As políticas habitacionais


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Num recente domingo soalheiro apetecidas razões familiares levaram-me a passear por Carcavelos. Não só junto à praia mas também pude conhecer o “campus” da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Nova – instituição estatal que, por razões que desconheço, se apresenta sob nome em língua estrangeira… Mas esse pormaior não me fez distrair do fundamental, reconhecer umas excelentes instalações, até me tendo permitido, apesar de leigo na matéria, a saudar a arquitectura daquela unidade. Algo que, ao que ali me constou por via de voz bastante bem informada, se adequa à qualidade do ensino ministrado por um muito competente corpo docente. Imagine-se até que lá ensinam alguns antigos políticos, os quais, mesmo não sendo provenientes de uma carreira académica padronizada e – até ainda mais surpreendente – não sendo militantes do BE nem do MES, o fazem com notória excelência…

 

Enfim, depois de visitar com alguma delonga as espaçosas instalações, calcorreei as simpáticas imediações, um bairro residencial muitíssimo aprazível, pontilhado de uma adequada toponímia, como exemplificam a rua Carlos Lopes (o imortal campeão) e avenida Francisco Lucas Pires (um excelso político injustiçado por uma morte precoce).

 

Nesse entrementes pedonal cruzei uma grande área vizinha ao tal “campus” da School of Business & Economics e fronteira ao estuário do “mighty Tagus”. Está dotada de uma cerca metálica meio bamba, um portão entreaberto anunciando a proibição de entrada e serem aquelas instalações pertença do Ministério da Defesa Nacional. Como o anuncia o torreão militar já arruinado junto à avenida que bordeja o terreno, e alguns edifícios em pior estado que (mal) se vislumbram entre o matagal que preenche o enorme espaço, o qual considerei, com alguma hipérbole, uma “herdade”….

 

Surpreendi-me com tamanho abandono estatal em área tão “nobre”, pois “gentrificada” com boas habitações e bom urbanismo, um excelente “campus” para a actual ciência-Mãe e instalações da NATO. Fui agora ver do que se trata – não tenho a certeza mas penso ser o antigo bairro militar do Forte de São Gonçalo. Se assim for congratulo-me pois – via motores de busca – tomei conhecimento de que ali será construído uma instalação cultural integrada em vastos espaços de lazer. A inauguração será em 2014.

 

Entretanto, ainda que excêntrico a este postal, não quero deixar de aqui assinalar o meu apoio às novas políticas habitacionais do bom governo em curso, avessas aos especuladores absentistas.

 

Enfim, “22/28 (and counting…)”.

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7 comentários em “As políticas habitacionais”

  1. Andam é preocupados como é que Lisboa vai acolher em seis dias mais de 1 milhão de fanáticos religiosos. E prontos, inventaram um problema sério de habitação e que é preciso coercivamente exigir aos proprietários que aluguem os seus imóveis. A democracia cada vez mais nas ruas da amargura. Esta cambada ao que parece vai gastar seis milhões em iluminação no palco papal, quando só era preciso mandar vir brocas da Venezuela para ver Deus em Beirolas.

  2. “Mas por esse pormaior..” .
    Como acha superficialidade a designação em inglês, pormaior é “neologismo” senão valia 1000 paus.

      1. Então, ‘tratar-se-á de um trocadilho com a palavra pormenor; uma minudência que, precisamente por ter «bastante importância para determinada situação», ganha uma proporção maior que aquela que a sua condição de pormenor fazia supor.’
        Pese, embora, achar interessante, “pormaior” é o contrário de pormenor, mas em sentido negativo ao que parece supor: pormenor=precisão e o contrário é ligeireza. Nesse caso, a ligeireza de estar escrito em língua estrangeira não lhe causa distração, se por boa ou má ideia.

  3. O Governo abriu uma nova agência imobiliária chamada ERA TUA.
    (Piada roubada ao Imprensa Falsa ou à Imprensa Falsa?)

  4. Esse tal “campus”, que imagino eu beneficiou de dinheiro público a mais, tem uma particularidade curiosa: não se vê da marginal. Está feito de maneira a que os estrangeiros não se sintam incomodados com os nativos. Presumo que é esse o fito de criar uma barreira física de privacidade entre o espaçoda escola e o mundo exterior (nem mais nem menos um monte de terra que não existia ali).

    De certa maneira é igual ao americano que compra prédios em Lisboa mas só vende os apartamentos a estrangeiros: não quer lá tugas e gente escura.

    Tudo com o patrocínio de sua excelência o presidente desta merda.

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