Galamba


José Meireles Graça,

Não gosto de pipocas e portanto o que me acompanha enquanto vejo o filme pornográfico governamental são cigarros.

Receio que vá fumar muito, a julgar pela amostra de ontem. Já ouvi Helena Matos, Sérgio Sousa Pinto, Sebastião Bugalho, José Miguel Júdice, quase tudo de um debate (na realidade um massacre de Costa) entre Mariana Mortágua e Bernardo Blanco; e ainda alguns outros em parte, salvo os representantes dos partidos em que me fiquei pelo quase nada porque, juntamente com o tabaco, a demasia poderia ter efeitos deletérios numa saúde que estimo. Além do que, com aqueles referidos a princípio, já me considero ilustrado.

Uma vaga gratidão nutro por Costa, Galamba, Medina e as outras personagens do elenco. Porque me tenho aliviado de uma quantidade prodigiosa de piadas foleiras no Facebook e a mera informação de que tinha apostado 5 € em que Galamba não seria demitido foi acolhida com bastante curiosidade. Amanhã haverá mais e nos dias, senão semanas, seguintes conto com emocionantes episódios.

Ontem por ontem descrevi a coisa, como a vejo, assim:

Cheque ao rei: Andas para aí a rosnar que dissolves e não sei quê, a ver se te colas ao descontentamento que anda no ar e recuperas a tua popularidade que já foi maior? Ora pega, ou dissolves e eu tenho hipóteses de ganhar as eleições ou não dissolves e ficas corresponsável por tudo o que corra mal. E se na Comissão de Inquérito o Galamba ficar ainda mais queimado do que já está, tens mesmo de dissolver e eu vou chorar lágrimas de sangue a dizer que a direita e o seu Presidente me impediram de prosseguir a esforçada e bem sucedida tarefa de governar.

Bem jogado por Costa. Tão bem que não é impossível que saia vencedor desta contenda. E é isso que dói, porque a vitória dele será a derrota do país. Do que dizem os comentadores maiores deduzimos a história, e tiramos as nossas conclusões consoante a simpatia que temos por uns e outros – é o papel deles.

Eu e muitos gostamos disto. Mas não somos desempregados em fim de subsídio, nem estamos à espera de uma consulta ou operação no SNS ou decisão de uma pendência em tribunal, nem constatamos que o orçamento disponível pouco passa de meados do mês, nem vamos de malas aviadas para pôr o curso a render num sítio em que somos imigrantes, nem, nem, nem.

Uns lunáticos passam a vida a dizer que estamos a ficar para trás numa União Europeia que pesa cada vez menos no mundo, mas isso não interessa nada porque ninguém sabe bem onde fica a Lituânia ou a Hungria, por exemplo. E depois, para quem tem o rendimento absolutamente certo ao fim do mês, seja funcionário público, reformado, pensionista, fornecedor habitual do Estado ou empregado de empresa pública que ainda não entrou em corrupio, não se pode acenar com reformas do Estado porque essa gente se encolhe logo com medo que lhes toque a eles – que são quem decide as eleições. O regime de esquerda minou o terreno bem minado, e um governo como o de Costa sabe que reformar seja o que for lhe diminui a popularidade – é muito melhor dar um bodo qualquer, modesto que seja, montar uma barragem de propaganda e contar com o matraquear da esquerda à esquerda, que vai difundindo o ideal de progresso do país capitaneado por um Estado obeso. Isto permite ao PS apresentar versões edulcoradas das mesmas políticas, o que passa por moderação e equilíbrio.

O PSD e a IL apresentam soluções que passam a maior parte do tempo desapercebidas, e quase sempre evitam cuidadosamente falar de reformas desagradáveis – um propõe-se expurgar os piores defeitos das políticas pêessísticas e o outro quer fazer reformas fiscais que originam crescimento a prazo sem explicar como se resolve a quebra de receita enquanto o crescimento não chega.

O Chega tem herdado os deserdados e os indignados do regime e quer cortar nos podres porque os seus militantes e simpatizantes são puros, enquanto os outros são uma corja de ladrões e patifes para cujos desmandos promete cadeia. De reformas nada salvo a do Código Penal. É provável que cresça à medida que crescem os problemas do país e se vão destapando as águas pútridas em que chafurda o aparelho que o PS montou e é provável que chegue ao Poder. Será menos mau tudo o que remeta o PS para uma longa cura de oposição, mas não mais do que isso.

Como dizia Pessoa, enquanto o destino mo consentir continuarei fumando. E como não gosto de pipocas, como já disse, mas, como não disse, aprecio fritos e guisados, vou assistindo com gosto ao longo cozinhado destes peixes, dos quais a maior parte são lampreias.

21 comentários em “Galamba”

  1. O sr inquilino de Belém-cascais (antes conhecido por cata-vento ou sr Selfies e agora também por dissolvente que não dissolve) entretanto vai estar mais uns dias no estrangeiro (acho que não é na Ucrania) segundo as últimas no sapo actualidade.

    1. Este apartidário, que parece um sem partido da união nacional, sabe que quase todos os chefes de estado vão à Inglaterra por causa da coroação do Carlos III, mas teve que meter aquela da Ucrânia.

        1. É, efectivamente, a União Nacional no seu melhor: o canalha Sócrates; o canalha que matou a velhinha no Brasil; o canalha da esquerda caviar que comprou um prédio por 300 mil e vendeu-o por não sei quantos milhões; o canalha do ministro que fugiu com o saco cheio da doação de um dia de ordenado da populaça; o canalha laranja que foi para Cabo Verde explorar resorts; o canalha do Galamba; o canalha do Costa; o canalha do Carlos açoriano que recebia 500 € extra para ir assinar o ponto à ilha aos fins de semana mas ficava nas putas no Intendente…
          O rol é infindável. Tudo bons rapazes. Safam-se à grande. Limpam tudo. Lembra-se do detergente dos glutões? Os gajos açambarcaram-no todo. Está esgotado.

  2. É caso para perguntar qual será o melhor destes dois contendores em jogo de palavras e de intriga nas ações. Ou estarão muito bem um para o outro em artifícios e hipocrisias. A qualquer deles ainda pode restar o recurso à pílula do dia seguinte. A parte mais dramática é que o país assiste tão espantado como tolhido a estes lances da batota em que acabará por pagar sem descontos.

  3. Sem nada acrescentar ou retirar ao que tão bem escreve, atrevo-me a alvitrar, como hipótese gratuita, que a “crise do portátil” pode ter a mão remota de Pedro Nuno Santos. Ele foi péssimo e corrido de ministro mas sendo o substituto igualmente péssimo e corrido, então parece que quem é mesmo péssimo é quem correu com ambos. E PNS lá sai branqueado.

  4. Aquele insistência em tratar-se de um caso de consciência confirmou a farsa.
    O mais útil em todo o episódio foi terem aparecido umas figuras de 2ª linha que bem esclarecem a qualidade da matilha, normalmente mantida fora de vistas pelos cabecilhas.

  5. Costa já afivelou o sorriso à Peter Sellers da pantera cor de rosa, Quem não conhece que o compre!

    Compradores, Seguro, PCP, BE, e agora o PR e presidente do PS.

  6. António parece uma reencarnação de um outro Costa, o Afonso, e talvez venha a ter o mesmo destino que este.

      1. Que passou a ser comida de gente fina a partir de ser feita com arroz.
        Enquanto feita com batatas era comida de quaresma dos que não tinham dinheiro pra comprar arroz.

      2. Não leve a mal. Adoro lampreia com arroz, ou á bordalesa. Aminha saudosa mãe (1922- 2013), cozinhava-as magistralmente, quando apareciam no Tejo em Vila Velha de Ródão e as iam vender ao Fundão e à Covilhã.
        P.S. – Gosto igualmente do que aqui escreve e leio sempre com muito gosto.
        Obrigado
        Leão do Fundão ( A viver em Lisboa)

  7. “O regime de esquerda minou o terreno bem minado, e um governo como o de Costa sabe que reformar seja o que for lhe diminui a popularidade – é muito melhor dar um bodo qualquer, modesto que seja, montar uma barragem de propaganda e contar com o matraquear da esquerda à esquerda, que vai difundindo o ideal de progresso do país capitaneado por um Estado obeso. “

    Quem é que corrompeu quem? Foi o povo que corrompeu os políticos ou foram estes que corromperam o povo? ou os dois corromperam-se mutuamente?

  8. pela sua saude nao misture pipocas com… lampreia.
    Mesmo que com humor, refere que o costa ganhou (agora nesta hora tá confirmado), mas tambem insinua essa evidencia basica : “até ver” (por acaso acabo de ler noutro post deste blog ).
    Do pouco nada que ainda vi, o gesto resiliente de costa, nao se ter submetido, acrescenta-lhe votos. Até inesperados, acredite.

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