DELITO há dez anos


Pedro Correia,

21523202_SMAuI.jpeg

 

JPT: «Dias difíceis, aqui em Maputo, com as constantes notícias de crimes e ameaças, e da guerra que ameaça brotar, florindo, carnívora, das escaramuças sanguinolentas que são já diárias no centro do país. No meio da angústia, pelo país e pelo nosso futuro (“Arranja-me um emprego / pode ser na tua empresa / concerteza / que eu dava conta do recado / e para ti era um sossego” humilhar-me-ei eu, aos 50 anos, regressando trôpego a um país também ele trôpego?), no meio dessa angústia (“sem pânico“, acabamos nós agora, amiúde, os breves telefonemas em que cruzamos novas, boatos e desabafos), dizia eu, surgem inopinadas notícias a fazer futuros, a proibir des-esperanças, a barrar o tal panicar.»

 

Marta Spínola: «Adormecer a ler é das melhores sensações do mundo. Aquela altura em que leio e releio a mesma linha, teimo com o sono e as pálpebras, já não vejo nada mas quero ver. Gosto muito, desde criança. Sempre andei com livros atrás e em pilha, mesmo que os deixe a meio ou a preguiça ciclicamente me impeça de ler ao ritmo e na quantidade que idealizo em esboços imaginários de “daqui para a frente vou ser assim”. Nunca sou. Sempre tive pilhas ao lado da cama, ou em cima como é o caso por estes dias. Reduzi-a recentemente ou teria de lhe arranjar uma almofada também, já que partilhamos a mesma cama.»

 

Eu: «Existe uma legitimidade de origem, obtida pelo voto popular. Mas entre eleições há a legitimidade de exercício, que nunca pode ser descurada.»

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *