
Pois é. O problema do filme dos irmãos Coen é que não há filme. Mas há boas ideias. O prólogo (?) sobre mortos que regressam e a história do homem que queria manter a seriedade têm em comum o facto de nos deixarem numa posição em que não temos muitos instrumentos para interpretar aquilo que vemos, aquilo que (nos) acontece. Todo o filme é como a história contada pelo primeiro Rabino (o mais velho, que reduz a teologia a um exercício sem finalidade), porque estamos à espera daquilo que não podemos ter: uma explicação, um fim que explique a desgraça de um homem. Por mais desgraças que aconteçam a Larry Gopnik (ou a nós), só temos a história absurda do Rabino. Mesmo se soubéssemos que Deus estava a brincar connosco, isso não alterava grande coisa.

Gostei de ler, Ana Sofia. Um filme que parece ser realmente inesperado, depois do galardoado “Este País Não É para Velhos”.
Este filme é uma valente seca e não tem ponta por onde se pegue
Não vi, não tencionava ver e depois de ler o que escreveste perdi qualquer vestígio de vontade que pudesse ter de espreitar este filme. Já enfiei suficientes barretes com os irmãos Coen, não me apetece repetir a dose.
João e Pedro, eu acho que vale a pena ver o filme, porque, como escrevi, a ideia é boa, sendo uma espécie de filme de tese inspirado no livro de Job. O problema, a meu ver, é que a unidade da obra quase que se perde. Houve momentos em que pensei: isto é para mostrar que estamos sempre sozinhos na desgraça, sem explicações, ou é a história de um tipo que não percebe a diferença entre a seriedade (ou passividade) e a estupidez? E nestes momentos de dúvida, dei por mim a bocejar…
Pois eu, Sofia, detesto bocejar no cinema. Passo.
Hummm… é a terceira opinião negativa que oiço a este filme. Acho que vou passar, também.
(Ainda por cima, essa história de um tipo que não percebe a diferença entre a seriedade (ou passividade) e a estupidez, lembrou-me o Forrest Gump…)
Pois…