DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Helena Sacadura Cabral: «A consciência da idade desempenha um papel fundamental na nossa vida. O que se escreve, o que se diz, o que se pensa, a forma como nos olhamos depende de factores vários, cujo enquadramento específico é a nossa experiência vivida e, por isso, também a idade que então temos. Se assim é, porque será que tanta gente sente necessidade de a reduzir ou de a esconder? Alguma razão válida deve haver que eu não descortino.»

 

Patrícia Reis: «- Então, mãe, está tudo bem?

– Está muito calor.

– Aqui também, mas a praia é boa.

– Ainda bem. Tu estás bem?

– Sim, sim, estou feliz… Olha, não compres jornais hoje. 

– Eu sei.

– Está a morte… está em todo o lado. O Urbano…

– Eu sei. 

– Não compres. Nem vás à banca.»

 

Eu: «Na estética, tal como na política, ponho as maiores reservas às teses revolucionárias: é sempre preferível a evolução à revolução. Basta ver o que sucedeu na China de Mao durante a Revolução Cultural, que fez tábua rasa de tudo quanto cheirasse a “antigo”: foram destruídos templos, palácios, monumentos de todo o género, para restaurar uma pretensa “cultura popular” expurgada de todo o vínculo ao passado. Este pesadelo durou apenas uma década, mas deixou estragos ainda visíveis na milenar cultura chinesa.»

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