
Gui Abreu de Lima: «Chegou para matar a fome, sempre a dele, à minha frente, e a dos seus, que só presumo, e trazia novidade. Tinha ido a uma entrevista! e vinha cheio de esperança. Fosse a arrumar prateleiras, a entregar mercadoria ou até sentado à caixa, desde que revisse a tabuada, haveriam de o meter. Que alegria, meu menino, quando a vida pode mudar. Saberás o que te espera? O que é estudar e trabalhar, essa rima incessante, desde que o sol se ergue até à hora do jantar? Uma pessoa não quer ver alminhas desta alvura a perderem inocência. Sabes quanto vais ganhar? E levar para casa?»
José António Abreu: «Procurar resposta à velha questão de saber se a arte reflecte a vida ou a vida imita a arte é pouco menos que inútil. No fundo, talvez seja apenas necessário aceitar dois pontos de contacto entre vida e arte:
– Ambas têm o significado que se quiser atribuir-lhes.
– Em ambas é frequentemente preferível não o procurar.»
José Gomes André: «Em 2007, quando preparava o meu doutoramento, tive a oportunidade de fazer investigação na British Library, junto à estação de King’s Cross. O edifício, construído em 1997, é extraordinário, devido à sua funcionalidade: oito salas de leitura distribuídas por dois andares, uma pequena sala de concertos, um andar para exposições, salas de conferências, uma loja, uma livraria, restaurante, bar e bengaleiro – dispostos em redor da magnífica biblioteca de Jorge III, protegida por um vidro especial, a qual pode ser contemplada onde quer que nos encontremos no edifício.»
