Leituras


Pedro Correia,

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«A mesma etimologia latina acomuna a palavra meditação e termos como medicina ou medicamento. Meditar é curar o presente de alguma coisa.» 

José Tolentino de Mendonça, in Livro dos Prefácios à Obra de Agustina Bessa-Luís, p. 72

Ed. Relógio d’Água, 2022

9 comentários em “Leituras”

  1. O título é assaz estranho. Que haja um livro dos prefácios à obra de Agustina – e não é que ela ou os prefácios o não mereçam – soa esquisito, mesmo vindo do Cardeal Tolentino. Terei de o folhear para lhe sentir o tom.

      1. É preconceito, mas, desde que durante o curso, e por falta de tempo para ler as obras, me aconselharam apenas a leitura dos prefácios, que lhes dedico o que se chama “um pó desgraçado”. Foi mau conselho e que logo abandonei: as sínteses, além da obscuridade não esclarecida pela leitura do livro, pouco me faziam apercebê-lo, e, sobretudo, não me permitiam perspectiva pessoal. Ainda hoje leio o prefácio depois da obra, prefiro pensar por mim e sem indicadores em riste. Há mesmo prefácios que abandono às primeiras páginas. Também não me move a assinatura. Perco? Provavelmente. Mas só a obra me interessa. Por si e em si mesma. Ainda que conheça gente que se guia pelo responsável do prefácio para avaliar da compra. Pontos de vista que respeito.

        1. Raras vezes leio prefácios, badanas e editoriais. Nos dois últimos casos, por saber demasiado bem como costumam ser feitos.
          Mas não posso renegar por completo os prefácios – até porque já tive livros prefaciados por José Adelino Maltez, Luciano Amaral, Francisco Seixas da Costa e João Taborda da Gama. E concordo com Graham Greene quando escreveu «A ingratidão é um pecado ignóbil.»

          Neste caso do livro de Agustina, em regra, os prefácios são pequenos ensaios que introduzem o leitor da melhor maneira a uma determinada obra. Foi assim, graças a um magnífico prefácio de António Barreto, que mergulhei num quase obscuro romance dela, intitulado “As Pessoas Felizes” (1975).
          Deste volume destaco os prefácios de João Bénard da Costa para ‘Os Incuráveis’, de Rui Ramos para ‘A Muralha’, de Bruno Vieira Amaral para ‘O Mosteiro’ e Bernardo Pinto de Almeida para ‘Jóia de Família’.
          Merece destaque irónico o que António Lobo Antunes escreveu para ‘Vale Abraão’.

          1. Faz muito bem. Por mim, continuo a ler o prefácio depois da obra. E a desistir se não me agrada. Li alguns dos que refere. Deste lado, Agustina ainda tem muito mato por desbravar.
            Bom dia

  2. “Há mil anos em cima de mim, e novecentos e noventa e nove são de desilusão”. Termina assim, com este fragmento de uma carta de sua mãe, o prefácio de Mónica Baldaque a Deuses de Barro. Não sei se está nesse livro que aqui nos traz – não o tenho – e admito que ao subtil critério de alguns (ocorre-me um prolixo comentador, por aqui) pareça instante de retórica fácil.
    Mas é – lapidar na síntese – muito mais do que isso.

    1. Confirmo. Esse prefácio também integra esta antologia, aliás organizada por Mónica Baldaque. O livro agora destacado é a melhor introdução que conheço à obra de Agustina.

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