DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Gui Abreu de Lima: «Os poetas. Fogem da dor como o diabo da cruz e a dor que sentem é quando a ilusão fracassa, porque do caminho fez atalho. É essa a dor que o poeta sente, a pena própria que resolve à pena, à Língua, criando mais e mais ilusões, por entre queixumes ocres e violentas.»

 

José António Abreu: «Numa hora e três quartos é possível ver um filme de duração média. Numa hora e três quartos é possível ler O Sobrinho de Wittgenstein, de Thomas Bernhard (pode dizer-se que ele foi possuído pela sua loucura enquanto eu sempre explorei a minha), ou meia dúzia de contos de Alice Munro. Numa hora e três quartos é possível voltar a ouvir The Downward Spiral, dos Nine Inch Nails (I am denial guilt and fear and I control you, I am the prayers of the naive and I control you, I am the lie that you believe and I control you), e ainda dispor de quarenta minutos de silêncio para recuperar. Tendo com quem, numa hora e três quartos é possível que já se consiga fazer sexo tântrico (qual a duração mínima exigida?). Numa hora e três quartos talvez seja possível eu acabar este post.»

 

Eu: «Não sei se convosco sucede o mesmo: eu sempre gostei muito de histórias. E de histórias da História em particular. Já adulto, detestei aqueles volumes de História muito moderna, cheios de gráficos, de estatísticas, de “estruturas” longas e curtas – sem reis, sem personagens heróicas, quase sem cronologia, sem datas a assinalar o início e o fim de eras inconfundíveis, com toda a individualidade diluída em conceitos de pretenso rigor científico, como o de “luta de classes”. Eu gostava era da História à moda antiga. Das biografias, sobretudo.»

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