
Hoje lemos: J.M. Coetzee “O Homem Lento”.
Passagem a L-Azular: “Se houvesse uma maneira de acabar consigo por algum ato puramente mental, ele acabaria consigo de uma vez, sem mais delongas. A sua mente está cheia de histórias de pessoas que procuram o fim – que metodicamente pagam contas, escrevem bilhetes de despedida, queimam velhas cartas de amor, rotulam chaves e, depois que tudo está em ordem, vestem sua melhor roupa de domingo e engolem os comprimidos que guardaram para a ocasião, acomodam-se nas suas camas bem arrumadas e iniciam o percurso para o esquecimento. Heróis todos eles, não cantados, não elogiados. Estou decidido a não causar nenhum problema”. Deveria ler-se: “Cobardes, todos eles. Fracos. E dos fracos não reza a história.”
Será o suicídio o último recurso? É frequente ler-se que A ou B, pessoas conhecidas até, sofrerem de depressão grave e apenas encontrarem no suicídio o escape ao tormento em que vivem. Mas não tomam comprimidos e adormecem para não voltar a acordar. Será essa a saída cobarde? Fechar os olhos e deixar-se ir?
Tive depressão pós-parto e não foi pera doce. Entendo o sofrimento por proxy, entendo a luta. Não experimentei a derrota, mas creio-a avassaladora. Estripou-me o optimismo inato e rotinou-me numa procura diária pelo bem estar com o mundo e principalmente comigo própria.

Não se trata de cobardia nem de heroísmo é apenas lógica pura e dura. Estar vivo é o contrário de estar morto, ponto final.
O ” Cinco para a Meia Noite” teve os seus momentos. Mas não me parece que tenham sido feitos de lógica pura e dura, con o sin polvillos
1/4🕛 🖥 👵=👱♀️
👵+👱♀️=

👱♀️+ 1/4 = 💤
🫵🤔=🤪
Não sei se é justo apodar os “desistentes” de cobardes. Eu nunca o faria, pelo menos de uma forma generalizada. A nossa robustez emocional e psicológica é bem mais débil do que nós julgamos e cada caso é diferente dos demais. Isto é na vida real. Na ficção quebram-se as regras, todas se assim convier ao enredo e/ou ao desejo do autor.
O assunto é profícuo, principalmente para uma boa e amena cavaqueira ao serão.
Os desistentes, os que decidem abandonar a centelha, vão contra todas as leis de Deus, ou da religião, o que nem sempre tem o mesmo significado. Há quem escolha saídas de tal modo dramáticas, que, por mais transtornado que esteja, tem ter muita coragem para tomar aquela decisão, que sabe não ser reversível. Outros optam por adormecer, talvez com a esperança que alguém reverta o processo… e na realidade não se trata de um tema de ficção, cujo desfecho poderá sempre dar pano para mangas.
Só quem nunca sofreu de depressão e surfou a crista de bizarrias incalculáveis, pode pensar que é fácil cavaquear sobre isso.