
Num comentário a este texto, o nosso leitor Balio observava que “cada vez há menos liberdade económica”, sendo os próprios países europeus e os EUA menos liberais. Julgo que a observação é certeira e revela muito sobre o nosso tempo. A globalização devia ter trazido diversidade, mas aconteceu o inverso: temos menos bancos e lojas, menos companhias de aviação e produtores de automóveis; pode haver dezenas de marcas, mas os produtos são todos iguais; a nossa comunicação social concentra-se em três ou quatro grupos que dizem coisas parecidas; os livros e filmes são semelhantes, como as salsichas, saem de fábricas de conteúdos. O liberalismo tem vantagens, permitiu uma época de preços baixos e de abundância, criou milhões de empregos, mas à custa da insustentabilidade dos recursos. Houve também perdedores e o impacto do inevitável descontentamento está ainda no futuro. A revolução digital prometia diversidade, mas aconteceu o inverso: quem esteja no facebook ou twitter não tem alternativa à sua plataforma. Para empresas como Amazon, Google, Netflix ou Disney (algumas mais poderosas do que países) só existe um caminho: crescer e ganhar escala.
imagem Night Café, IA

A globalização devia ter trazido diversidade, mas aconteceu o inverso
Esta é a falácia intelectual para a qual eu chamei várias vezes a atenção neste blog. A globalização e o multiculturalismo nunca foram garantias de diversidade — ou de que isso interessasse. Mas como as pessoas utilizam uma lógica marxista, de esquerda, para analisar o fenómeno de que tudo à molhada é bom (quando evidentemente o bom-senso nos diz logo que tudo à molhada é péssimo) viveram equivocadas este tempo todo — e por sua culpa milhares de culturas e sub-culturas desapareceram e vivem hoje subjugadas pelas lógicas globalistas. É pena, mas é muito bem feito.
Por isso o isolacionismo e a progressiva re-industrialização da Europa (contra as economias emergentes, BRICS, CPLP, etc, toda essa cangalhada de gente rancorosa que vocifera contra a Europa mas quer viver como a Europa ou, pior, mesmo na Europa) é a melhor maneira de voltarmos aos princípios dos anos 90 e corrigirmos a trajectória para economias locais sustentadas e destruir as efabulações multi-culturalistas do esquerdismo internacional. E é a partir desse centro que o progresso tem de irradiar, como o colonialismo no século XIX (a expansão do melhor para as periferias e não a invasão do centro pelo pior).
Caso contrário, Enfim, é como vem nas distopias de Hollywood: vão estar uns gajos mascarados em cima de um muro de betão com 50 metros a aniquilar os proscritos e os zombies cá fora na terra queimada. Lá dentro estará o mesmo tipo de gente distraída, estúpida ou mal formada que quer Tróia só para eles. Graças a vocês, poderá ser mesmo assim o futuro.
“viveram equivocadas este tempo todo — e por sua culpa milhares de culturas e sub-culturas desapareceram e vivem hoje subjugadas pelas lógicas globalistas. ” ——————
Exactamente , sugiro o blog novomundo111 aqui no sapo.
Excelentes reflexões que o Luís tem feito ultimamente, devo acrescentar. Algumas com as quais não concordo de todo — outras que revelam um posicionamento que não compreendo na totalidade — mas que mesmo assim põem os dedos nas feridas.
Enfim, ser coerente o tempo todo é para quem persiste nos seus erros.
Entendo a sua preocupação, mas a realidade mostra que a globalização e a revolução digital, na verdade, aumentaram a diversidade cultural e a variedade de produtos e serviços. Além disso, a internet facilitou o acesso a informações e perspectivas diversas, proporcionando oportunidades económicas e melhorando a qualidade de vida em todo o mundo.
É importante ter em conta que o medo da mudança, o foco em aspectos negativos, como por exemplo a desigualdade (que é um mal tremendo), o efeito das redes sociais e a nostalgia pelo passado, podem levar a uma visão distorcida da situação actual. Por isso, é essencial analisar o estado do mundo de forma equilibrada e baseada em factos, considerando as oportunidades e benefícios trazidos pela globalização e pela revolução digital.
É difícil de sustentar, para dar um exemplo comezinho, que havia mais diversidade quando só existia a RTP-1 e a RTP-2, mesmo que agora a maior parte dos canais passem série e filmes parecidos e as notícias sejam quase as mesmas (excepto a CMTV, que por acaso está ali ao fundo da rua a entrevistar um senhor a quem a cunhada roubou umas couves).
D. Eurico Dias Nogueira, arcebispo de Braga, disse, após ver o filme, realizado em 1976, “O Império dos Sentidos”, a 19 de Fevereiro de 1991, na RTP-2: “Aprendi mais em meia hora do que em 67 anos de vida”. Hoje, não é preciso esperar 15 anos para ver um filme do Japão e aprender umas coisas à pressa. Hoje o filme mais visto na Índia no ano passado pode ser visto na Netflix – e “RRR: Revolta, Rebelião, Revolução” é tudo menos “igual”, “parecido”, “pouco alternativo”, “imperialista”, etc.
Apesar dos desafios e desigualdades presentes, devemos reconhecer que, em diversos aspectos, a diversidade e as oportunidades atuais superam as de épocas anteriores. A alegação de “menos liberdade económica” resulta de uma visão distorcida, que, embora compreensível, não se sustenta em factos concretos.
A ideia de que a intensificação da competição num sistema bem misturado levaria espontaneamente a um acréscimo de diversidade parece-me extremamente duvidosa. A tendência natural é, pelo contrário, à monopolização (como se vê) e isso acontece devido a uma instabilidade inerente ao sistema. É que há um feedback positivo.
Se todos começassem com “igual tamanho” (na verdade, já havia uma enorme assimetria à partida), aqueles que, no início, por alguma razão, crescessem um pouco mais que os outros, veriam a sua “vantagem/fitness” aumentar. Um pouco maiores e mais fortes, são capazes de adquirir quantidades maiores de recursos mais rapidamente que os demais, reforçando assim a assimetria original. Este acréscimo de recursos volta a reforçar a sua “vantagem/fitness » pelo paulatinamente se vão tornando capazes de monopolizar mais recursos ainda a um ritmo cada vez mais elevado, e o sistema está lançado. Na ausência de mecanismos de reequilíbrio, que permitam contrariar esta dinâmica, a concentração da maior parte dos recursos em poucas mãos é inevitável.
A esta « mistura”, que acontece à escala planetária, deu-se o nome de globalização. Mas esta dinâmica não é específica à economia moderna/capitalista. Foi por um processo semelhante que levou à criação dos estados nação na Europa a partir de uma miríade de pequenos príncipes todos mais ou menos iguais em recursos.
Sim, o ciclo vai reverter, já deu para entender que a globalização foi e é um flop, agora o mais grave é o globalismo e esse está aí em força e tem de ser fortemente combatido, está a ser, mas com poucos focos, que aqui na Europa se resumem à Itália e à Hungria.
Ai, como eu gosto da diversidade de carregadores de telemóvel…
Las nociones de verdad y mentira como valores del Periodismo se están viendo afectadas a consecuencia del impacto de las nuevas tecnologías, ya que establecen la instantaneidad como ritmo normal de la información y cualifican el rumor y las noticias no verificadas como un valor lógico de la misma
Fake News: desinformación en la era de la sociedad de la información
Fake News: disinformation in the information society
Marián Alonso González, Universidad de Sevilla, Facultad de Comunicación,
já se está a branquear ps, pm e galamba
É evidente que o liberalismo não é uma receita global e menos evidente mas não menos verdadeiro, que lhe é difícil prosperar na globalização ou no globalismo.
O liberalismo postula a racionalidade do consumidor. Isto é, perante dois produtos, sem constrangimentos e com igual informação, escolhe o que lhe oferecer a melhor relação custo-benefício. Sendo o custo uma realidade objectiva, o benefício tem muito de subjectivo, o que garante a diversidade.
Se um produtor/fornecedor oferecer um serviço que, sem grandes diferenças de qualidade e apresentação, oferece menor custo do que os concorrentes, é claro que vai enriquecer e o liberalismo não impõe limites ao enriquecimento. Mas pode também ter tal êxito que elimina a concorrência e o seu produto/serviço torna-se um monopólio. Para isso há que haver leis anti-monopolistas, como as americanas que já têm obrigado várias empresas a dividirem-se em empresas separadas.
É claro que o liberalismo não é equalizador e isso afasta toda a esquerda, que insiste em tudo igualizar. Incompreensivelmente para mim, a esquerda parece acreditar que se um monopólio for estatal, adquire as virtudes que são vícios na propriedade privada. E persiste nessa crença depois de observar os resultados prácticos da gestão estatal, nos transportes, nas escolas, na saúde.
Sendo as telecomunicações um claro exemplo de abuso por contratação leonina e, sabe-se sem conseguir provar em tribunal, de concertamento de preços, mesmo assim, horrorizo-me só de pensar que o Estado pudesse nacionalizar e passar a gerir o sector. Lembro-me do complexo agro-industrial do Cachão e da Cooperativa Transformadora dos Produtos Agrícolas do Vale do Sorraia, as duas maiores unidades do sector agrícola, para não falar nas também defuntas PT ou nos estaleiros navais no Tejo e no Sado ou na SOPONATA.
Sempre achei curioso que Salazar que, na minha (e de vários) opinião, era mais anti-liberal do que anti-democrata, tivesse o sector eléctrico regulado mas liberalizado, com diversas hidro-eléctricas presentes em Bolsa. E, como esperado, a nacionalização e criação do monopólio EDP não foi nenhum êxito, antes pelo contrário. Reconheço que a UE forçou alguma liberalização obrigando a separar e a abrir a distribuição à concorrência internacional mas não consigo aqui ver um verdadeiro liberalismo pois o factor decisivo, o capital disponível, desde logo restringia os resultados dos concursos. Hoje, citando o meu exemplo pessoal, as diferenças de custo são negligenciáveis e a liberdade de escolha é entre chineses, espanhóis ou a GALP que já nem sei muito bem o que é. E, por imposição estatal regulatória, sou encharcado em gráficos e percentagens de origens energéticas mas os contratos, sem excepção, são leoninos e não tenho acesso a uma informação clara e objectiva sobre os consumos (que chego a demorar mais de 2 horas a calcular sempre que há acertos por excesso de estimativas anteriores) nem, o que é de pasmar, a uma facturação no dia 31 de Dezembro que permitisse, sem perdas de tempo improdutivas, cumprir a obrigação fiscal da especialização dos exercícios.
Navega-se entre um Estado monopolista (e mau gestor) e um Estado que regula os sectores de grandes empresas obrigando a divulgar propaganda política – é o que chamo aos gráficos da origem energética – mas é totalmente omisso na regulação do que simplificava a vida empresarial melhorando o seu desempenho. E notavelmente incapaz na repressão de prácticas de concertação de preços, de “dumping” de “cambões” em concursos públicos. Espantosamente todas estas más prácticas do estatismo, são rotuladas como vícios do liberalismo.