O João Galamba, de tão apaniguado do socratismo, treslê o meu post. Caro João, eu não discuti “a legitimidade de José Sócrates para governar o país”, mas sim qual o significado dessa legitimidade no quadro de uma teoria política dos regimes democráticos. Nos tempos em que o João se interessava pelo problema das fundamentações filosóficas dos conceitos, tal diferença teria sido certamente compreendida sem dificuldade.
O que está em causa não é, nem poderia ser, desvalorizar o sentido do voto popular, mas antes clarificar que esse valor – invocado com frequência como definitivo – não constitui um salvo-conduto para os vencedores dos actos eleitorais relativamente aos seus actos futuros. Em suma (e assim me dirijo também ao Tomás Vasques), o problema é para mim antes de mais metodológico: não sei se Sócrates violou ou não a lei, mas incomoda-me que alguém ache que isso não importa dado que ele ganhou as eleições.

Muito bem, José.
Obrigado, João…
Nem mais, João.
É recuperar alguns antigos posts sobre Berlusconi que alguns dos arautos da legitimidade eleitoral como salvo conduto andaram a escrever para dar conta dos double standards.
Desconheço se é esse o caso do João, que conheço e estimo, e do Tomás, que não conheço e admiro.
«Arautos da legitimidade eleitoral como salvo conduto». Bem visto. É isso mesmo.
Adolfo: quanto ao Berlusconi , da minha parte, encontrará crítica política e repudio à violação da sua intimidade, sobretudo através de citações de Francisco José Viegas. Abraço.
Mais palavras para quê? Fácil (nem tanto), limpo e directo. E polidamente contundente!
Uma coisa é pensarem que Sócrates violou a lei, outra coisa é provar que violou.
Deve ser engano. Tem a certeza de que era para este ‘post’?
Assim é fácil: é o típico argumento do straw man. O João Gomes André constrói uma posição absurda que quase ninguém defende (só importa o facto de Sócrates ter ganho as eleições), recorda uma banalidade (a democracia não é só o voto) — e depois acha que produziu uma crítica contundente a algo que é um produto da imaginação do próprio José Gomes André.
“Uma posição absurda que quase ninguém defende”? O João anda distraída, só pode. Olhe, é só ler os seus companheiros de Simplex Tomás Vasques e Eduardo Pitta. E ligar a televisão.
Quanto à “banalidade” só posso dizer que cada um dá (ou diz) o que tem e poder e a mais não é obrigado…