Uma das críticas mais veementes vulgarmente lançada sobre o jornalismo diz respeito a casos noticiados que não correspondem à verdade ou que foram deturpados de forma grosseira e que, depois, não são corrigidos ou que, quando o são, não merecem relevo igual.
Esta queixa não é apenas comum, como ainda ganha contornos dramáticos quando parte do poder. Imagine-se agora a cena quando estamos perante um poder com particular apetência para dar abrigo aos jornalistas na jaula dos leões, como é decididamente o caso do actual poder executivo.
Acontece que o poder devia preocupar-se sobremaneira com a ética, por ser razoável esperar que o papel de quem conduz sirva sempre de exemplo aos conduzidos. A este propósito, ainda ontem o ministro Teixeira dos Santos teve uma intervenção infelicíssima no Parlamento que foi capaz de gerar um coro de mais do que legítima indignação por parte de todos os deputados da oposição (e seguramente alguns engulhos aos seus pares).
Hoje, ainda há quem se sinta ofendido e manifeste de viva voz que não desiste de esperar por um pedido de desculpas de Teixeira dos Santos pelo que ele afirmou ontem. Não sei se ele o fará ou não, mas sei que, se o fizer, já virá tarde. Tê-lo feito logo a seguir no mesmo lugar e perante os mesmos ouvintes seria dar igual importância ao disparate e ao pedido de desculpa pelo disparate, o que anularia por certo o momento infeliz.
Passado um dia e perdida a ocasião, poderá já não apresentar desculpas, mas jamais será perdoado pela afronta que proferiu. No entanto, se ainda vier a fazê-lo, também parecerá sempre que se sentiu pressionado e que preferiu o pior: corrigir a manchete de um jornal com um texto publicado em corpo minúsculo no fundo de uma página par do interior.
Em suma: o poder nem precisava de ter atenção quando lhe apetece atirar pedras aos outros; bastava-lhe dispensar-se de ter pedras para não se sentir tentado a arremessá-las. Já lhe chega ser poder. E aceitar que cada macaco tem o seu galho.


Esta frase há-de persegui-lo muito depois de deixar de ser ministro. O silêncio posterior dele é particularmente lamentável. E o facto de nem uma voz no PS se demarcar do que disse também.
A tua última frase diz tudo, compadre. Lamentavelmente, o cinzentismo envergonhado do PS adensa-se.