
É fácil cair numa visão escatológica do poder, aquilo do isto estar pior do que nunca… Pois a realidade sempre parece dura, também devido à memória selectiva que nos faz matizar as agruras passadas. E sempre surgem problemas na governação. Tudo isso sublinhado pelo democrático escrutínio feito pela imprensa.
As actuais interrogações na Defesa, por hábito sector secundário para a opinião pública, são exemplo de tudo isto. Mas este mero fotograma enfrenta esse decadentismo espontâneo. Pois o ombrear dos dois últimos ministros da Defesa obriga a lembrar aquele que os antecedeu, Azeredo Lopes. O do episódio mais pungente deste regime, quando se defendeu em tribunal afirmando-se intelectualmente incapaz de compreender os relatórios sobre os assuntos que tutelava. Goste-se ou não dos seguintes, Cravinho e Carreiras, não é crível que estes venham a descer a tamanha indignidade. Ou seja, por este lado se deduz que nem tudo está a resvalar para o Apocalipse!
Mais importante para se ultrapassar o tal decadentismo é perceber que não é muito fiável o fluxo informativo crítico do rumo nacional. Não por acinte ideológico ou interesses esconsos das empresas da imprensa e seus trabalhadores. Mas devido à sua incultura incompetente, que lhes impede a compreensão do real. E assim lhes inviabiliza qualquer análise fidedigna. Também disso esta imagem é exemplo maior. No rodapé (aquilo a que os básicos chamam agora “oráculo”, algo que os torna credores de péssimos, até mortais, augúrios) a SIC anuncia que “(o ministro) Cravinho foi novamente no Parlamento“. Este linguajar boçal é uma empresarial onamatopeia intelectual. Algo recorrente, ali e alhures, mas raramente tão gutural. Entenda-se, esta gente que forma a opinião pública não tem os instrumentos básicos (léxico, sintaxe, quejandos) para pensar com discernimento. Por isso quando com afã professam o tal decadentismo convém recordar que nem sabem falar. Sendo assim, ao invés do que tantos propalam, não estamos a resvalar para o Apocalipse. Ou seja, há futuro…!
Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

O apocalipse já foi e não foi reportado. Estamos na via do inferno de Dantes para lá de Abrantes.
E em Belém tudo até parece bem(com ou sem conselhos de estado)
.
Ricardo, essa do Conselho de Estado – ainda que excêntrica ao postal – é muito bem metido. Que grande rabecada está a levar o nosso PR do seu “eterno rival”… (uma hora à espera do PM para dar posse ao novo secretario de Estado da Defesa, disseram-me. Que bronca, na soturna linguagem protocolar)
Belém? Vai mesmo muito bem. A senhora que dizem ser ministra da justiça (mais aquela outra dos assuntos paralamentares) consta que foi ontem a Belém com o senhor bispo das JMJ visitar a construção das “casernas” das confissões/perdões da Juventude.
Para lá de Abrantes mandam os que estavam antes…
Ou então tudo cada vez pior em Rio Maior. Era baixar-lhes as fraldas lá nas Caldas.E por aí fora.
O Partido com Paredes de Vidro por Álvaro Cunhal
«É poca gloriosa da história da humanidade» é o título do primeiro capítulo.
A expressão era e é historicamente correcta e torna-se necessário lembrá-la em oposição às furiosas campanhas de falsificação da história a que assistimos.
A verdade é que, a partir de meados do século XIX (Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels), a classe operária, os trabalhadores, os explorados e oprimidos alcançaram
grandes vitórias revolucionárias, que mudaram radicalmente a
situação mundial.
A revolução russa em 1917, edificando, pela primeira vez
na história da humanidade, um Estado em que o poder coube
aos Sovietes de Operários, Camponeses e Soldados, criou a
base política de uma nova sociedade donde foi banida a exploração do homem pelo homem.
A construção do socialismo na URSS não foi um fenómeno
isolado. Defrontando e vencendo bloqueios, intervenções, agressões militares e a invasão, a guerra e os monstruosos crimes dos
exércitos hitlerianos, teve profundas repercussões. Seguiram-se
outras revoluções socialistas vitoriosas. Ruiu o sistema colonial do
imperialismo. Numerosos povos secularmente subjugados conquistaram a independência. Criaram-se influentes partidos comunistas em todo o mundo.
Quando é que os Comunistas pedem perdão pela escravatura?
Nunca pedem perdões,seus herdeiros mandam biliões de toneladas de cereais(para pão bolos e etc e tais) à borla. Lembro-me agora dos anos oitenta quando ia à bola, vendiam barretes que eram de borla mas depois custavam não sei quantos escudos(naquele tempo o euro era só de quatro em quatro anos).
Condenar nazis a trabalhos forçados não é “escravatura”. O Exército Vermelho erradicou o maior cancro do século XX e estar-lhes-ei eternamente grato por isso.
Chegado não se sabe de onde, olha para a história não por uma parede de vidro mas por lente focada num universo de violência e horror que pinta com as mais festivas cores!
A Associação Internacional dos Trabalhadores nasceu em 1864 na Suiça; em 1866 é em Chicago que se luta pela limitação da jornada de trabalho.
Os bolcheviques trouxeram o que ainda hoje é o contributo maior da política russa: violência e mentira.
A que propósito é que isto vem aqui parar?
porque o dono da verdade acertou em cheio
até quando concedeu o privilégio de se deixar entrevistar por Oriana
o alhures vale sempre 250 paus, agora a ministra da agricultura não saber semear batatas, da defesa não saber tirar o azimute é bem diferente da da justiça ser arquitecta e a da saúde poder não ser médica.
A minha tchutchuca adora escatologia. Adoramos ler as duas este texto tão incentivador.
estamos no outro mundo
«escatología
nombre femenino
1. Parte de la teología que estudia el destino último del ser humano y el universo.
2. Conjunto de creencias y doctrinas referentes a la vida de ultratumba
Ó Zé raiano não seja grosseiro. Vá lá oferecer espanholadas e chá de banana a outras da sua espécie.
Ainda bem, zélia santos, divirtam-se…
“Não por acinte ideológico ou interesses esconsos das empresas da imprensa e seus trabalhadores. Mas devido à sua incultura incompetente,…”
Caro Senhor
Tomei a liberdade de copiar parte do seu texto, do que lhe peço desculpa, mas não resisti a copiar a sua tão bem feita exposição da terrível escolha, entre o mal e o péssimo, que em Portugal nos confronta, e acabamos a dizer que, afinal, não é tão mau assim!
Mal comparado, é a escolha entre a incompetência e a malandrice: acabamos por desculpar esta, pois estes sabem o que estão a fazer!… Seja na imprensa, media, escrito, ou falado, no governo, ou administração pública, nos serviços que deveriam, ou ser eficientes e rentáveis, ou eficazes e humanos.
Cumprimentos
Vasco Silveira
Vasco Silveira
Eu não aventei malandrices, Vasco Silveira. Apenas quero realçar neste postal cristalino que o futuro é possível….
Estes últimos post(s) do jpt são um ultraje a moral e aos bons costumes.
Obrigado
JPT, tenha dó! Cravinho não cai porque tem o apoio de outros iguais, senão saía pela porta de trás.
Há presos por simples multas, há contenciosos tributários por pequenos valores e vem V.Exª que até aprecio os seus escritos pôr a mão por baixo de tão irresponsável governante?
Tal Pai tal filho!
Eu não ponho a mão debaixo de ninguém. E mal estaria um ministro, qualquer que fosse, que precisasse do meu apoio, inútil que sou… O meu postal tem um valor facial, tem um sentido literal, e está escarrapachado no texto.
Porque é que no Delito de Opinião não fala nos milhões que o Estado está a gastar no evento de uma instituição pedófila e que vai causar transtorno a muitos portugueses que querem trabalhar? Isto é gozar com quem trabalha!
Anónimo, nisto do blogar (e eu blogo há 20 anos) sempre acolhi com simpatia propostas de leitores sobre temas a abordar, às vezes tendo seguido as recomendações, outras vezes nem tanto. Outra coisa é a reclamação sobre a inexistência de referências a temas – e julgo, pelo “tom”, que o seu comentário se inscreve nesse eixo reivindicativo sobre o blog, o qual é, como é consabido, algo amador e gratuito. Ou seja, não tem “responsabilidade social” informativa – a gente fala do que lhe apetece, para simplificar…
Ainda assim e dado o que “Porque é que o DO não fala…” deixo referência a dois postais meus sobre o assunto que agora o abespinha: https://delitodeopiniao.blogs.sapo.p t/o-santo-palco-15200511 / https://delitodeopiniao.blogs.sapo.p t/o-macro-altar-15204818
E julgo que outros confrades também abordaram o assunto ao longo dos meses.