E da minha também, Pedro. Tenho guardado, religiosamente, “Poemas”, o único livro de Reinaldo Ferreira. Foi-me dado por um amigo dele, também poeta e que também já morreu. Nessa única obra póstuma há verdadeiras pérolas. Este pequeno poema é uma delas.
Bem sei, bem sei. Tenho há 30 anos esse livrinho, que guardo religiosamente, da saudosa editora Portugália. Sei de cor vários desses poemas.
Este, por exemplo: “Eu, Rosie, se eu falasse dir-te-ia / que partout, everywhere, em toda a parte / a vida égale idêntica the same / é sempre um esforço inútil, / um voo cego a nada.” Ou este: “Quero um cavalo de várias cores, / quero-o depressa que vou partir. / Esperam-me prados com tantas flores / que só cavalos de várias cores / podem servir.”
A minha edição é a da Vega, mais recente do que a da Portugália. Mas parece-me que também esta está esgotada. Deviam reeditá-lo, era mais do que merecido.
Bem merecia, de facto, uma edição actualizada. Infelizmente o mercado editorial português anda demasiado absorvido com ‘best sellers’ de figuras televisivas. Tudo o resto passa para segundo plano.
É verdade Pedro toda a razão, esses livros que são publicados todos os dias de figuras públicas é que deviam ter ido para a guilhotina da Leya, é uma vergonha… Os bons autores esquecidos e estes iluminados a escreverem porcaria, deveriam estar todos no supermercado na secção dos vegetais (bom coitados dos tomates e das alfaces que não têm culpa.) A poesia é muito esquecida, basta ver na fnac a pequena prateleira que lhe está destinada, o que impera, são os crepúsculos, os jornalistas famosos a entrevistarem políticos e jogadores de futebol… Pronto, foi um desabafo… desculpe Ana V. e obrigada pelo seu post é simples e grandioso na mensagem.
Um desabafo completamente justificado, CR: hoje em dia, quem não é stripper, futebolista ou estrela de telenovela, praticamente é ignorado pelas editoras. Nunca se editou tanto, e nunca se editou tanto lixo. Percebo que tem de haver critérios comerciais para poder manter uma editora, mas não percebo que sejam quase (ou mesmo, nalguns casos) os únicos que contam.
[Usei esta mesma imagem, que acho muito bonita, num post cujo texto é:
“Compreender a felicidade de o chão sobre o qual tu te encontras não pode ser maior que os dois pés que o cobrem”. F. Kafka, Aforismos, Ed. Ulmeiro, 11.]
E também gosto tanto deste: Eu, Rosie, eu se falasse eu dir-te-ia Que partout, everywhere, em toda a parte, A vida égale, idêntica, the same, É sempre um esforço inútil, Um voo cego a nada. Mas dancemos; dancemos Já que temos A valsa começada E o Nada Deve acabar-se também, Como todas as coisas. Tu pensas Nas vantagens imensas De um par Que paga sem falar; Eu, nauseado e grogue, Eu penso, vê lá bem, Em Arles e na orelha de Van Gogh… E assim entre o que eu penso e o que tu sentes A ponte que nos une – é estar ausentes. (Reinaldo Ferreira)
Esse é outro dos meus preferidos dele. Sempre me lembrou “O menino de sua mãe” do Pessoa, e acho-o igualmente bom. Um dia destes trago-o aqui também. Obrigada pela lembrança.
Francamente, não me pergunte, sei tanto como a Ana…Mistérios insondáveis do cyberespaço. Save our souls? Deixe, foi alguma alma do outro mundo que me assombrou (e deve ter cometido algum DO:)
Reinaldo Ferreira, infelizmente um autor muito esquecido. Este é um dos poemas da minha vida.
E da minha também, Pedro. Tenho guardado, religiosamente, “Poemas”, o único livro de Reinaldo Ferreira. Foi-me dado por um amigo dele, também poeta e que também já morreu. Nessa única obra póstuma há verdadeiras pérolas. Este pequeno poema é uma delas.
Vocês são “teguíveis” !! São as fotos de carros,a música francesa,motos vintage e agora a poesia !!!
Malta,já vos avisei que sou quincagenário !! sensível…
QUEJA
Señor, mi queja es ésta,
Tú me comprenderás;
De amor me estoy muriendo,
Pero no puedo amar.
Persigo lo perfecto
En mí y en los demás,
Persigo lo perfecto
Para poder amar.
Me consumo en mi fuego,
¡Señor, piedad, piedad!
De amor me estoy muriendo,
¡Pero no puedo amar!
Pronto, tomem lá poesia !! Alfonsina Storni, o sabor do Mar de la Plata…
Señor, que bonito!
Bem sei, bem sei. Tenho há 30 anos esse livrinho, que guardo religiosamente, da saudosa editora Portugália. Sei de cor vários desses poemas.
Este, por exemplo:
“Eu, Rosie, se eu falasse dir-te-ia / que partout, everywhere, em toda a parte / a vida égale idêntica the same / é sempre um esforço inútil, / um voo cego a nada.”
Ou este:
“Quero um cavalo de várias cores, / quero-o depressa que vou partir. / Esperam-me prados com tantas flores / que só cavalos de várias cores / podem servir.”
Do que me foste lembrar agora, Ana…
A minha edição é a da Vega, mais recente do que a da Portugália. Mas parece-me que também esta está esgotada. Deviam reeditá-lo, era mais do que merecido.
Bem merecia, de facto, uma edição actualizada. Infelizmente o mercado editorial português anda demasiado absorvido com ‘best sellers’ de figuras televisivas. Tudo o resto passa para segundo plano.
É verdade Pedro toda a razão, esses livros que são publicados todos os dias de figuras públicas é que deviam ter ido para a guilhotina da Leya, é uma vergonha…
Os bons autores esquecidos e estes iluminados a escreverem porcaria, deveriam estar todos no supermercado na secção dos vegetais (bom coitados dos tomates e das alfaces que não têm culpa.)
A poesia é muito esquecida, basta ver na fnac a pequena prateleira que lhe está destinada, o que impera, são os crepúsculos, os jornalistas famosos a entrevistarem políticos e jogadores de futebol…
Pronto, foi um desabafo…
desculpe Ana V. e obrigada pelo seu post é simples e grandioso na mensagem.
Um desabafo completamente justificado, CR: hoje em dia, quem não é stripper, futebolista ou estrela de telenovela, praticamente é ignorado pelas editoras. Nunca se editou tanto, e nunca se editou tanto lixo. Percebo que tem de haver critérios comerciais para poder manter uma editora, mas não percebo que sejam quase (ou mesmo, nalguns casos) os únicos que contam.
Muito bonito.
Hei-de trazer aqui alguns outros poemas dele. São de uma sensibilidade rara.
Muito bonito, Ana.
[Usei esta mesma imagem, que acho muito bonita, num post cujo texto é:
“Compreender a felicidade de o chão sobre o qual tu te encontras não pode ser maior que os dois pés que o cobrem”.
F. Kafka, Aforismos, Ed. Ulmeiro, 11.]
:)))
Gosto muito da imagem também, Maria do Sol. E achei-a tão delicada como o poema. Com o seu aforismo fica a matar também.
🙂
Conheces o “Cavalo de várias cores”? Cantado em fado é soberbo.
Beijos
Quero um cavalo de várias cores
Quero-o depressa, que vou partir.
Esperam-me prados com tantas flores,
Que só cavalos de várias cores
Podem servir (…)
Quando um poema é bom, fica ainda melhor vestido de música!
Bem aparecida, Pitucha.
Beijo
Que bem lembrado, Ana 🙂
E também gosto tanto deste: Eu, Rosie, eu se falasse eu dir-te-ia Que partout, everywhere, em toda a parte, A vida égale, idêntica, the same, É sempre um esforço inútil, Um voo cego a nada. Mas dancemos; dancemos Já que temos A valsa começada E o Nada Deve acabar-se também, Como todas as coisas. Tu pensas Nas vantagens imensas De um par Que paga sem falar; Eu, nauseado e grogue, Eu penso, vê lá bem, Em Arles e na orelha de Van Gogh… E assim entre o que eu penso e o que tu sentes A ponte que nos une – é estar ausentes. (Reinaldo Ferreira)
Desse não me lembrava, Lili. Já valeu a pena ter trazido aqui o Reinaldo Ferreira, vê?
🙂
Vale muito a pena trazer sempre poesia 🙂
Do Reinaldo Ferreira lembro-me do «Receita para fazer um herói», um poema extraordinário. Este não conhecia. Obrigada!
Esse é outro dos meus preferidos dele. Sempre me lembrou “O menino de sua mãe” do Pessoa, e acho-o igualmente bom.
Um dia destes trago-o aqui também. Obrigada pela lembrança.
Lindíssimos versos, lindíssima interpretação gráfica. Etérea e traçada a rigor, como o poema. Estes Rasgos são uma surpresa constante 🙂
Ainda bem que gostou, Chloé(sos?)
Ou será Chloé S.O.S?
🙂
Francamente, não me pergunte, sei tanto como a Ana…Mistérios insondáveis do cyberespaço. Save our souls? Deixe, foi alguma alma do outro mundo que me assombrou (e deve ter cometido algum DO:)
Save Our Souls é óptimo! LOL