
Os números são do FMI. Em 1980, a economia chinesa, medida em paridades de poder de compra, valia 2,2% do total mundial; em 2028, deverá representar uma fatia de 19,7%. Os EUA andaram ao contrário, de 21,2% em 1980 para uma estimativa de 14,4% daqui a cinco anos. A soma de França, Alemanha e Itália está ainda pior, de 15,1% para 6,5%. Esta é a medida do nosso declínio económico. A desintegração das sociedades ocidentais é demasiado evidente. A internet dá-nos uma falsa sensação de progresso, mas as pessoas deixaram de ter valor. Na realidade, elas já não contam, temos uma cultura de futilidades e de busca do prazer, vivemos alheados das ameaças, seja a guerra ou a estagnação. O comportamento decadente dos ricos funciona como um modelo negativo, segundo a formulação poética de Camões de que “um fraco rei faz fraca a forte gente”. A literatura vai desaparecendo. Há muita tecnologia, mas ninguém quer saber dos intelectuais que ainda tentam pensar sobre o mundo. De facto, poucos querem saber da pobreza, do fosso crescente entre o Ocidente e as suas fontes de matérias-primas, da hipocrisia das nossas elites desistentes, da fraqueza geral das lideranças, dos desgraçados que se afogam nos mediterrâneos da vida. Deslizamos para uma derrocada em câmara lenta e é assim, temos pena.
imagem Night Café

Luís Naves, tiro o chapéu a esta “….dos desgraçados que se afogam nos mediterrâneos da vida.”
Mas, em 1980 já se dizia ‘quando a China despertar!’
Prisma de análise bipolar? Há duas décadas, era o fim da História e a supremacia absoluta do Ocidente. A Pax Americana. Agora, a decadência e o colapso da civilização. Nos anos 70, o relatório do clube de Roma, a crise do petróleo, a inflação, … O pêndulo vai, o pêndulo vem.
De um ponto de vista nacional, ainda mais inoperante e falha de sentido é a ideia de uma grande “idade de ouro” do Ocidente. Vivemos o período do pós-guerra e da grande aceleração isolados e inertes num mar de mediocridade e ignorância, completamente alheios aos extraordinários avanços científicos e culturais do Ocidente, , recebendo apenas os seus resultados com atraso e a conta-gotas, sempre em segunda mão.
Curiosamente, fomos grandes num período em que a civilização ocidental estava longe de ser a mais avançada.
Não é certo que esses números económicos reflictam mais um qualquer declínio económico ocidental do que uma natural e desejável recuperação de outras economias. As disputas que daí advirão são para ser tomadas como aquilo que realmente são, a saber, o resultado de uma coexistência de diferentes civilizações no planeta Terra, com uma mistura de rivalidades e de cooperação. Ou, afinal, no nosso ïntimo estamos cheios de nostalgia pela revolução cultural, pela guerra do Vietname e pelos Khmers Vermelhos? Que os outros soçobrem na barbárie e na miséria para que a nossa civilização brilhe mais alto?
Não é certo que esses números económicos reflictam mais um qualquer declínio económico ocidental do que uma natural e desejável recuperação de outras economias.
Exatamente. Não são as economias ocidentais que estão a declinar. O que acontece é que as economias de países que outrora foram pobres estão a crescer consideravelmente.
Sim, os outros crescerem desde que abandonaram as taradices económicas Marxistas.
Eu lembro bem dos jornalistas nos anos 90 escreverem remas de artigos a dizerem que agora que não existia o bloco de leste. os países em desenvolvimente seriam “explorados” pelos países capitalistas e na pobreza para todo o sempre…viu-se…nunca entenderam nada.
O crescimento dos outros é também uma oportunidade. Não é aí que está o problema.
Um deles é qualidade e ambito da informação no Ocidente. Isso é o resultado do jornalismo. Como jornalismo no Ocidente deve a sua existência ao totalitarismo da politica é essencialmente jornalismo politico tudo o resto existe só e apenas como acessório da politica.
E o problema do Ocidente começa com o seu gigantesco investimento na politica.
E o problema manter-se-á enquando o sistema politico ocidental que recordemos foi essencialmente desenhado até ao século XIX (Romantismo) – tal como a escola – não mudar.
Para dar a opção de escolha de menos politica – lugares vazios no parlamento, quorum necessário para certas decisões dependendo do número de votos e não da percentagem entre os que votam – se não mudar estamos o caminho, a democracia torna-se cada vez mais Totalitária.
Para piorar temos os tratados e organisações supranacionais a gozarem com o voto com apoio dos ditos democratas.
O elo que uniu os defensores da liberdade e os democratas desde o tempo do combate aos priviliegios do ancient regime está quebrado. Os democratas perderam a modestia. Hoje tudo podem como antigos colonisadores a quererem colonisar os próprios países.
ao escorregar diariamente na BOSTA socialista recordo:
Marcel Proust in ‘à procura do tempo perdido’
Friedrich August von Hayek in ‘O caminho da servidão’
Os EUA andaram ao contrário, de 21,2% em 1980 para uma estimativa de 14,4% daqui a cinco anos. A soma de França, Alemanha e Itália está ainda pior, de 15,1% para 6,5%.
Este declínio é apenas relativo. A economia dos EUA, a da França, da Alemanha e a da Itália não estão em declínio em termos absolutos – elas continuam a crescer. Estão apenas em declínio relativo ao total mundial. Ou seja, o que se passa é que a riqueza dos países ricos permanece grosso modo inalterada (ou cresce pouco), enquanto que a riqueza de (alguns) países pobres cresce consideravelmente.
Não há, portanto, verdadeiro declínio da riqueza, mas somente declínio da riqueza relativa.
Mais uma vez o comentador balio tem toda a razão. E não consta que os governantes dos países ricos estejam minimamente preocupados com algum declínio que seja (senão teriam tido políticas completamente diferentes nas últimas duas décadas), estão sim preocupados que os povos do resto do mundo possam viver bem como também têm direito.
Os seus posts são por regra os meus favoritos neste blog, porque levantam questões que permitem que por vezes se consiga falar de alguns assuntos sem histerismos.
Há neste post uma coisitas das quais discordo. A primeira é a ditadura dos números e das percentagens. Claro que sem métricas ainda perceberíamos menos do mundo que nos rodeia, mas há aqui uma distorção de base, porque as escolas de pensamento nos viciaram em medir as economias em termos de crescimento quando o que deveriam era desenvolver métricas para medirem o desenvolvimento. Dou o exemplo recente que chocou meio mundo e deixou outro meio exultante – a Roménia vai-nos suplantar não sei quando no PIB. Ora, o PIB é uma métrica criada creio que na altura da depressão nos EUA para medir já não sei bem o quê, e devido à hegemonia americana do pós guerra tornou-se na medida que tudo mede.
Discordo também de outra coisa no seu post: quando diz que as pessoas deixaram de ter valor, que temos uma cultura de futilidades, vivemos alheados, vou dizer-lhe um segredo – foi sempre assim, em todo o lado e em todos os tempos. Não é bonito de dizer, mas a humanidade sempre se dividiu entre as massas e as elites, em todos os tempos, latitudes e regimes. Não está certo nem errado, é assim. A esmagadora maioria não vai nem nunca foi a museus, não ouve Bach, olha para um impressionista e só vê manchas, quer lá saber do Miguel Ângelo ou do Cervantes. Come e bebe quanto pode, trata da família, sobrevive e usa os políticos como desculpa para as suas falhas. É o célebre “eles”. Os comunistas tinham como projeto criar um homem novo, deu no que deu.
Não há declínio nem progresso, há um caminho do qual ninguém sabe o destino final. Tudo indica que a inteligência artificial mais tarde ou mais cedo se vai virar contra o criador e dar razão ao computador do 2001 Odisseia no Espaço, mas isso não vai impedir que a desenvolvamos.
Somos assim e assim continuaremos como espécie.
Se outros países saem da pobreza a percentagem da riqueza que fica para os mais ricos diminui. Isso não é forçosamente mau. A menos que nos alegremos com a miséria dos outros.
Não tenha ilusões, a sociedade ocidental nunca deu valor aos pobres (nem aos próprios nem aos de outros países), começa é a ser difícil fingir que eles não estão lá.
Foi a escolha feita pelo complexo politico-jornalista europeu de esquerda e centrista.
A inveja e ódio à criação de riqueza – dependendo dos lados desde aristocrática a marxista – fez os europeus escolherem a politica como o totalitarismo em vigor. A politica totalitária europeia tudo pode. Desde banir motores, impedir comer carne, Co2, etc …tudo será medido, tudo será controlado, tudo será possível.
Não há reconhecimento algum de limites ao poder do complexo politico-jornalista.
Machiavelli escreveu uma frase que é erradamente cortada quando a citam.
“É preferível que o Príncipe seja temido que amado. (…)”
A parte que falta sempre à citação é:
“Mas nunca deve ser odiado.”
Os regimes democráticos estão a fazer muitas coisas para serem odiados.
De completo acordo com o seu texto, pungentemente real.
Esta Europa tem limitados recursos minerais, reduzidos recursos agrícolas e os recursos energéticos também não abundam.
O parque industrial está a desvanecer-se rapidamente. A BASF dai deslocar a maior parte do seu parque produtivo para a RPC
A tecnologia, discordando do autor, essa fica cada vez mais aquém dos mais avançados. Como exemplos, a Europa continental nunca foi capaz de desenvolver um sistema operativo comercialmente conhecido; e no que respeita a hardware, relativamente à Coreia do Sul, por ex., está com séculos de atraso.
Com a ‘plêiade’ de dirigentes, de há três ou gerações, simpatizantes ou aderentes ao marxismo serôdio o afundamento deste grupo de países tornou-se inexorável. Apenas promovem futilidades, qual orquestra do Titanic, enquanto a Índia e China se desenvolvem tecnológica e economicamente, mascarando a respectiva incapacidade com a invenção de problemas anedoticamente inverosímeis convencendo a população de que os fantasmas são reais. Basta lembrar a risível conspiração dos ‘ Reichsbürger’ na Alemanha, imputada a anciãos de sessenta e setenta e tal anos, que até de cozinheiro dispunham.
Estas sumidades, incapazes de promoverem a revitalização das sociedades europeias, inventaram para solução do inverno demográfico europeu a hipócrita solução de importarem refugiados de catástrofe nenhuma, em vez de desenvolverem medidas de ajuda aos países de origem dos tais refugiados e assim melhorarem as condições de vida dessas pessoas, nos seus locais de origem.
Em suma, de medida ‘buoníssima’ em medida ‘buoníssima’, até à dissolução e miséria destes países que construíram a civilização.
“O comportamento decadente dos ricos funciona como um modelo negativo” e aqui disse tudo.
quando os heróis actuais são jogadores de bola analfabetos e coisas parecidas , a decadência era inevitável. tudo puxa para baixo.