
Na problemática dos abusos sexuais na igreja católica houve nos últimos dias uma notória transformação, passando estes a serem abusos sexuais da igreja católica. Por um lado, as declarações dos próceres eclesiásticos, reunidos a propósito da emissão do relatório da comissão de investigação sobre o assunto, dão azo a duas interpretações: uma, mais subjectiva, advém das declarações então emitidas e das medidas anunciadas (então a da construção de um “memorial” é mesmo um despudorado atrevimento, demagógico), e é a da continuada insensibilidade dos padres graduados portugueses para estes casos, acompanhada do silêncio sepulcral dos seus colegas menos graduados. A segunda, objectiva, é a de que o topo da hierarquia católica mente sobre o assunto – algo que ficou esclarecido com as declarações de Daniel Sampaio, membro da comissão de investigação -, nisso querendo minimizar os dados existentes sobre a continuada prática intra-institucional de actos pedófilos.
Sobre este assunto muito haveria a dizer, até relativamente secundário ao seu cerne – para exemplo maior o actual silêncio que lhe dedica o tão loquaz Presidente da República, antes sempre tão lesto a associar-se à hierarquia católica. Mas isso não pode esquecer o ponto fundamental: uma comissão de investigação produziu um documento no qual constam nomes de sacerdotes, uns ainda em exercício profissional, que foram denunciados por práticas de abusos sexuais – algo não só imoral como também ilegal. E essa lista está nas mãos da hierarquia católica, que sobre esses dados (os quais logo começou a minimizar, repito) irá actuar.
Ora isso implica que a igreja católica é um outro Estado. É isso, afinal? “Dai a César o que é de César” – e o que é de César não são só os impostos. É, neste caso, o rol dos denunciados como criminosos. O resto é com a polícia e com os tribunais.

“Presunção e água benta, cada qual toma a que quer”.
Já não há alegados aqui? temos uma comissão que recebe denúncias muitas delas completamente anónimas e sem investigação suplementar e prova. Se essa é a bitola válida espero quando seja válida para todas as organizações. Mas não chamemos a isto Justiça.
Será Populismo?
Dito isto, sempre que tive contacto com a instituição Igreja me pareceu que muitas das pessoas lá estavam reprimidas e mesmo contra vontade.
Não serão manhas de Satanás,servindo-se de infantes e púberes,para levar à perdição dos ungidos nestes tempos de trevas?
Não deveria tudo ser ocultado dos olhares do mundo atrás dum muro de
sotainas?
A quem aproveita o arejamento dos miasmas se não ao Demo?
Dizei.
O seu comentário deixou-me perplexa e apanhou-me
desprevenida. Prefiro não me manifestar.
A ilustração está absolutamente fenomenal.
Henrique Pereira dos Santos, insuspeito de ser católico, muito menos de estar “feito” com o clero conservador: erniz-da-civilizacao-7859893
https://corta-fitas.blogs.sapo.pt/o-fino-v
José Luís Silva, Henrique Pereira dos Santos é alguém que eu leio com atenção. Quanto ao texto que refere, e que ainda não havia lido, aborda pontos interessantes (um dos quais, até marginal a tudo isto, é sobre a mundivisão que comanda o jornal “Público”, sobre o qual bastante tenho resmungado). Mas tem um (grande) problema e, para além disso, dedica-se a uma questão que é excêntrica ao meu texto: o (grande) problema é simples – HPS resume, e nisso seguindo, ecoando (e até, se calhar apesar do autor, propagandeando) a vil simplificação que a hierarquia católica se apresta a fazer, isto de resumir o conteúdo do relatório a uma “lista de nomes”, algo que Daniel Sampaio, um dos autores, já veio negar, e isso é assunto do meu breve postal. Quanto à excentricidade ao conteúdo do meu texto também será simples, está escarrapachado no meu breve texto: este não é um problema a ser dirimido pela igreja católica mas sim pelos órgãos competentes da administração estatal. Ponto final parágrafo.
Só para lembrar que apenas 6 casos têm matéria para serem investigados
Antes de fazer acusações, de lançar uma caça às bruxas, convém perguntar se algum desses seis casos era do conhecimento de algum bispo.
Depois de um repetido apelo a denúncias tudo isto se resume a seis casos, e destes seis casos não se sabe ainda nem as conclusões. Quantos seriam com outras instituições? Isto foi uma autêntica caça às bruxas, mas espero que aproveitemos o balanço e alarguemos as denúncias a outras instituições. Não vão ser apenas seis casos, nem sequer seis centenas de casos
Independentemente de existir culpa ou não, o pior que se pode fazer são os chamados ” julgamentos populares ” tendo como base “peças” que passam nos telejornais.
Quanto às suspeitas de padres no activo deveriam ser as próprias paróquias e os seus fiéis a manifestarem-se e isso não se vê.
Quanto ao memorial, realmente é de muito mau gosto.
O facto de o Estado atuar para castigar os criminosos não invalida que a Igreja atue também.
Repare se os acusados fossem professores ou educadores seriam afastados do contacto com menores até estar tudo esclarecido cabalmente. Sendo padres parece que se pode continuar como se nada fosse até a polícia entrar na igreja com ordem do tribunal para os prender.
Sobre outro assunto, gostei do bispo de Beja perdoar aos prevaricadores. É sempre bom perdoar aos que ofendem os outros. Se alguém abusar sexualmente de sua eminência tem o meu perdão.
Vergonha!!!
Além de próceres e loquaz serem das caras praí de 1000 paus, e a ilustração também, ficámos com o testemunho de Daniel Sampaio e o “só nomes”.
Lembro-me em criança com 9 anos, na província, na confissão para comungar, o padre perguntar se eu fazia ‘aquilo com a mão’, dando a entender que era um pecado. Imagino como seria a conversa noutro “encontro” sem ser ali no confessionário no centro da igreja com mais gente presente.
Só vejo o Judeu, Sampaio, e as jacobinas, do Bloco e do PS à criticarem a Igreja e o inacreditável é que generalizam sempre quando se trata do ICAR, quando são os israelitas e os islâmicos, os mesmo aparecem logo nos media a pedir para não se generalizar
Pois a mim não vê, seu miserável anónimo, com esses pedidos. O que me pode ver (com nome assinado) é a lembrar que o cardeal de Lisboa, louvado pelo grupo do dr. Balsemão com prémios de grande intelectual, é um cabrãozinho que solicita mais exorcistas… Que o bispo do Porto é um sacaninha que considera que isso dos padres andarem a enrabar criancinhas são meros “disparates” e que o cabrãozinho do bispo de Beja não só se “esquece” de responder a esta investigação como agora (hoje mesmo) vem entoar a ladainha que basta que estes pedófilos se arrependam para que tudo volte à primeira forma. E ainda tenho um punhado (agora escasso) de pederastas imundos activos nos comentários bloguísticos a defenderem esta cáfila de paneleiros.
Até que enfim um comentário que agarra o touro pelos cornos.
Lá está você com o seu espírito de jacobino disfarçado ou então deve ser judeu!!! Generalizar é que é próprio dos… Mil vezes, a cultura católica para a nossa juventude do que a cultura jacobina… O resto é paisagem!!!
No fb dizem-me da esquerda marxista, aqui jabobino… E essa do judeu, que é nova. Agora eu até poderei ser isso tudo mas não obsta a que o cardeal de Lisboa (o tal prémio Pessoa, o que se lamenta de défice de padres exorcistas) já veio mentir sobre o conteúdo da documentação que recebeu, não obsta àquilo dos “disparates” do cabrãozinho do Porto, ou ao mero “arrependimento” do cadáver adiado de Beja. E não obsta ao principal, o longuíssimo e continuado silêncio dos meros padres (os das tais paróquias, a que acima alguém alude). Não faço generalizações avulsas, não digo que todos os padres são criminosos pedófilos. O que digo é que toda a instituição acolheu, encobriu e quer continuar a encobrir o mais possível toda esta imundície. E que praticamente todos os padres viraram a cara para o lado, se calaram, diante disto. Isso faz de mim um comunista, um robespierre tardio, um judeu fundamentalista? Seja. Mas não faz de mim um amigo de pederastas pedófilos, nem um anónimo deles defensor.
Dura lex, sed lex.
O crime, uma vez provado, leva a cadeia. Ponto