“Um homem sério”


discutindoopinioes,

 

Pois é. O problema do filme dos irmãos Coen é que não há filme. Mas há boas ideias. O prólogo (?) sobre mortos que regressam e a história do homem que queria manter a seriedade têm em comum o facto de nos deixarem numa posição em que não temos muitos instrumentos para interpretar aquilo que vemos, aquilo que (nos) acontece. Todo o filme é como a história contada pelo primeiro Rabino (o mais velho, que reduz a teologia a um exercício sem finalidade), porque estamos à espera daquilo que não podemos ter: uma explicação, um fim que explique a desgraça de um homem. Por mais desgraças que aconteçam a Larry Gopnik (ou a nós), só temos a história absurda do Rabino. Mesmo se soubéssemos que Deus estava a brincar connosco, isso não alterava grande coisa.

7 comentários em ““Um homem sério””

  1. Não vi, não tencionava ver e depois de ler o que escreveste perdi qualquer vestígio de vontade que pudesse ter de espreitar este filme. Já enfiei suficientes barretes com os irmãos Coen, não me apetece repetir a dose.

  2. João e Pedro, eu acho que vale a pena ver o filme, porque, como escrevi, a ideia é boa, sendo uma espécie de filme de tese inspirado no livro de Job. O problema, a meu ver, é que a unidade da obra quase que se perde. Houve momentos em que pensei: isto é para mostrar que estamos sempre sozinhos na desgraça, sem explicações, ou é a história de um tipo que não percebe a diferença entre a seriedade (ou passividade) e a estupidez? E nestes momentos de dúvida, dei por mim a bocejar…

    1. Hummm… é a terceira opinião negativa que oiço a este filme. Acho que vou passar, também.

      (Ainda por cima, essa história de um tipo que não percebe a diferença entre a seriedade (ou passividade) e a estupidez, lembrou-me o Forrest Gump…)

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