Este texto foi feito a partir de uma newsletter do Jornal Expresso e assinada por David Dinis.
De acordo com os dados recolhidos num inquérito feito em Portugal, para o European Social Survey conclui-se que o funcionamento do regime democrático está muito abaixo do que os portugueses ambicionam.
Não há margem para dúvidas sobre a dimensão dessa desilusão: das 11 dimensões avaliadas, só em duas os portugueses sentem que o funcionamento da democracia portuguesa se aproxima da importância que atribuem a essa dimensão.
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Os portugueses acham que, sim, “as eleições são livres e justas” (com nota de 8,1 numa escala até 10), assim como acreditam que “a comunicação social tem liberdade para criticar o governo” (afirmação que é validada com nota 7,1, na mesma escala). São duas notas altas em duas condições vistas como essenciais para o regular funcionamento do regime.
Porém, nas restantes 9 dimensões do funcionamento da democracia, a discrepância entre a importância que os portugueses atribuem a um factor e a avaliação que fazem do seu funcionamento no nosso país é enorme. E, pior, em sete casos a avaliação é mesmo negativa.
Assim, de acordo com o estudo, os portugueses chumbam liminarmente um princípio central para o funcionamento da justiça (dão apenas 3 valores à afirmação de que “os tribunais tratam todas as pessoas da mesma maneira); assim como chumbam os dois pilares da democracia social, seja quando se pergunta se “o governo protege todos os cidadãos da pobreza” (3,3 valores) ou se “o governo toma medidas para reduzir as diferenças nos níveis de rendimento” (3,6).
Os portugueses não acreditam também que os governos sejam “castigados nas eleições quando fazem mau trabalho” (nota 3,7); assim como dão nota negativa aos dois pilares da democracia popular (3,1 valores apenas para a afirmação “as ideias das pessoas comuns têm mais força do que as ideias da elite política” e 4,6 valores para a afirmação de que “a vontade das pessoas não pode ser travada”. A última negativa vai para a democracia directa: nota 4,4 para quando se afirma que “os cidadãos têm a última palavra nos assuntos políticos mais importantes votando directamente sobre eles em referendos”.
Se os indicadores de democracia popular e democracia directa não são os mais valorizados pelos inquiridos (7,9 para a primeira e 8,6 para a última), o mesmo não se pode dizer sobre os pilares da democracia social (sempre acima de 9 na escala de valores). Dito de outra forma: os portugueses acreditam que a protecção para a pobreza e as medidas para reduzir desigualdades estão entre as quatro mais importantes para o bom funcionamento da democracia, mas sentem que o Estado português falha nelas. De forma clara.
A meio da escala – em território ligeiramente positivo – estão, ainda, duas avaliações: uma sobre as “alternativas claras apresentadas pelos partidos políticos” (5,4 valores, ainda longe dos 8,9 que representam a importância do tema para os eleitores); e outro sobre a protecção “dos direitos da minorias”, que se fica pelos 5,1 valores, ainda mais abaixo dos 9 valores que medem a importância do tema.
O Expresso irá apresentar diversos artigos sobre cada um destes campos de análise, assim como sobre a sua evolução desde o estudo comparável realizado em 2012.
No texto de David Dinis é ainda referido o momento que eu descreveria como “Senhora professora a culpa é daquele menino” e que respeita ao alerta lançado há dias por Augusto Santos Silva, segundo o qual a extrema-direita está a ameaçar a democracia, tentando assim fazer esquecer que quem está no poder não é a extrema-direita. Pelo contrário, é exactamente o partido deste proto-candidato a PR que há várias décadas, e quase ininterruptamente, está no poder. Se ele quiser mesmo procurar os responsáveis pela realidade confirmada por este estudo, pode começar por fazer um exame de consciência.
Estou cada vez mais convencido que a única garantia de democraticidade do nosso regime é o facto de Portugal pertencer à União Europeia. Vivemos num regime em câmara lenta, que se arrasta sem convicção, motivado apenas pelo cumprimento das regras impostas por Bruxelas como forma de não interromper as transferências que alimentam a cascata de dependentes em que o país se tornou. Sem as transferências europeias, este regime em câmara lenta rapidamente se transformaria num regime em câmara ardente. E não se pode atirar a culpa a quem não está no poder.

a única garantia de democraticidade do nosso regime é o facto de Portugal pertencer à União Europeia
!!! Pelo contrário, a União Europeia é muitíssimo menos democrática do que Portugal. E é totalmente opaca, nada transparente. Veja-se por exemplo o caso do negócio da compra das vacinas anti-covid (ninguém sabe que acordos foram feitos com as farmacêuticas, é secredo) ou da recapitalização da TAP (ninguém revela nada sobre o acordo que foi feito).
Isto já sem falar da reação à invasão da Ucrânia, em que a União Europeia reagiu (e continua a reagir) de forma totalmente não democrática e iliberal.
Talvez preferisse o modelo russo, chinês ou o turco. Eu prefiro o da UE.
Não sou adepto dos modelos russo, chinês nem turco. Sou adepto de uma Europa liberal (e democrática). E cada vez vejo menos liberdade (e menos democracia) na União Europeia. Então desde o covid, e depois ainda muito pior com a guerra, a liberdade tem desaparecido a olhos vistos.
“Estou cada vez mais convencido que a única garantia de democraticidade do nosso regime é o facto de Portugal pertencer à União Europeia. “
A UE dos campos de refugiados e da morte no Mediterrâneo, a UE das troicas e da austeridade à força, a UE em que a política monetária é controlada por um sindicato de bancos chamado BCE que tem direito de veto sobre orçamentos elaborados por governos eleitos, a UE que tem regras estritas que só se aplicam se os grandes países as conseguirem cumprir (porque a França é a França, como dizia Junkers).
Se nossa a garantia de democracidade é a UE estamos bem tramados.
Os refugiados que morrem no Mediterrâneo, procuram a UE. As troikas só aparecem quando alguém as chama. A disciplina monetária e financeira da UE é a alternativa ao gonçalvismo e ao chavismo. E sim, sem a UE como garantia de democraticidade, estaríamos bem piores. Muito piores.
Os migrantes fogem da guerra e pobreza, grande parte dessas guerras feitas com o beneplácito da UE,
Vou evitar ir a sua casa. Fico sabendo que se acha com direito de prender, afogar e traficar quem tentar entrar em sua casa, e ainda acha isso democrático.
Como a troica foi chamada estava no seu direito de punir os pobres dos países que a chamaram para salvar os próprios bancos, porque contratos com bancos são sagrados, com cidadãos de países pobres são para rasgar.
Se o melhor que tem a dizer da democracia da UE é que é melhor que o chavismo e o gonçalvismo, então não tem grande coisa a dizer dela.
Guerras com o beneplácito da UE, é um novo conceito de lhe recomendo registar os respectivos direitos.
Sobre a troika, o ideal era mesmo não a terem chamado. Recorda-se de quem é que, além de a ter chamado, negociou as condições do resgate, ou seja de que forma os pobres seriam punidos (palavras do seu comentário)?
E já agora, entre a democracia da UE, com as suas com falhas e limitações geradas pela arquitectura institucional, e o chavismo e gonçalvismo, qual o modelo que sugere?
A UE realmente maltrata muito os migrantes, tanto que até se atropelam para cá entrar enquanto não o fazem para quase nenhuma outra paragem, será que são todos burros e você é que é o esperto?
Quanto ao controlo exercido pelo BCE, será que você acha que é possível ter uma moeda única sem um conjunto de regras comuns por uma instituição de controlo e supervisão como o BCE? Explique lá como propõe então manter uma moeda única sem regras transversais entre os diversos Estados? Explique lá sff como é que manteria uma moeda única com cada estado a fazer o que bem entender e lhe der na gana em política orçamental e monetária? Depois queria o quê mesmo da UE, receber milhões e milhões em fundos sem ter de cumprir nada em troca? Os alemães, holandeses, austríacos, etc, etc, são seus paizinhos para lhe darem tudo de borla é isso? Enfim, criticar é fácil mas dê lá as alternativas.
Quanto ao BCE. Primeiro temos de nos perguntar se a moeda única desenhada deste modo está a ser benéfica ou prejudicial, seguidamente o facto das regras terem de ser únicas não quer dizer que têm de ser determinadas por entidades que não prestam contas a ninguém.
Só os tolos acreditam que existem seres acima de qualquer suspeita que podem decidir o que querem sem sofrerem as consequências dos seus atos, e que esses seres são impolutos e decidem sempre no sentido que convém à comunidade.
Neste momento no BCE está a srª Lagarde, que foi acusada em França de participar num esquema manhoso de financiamento de partidos e que, quando esteve no FMI, afirmava que o FMI devia tomar procedimentos que a instituição não tomava, o que mostra a sua competência para liderar. No BCP está o querido por todos Centeno que, ao que dizem os nossos liberais, só fez asneira enquanto esteve no governo, mas se tornou infalível por inerência do cargo.
São estas pessoas que os nossos defensores da absoluta independência do BCE acham que nos devem governar, porque mexem com a essência do dinheiro e quem mexe com dinheiro é sagrado.
O que a realidade nos confirma, é que a independência dos bancos centrais ajuda a limitar a inflação. Pelo contrário, o estímulo imediato de um governante é que o dinheiro seja abundante. Segundo a políticas económicas do chavismo e gonçalvismo, quando não há dinheiro imprimem-se mais notas.
A Srª Lagarde demorou a reagir aos alertas de inflação, exactamente por não ter conseguido ser independente dos políticos. E é por isso que a inflação chegou onde chegou.
Não será um pouco redutor?
Procure que há mais mundo além da Venezuela e da UE.
E provocar uma recessão para evitar a inflação é mandar o bebé fora com a água do banho.
Além disso quer me parecer que o BCE controla tanto a inflação como o Zandinga. Andaram anos a dizer que o objetivo era 2% e não conseguiam zero sequer.
Se o BCE tivesse sido mais rápido a subir as taxas de juro, esta não teria chegado onde chegou. E essa sua impressão de que o BCE não tem forma de controlar a inflação, não é impressão, é apenas falta de informação.
Exacto. O poder político inimputável graças a um sistema de seleção de representantes políticos que consistentemente gera um grupo de incontroláveis. Uma Constituição ao contrário: defende impunidades do poder político. Democracia?.
A democracia possível. Fora da UE, seria impossível.
O Dr. Augusto, se o deixassem, sentia-se preparado para poder tirar o pio aos desagradáveis. A liberdade de expressão é o critério último da vida democrática.
Fora da UE, seria realmente impossível.
A questão da Justiça começa na base: um polícia trata de forma diferente a mesma pessoa se bem vestida/engravatada e de barba feita ou com a barba por fazer e vestido sem primor sem ser maltrapilho. Mesmo sendo em relação a minorias.
Quem está bem financeiramente tem tendência a alimentar a sua condição carregando nos que lhe fazem pela vida: o cliente é tratado como se fosse o fornecedor.
Lembra-se do escândalo que afastou Dominique Strauss-Kahn da corrida ao Eliseu? Se não tivesse acontecido nos EUA, não teria chegado onde chegou.
A UE está num nível elevado no respeito do estado de direito, mas não é perfeita.
Tomarmos consciência que o mundo nunca esteve resolvido, ajuda-nos a apreciar o projecto europeu.
“A pior ditadura é a que se veste de democracia”, e para esse efeito temos uma holding de alfaiates remendeiros à medida.
Há sempre um exército de desenrascados oportunistas. Somos pródigos nisso. Basta observar as moscas que voam à volta do Largo do Rato.
Devem ser iguais às moscas da São Caetano à Lapa, porque as moscas do largo do Caldas só mudaram de sítio.
Para muitos moscas até é simpático, estão mais ao nível de parasitas intestinais não só porque vivem à custa do suor dos outros mas também porque são especialistas em mover-se na mer**!
Um inquérito bem socialista como era de esperar. Zks
Lembra-me esta cena do Yes Prime Minister
https://www.youtube.com/watch?v=ahgjEjJk
A elite tuga já se está manobrar para acabar com Portugal e nos unir a Espanha para ter mais uma mama.
Não precisam de chegar a tanto. Basta manter o poder. Pelo poder, tudo.
assim como acreditam que “a comunicação social tem liberdade para criticar o governo” (afirmação que é validada com nota 7,1, na mesma escala)
Depende do governo. Se o governo for de esquerda há muitos constrangimentos entre os próprios jornalistas e nas suas expectativas profissionais. Já se for um governo liberal (não nos esqueçamos que foram os liberais que inventaram a democracia) estão à vontade para o destruir mesmo com mentiras repetidas que se tornam factos. Os famosos “factos jornalísticos”.
Basta lembrar como um parto numa ambulância abria o telejornal no governo Passos, e que agora a morte de mães e bebés por falta de assistência são coisas que resultam da falta de sorte. Mas não é falta de sorte, é apenas falta de um seguro de saúde tipo ADSE, o SNS versão premium.
E que emigram mais licenciados agora do que em 2011. E que Passos nunca mandou ninguém emigrar, apenas disse que emigrar era uma expectativa normal para alguns jovens, isto é, que no quadro dos países europeus isso fazia parte das suas expectativas. E sabemos brm que isso é verdade, sobretudo em áreas de científicas.
Estes inquéritos dão resultados muito divertidos. A maioria das pessoas acha que as elieções são livres, que os partidos apresentam alternativas e que não são castigados nas urnas quando falham. Os eleitores são livres de votar mas votam contra os seus interesses mesmo quando os partidos falham, ou seja, declaram-se burros.
Nem todos. Os realmente inteligentes apostam em fazer comentários anónimos em blogs.
Quando não se sabe o que responder ataca-se o oponente.
Quer o meu nome e morada para quê?
Se acha que ser chamado de realmente inteligente é um ataque, tudo o que aqui vai defendendo é mais fácil de entender.
Como pessoa muito inteligente acho que tem aí um punhado de perguntas desconchavadas que permitem quase qualquer conclusão. Basta procurar as respostas que nos interessam.
Daí aparecerem respostas que não fazem sentido. Como esta dos eleitores dizerem que não são coagidos a votar mas que a maioria vota contra os seus interesses. Não são os eleitores que são estúpidos, são as perguntas que estão mal feitas.
Continuo sem saber o que quer fazer com a minha identificação. É polícia?
Sim provavelmente é mesmo isso. Se as perguntas forem bem feitas, os eleitores responderiam de acordo com as suas convicções ideológicas. As suas mesmo, não as deles. Os regimes que aqui defende são bons nisso, em interpretar os desejos e as necessidades do público. Coitados, sabem lá escolher.
Ou seja, o povo português está, na sua maioria, à esquerda do PS, caso contrário não estariam preocupados com coisas como desigualdade salarial. Por isso o povo português tem que acordar nas próximas eleições e votar nos três partidos de esquerda com representação parlamentar, Livre, BE e PCP.