteligentes. Não tenho nenhum problema em verificar que alguém discorda da minha posição, mas muitas das coisas que aparecem nas caixas de comentários não são simples discordâncias, como V. sabe muito bem, são ataques ferozes à pessoa que escreveu o post, com insultos ou leituras enviesadas daquilo que foi escrito, por vezes ataques à suposta falta de carácter do autor. Os meus posts sobre a Ucrânia, por exemplo, onde expliquei que essa guerra não pode ser vencida pelo lado ucraniano (como aliás o tempo tem comprovado) geraram discussões com críticas pertinentes, mas também acusações inaceitáveis, de eu ser pró-Putin ou pró-Hitler, entre outras etiquetas absurdas de pessoas que desconhecem a história e a cultura dos intervenientes. Quando voltar a escrever sobre o tema, não existe qualquer dúvida de que vamos assistir à sequela desse filme.

      1. geraram discussões com críticas pertinentes, mas também acusações inaceitáveis, de eu ser pró-Putin ou pró-Hitler, entre outras etiquetas absurdas de pessoas que desconhecem a história e a cultura dos intervenientes.

        Claro que sim, Luís, isso é verdade. Mas foi sempre assim (e aqui no DO até nem há muita batatada).. Eu tenho uma vaga impressão de que a malta em Portugal, de certa forma, até tem melhorado o seu comportamento nos blogues — mas, ok, eu também não leio os comentários que vocês lêem e portanto admito que tenha uma ideia completamente distorcida da realidade e que essa realidade e que os insultos que vocês recebem são muito mais desagradáveis do que se vê publicado. Ao fim e ao cabo os blogues entram pelos nossos espaços pessoais adentro e ao fim deste trmpo tempo todo ainda não nos habituados. Pela minha parte têm a garantia de que não daço nunca ataques pessoais, só concordo e só discordo das ideias em si (e por isso o anonimato ou não é-me relativamente indiferente.). Continue a escrever, Luís. Mesmo não concordando com tudo sempre, gosto de ler os seus apontamentos. Cumprimentos

  10. “Não há pachorra e não tenho tempo para isto. Escrevo de borla, cada texto dá imenso trabalho, mas aparece sempre um comentador a dizer que não é assim, que não gosta nada daquilo que ofereci. Não apreciam a generosidade. Alguns insultam e os comentários não são aprovados. Isto é bem simples: eu sou o autor, o post é meu, ponho aqui o que eu quiser e com a minha assinatura. É gratuito e tem qualidade. Não gostam, podem ir chatear a prima.”

    A liberdade de opinião segundo Luis Naves.

    1. Isto é pura demagogia para enganar tolos. O desabafo é meu, convinha que estivesse aí a provocação que levou a essas frases (não me recordo e estou-me nas tintas). De qualquer forma, a liberdade de expressão é do autor, os comentadores têm a liberdade de ler ou podem escrever os seus próprios blogues. Liberdade de expressão, para mim, não é distorcer opiniões alheias ou colocar nas testas dos outros etiquetas falsas. Não deixo passar comentários com insultos a terceiros ou que têm duvidosa legalidade. Trabalhei toda a minha vida neste setor, sei muito bem onde estão os limites.

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