Pornografias


cronicasnofeminino,

Que lindo. Os seixos do Tejo. Quem sabe não aparecerão as tágides minhas. Com a continuação deste bom tempo ainda poderá ser avistado D. Sebastião a surgir na bruma. As palavras de Cristo, ele próprio, para Pedro, o apóstolo, como inspiração Sobre esta pedra erguerás minha Igreja. E o herdeiro da cadeira de Pedro de costas para o Tejo com o Arco da Rua Augusta em frente a rezar missa para o povo bento e temente, alguns de barriga vazia e pé descalço. Tudo isto pela módica quantia de 200 mil euros para os quais espero não contribuir nem com um cêntimo dos meus impostos. 200 mil euros numa altura de crise, com cerca de 10% de desempregados, salários e subsídios em atraso e dificuldades em levar a vida para a frente de forma condigna. Perdoai-lhes.

39 comentários em “Pornografias”

  1. Querida Leonor:
    Você vai contribuir com tudo.
    Para onde é que pensa que vão os seus (nossos)impostos?
    É a viagem, as deslocações, a segurança, os almoços, as missas (do papa e da camarilha que o acompanha), que você, minha amiga vai pagar.
    Crise???? Ah Ah a crise é só para alguns.
    Claro que os pobres e os doentes ficam fora do recinto da tal missa, que é reservada à camarilha do costume.
    Se o problema lhe interessa, Leonor, podemos falar detalhadamente sobre o assunto.

    1. Fiquei indignada e revoltada. Quando o país está na situação que está e ainda com a catástrofe da Madeira é preciso não ter um pingo de sensibilidade para se fazer uma coisa destas. Pior ainda se pensarmos que é a própria Igreja Católica que leva a cabo esta indecência.
      Quanto ao resto, Júlio, eu sei que sim, que somos nós quem paga tudo isso mas mais é de mais.

      1. Informe-se antes de escrever.
        Os 200 mil euros não vão sair do erário público, logo, se não contribuir do seu bolso sairão 0,00 €.

        Devia manifestar essa indignação com os gastos da campanha da fufice que todos nós pagamos ou com os 10 0000 0000,00 € do centenário da republica que vão ser “mamados” pelos amigos de sempre.

        1. Seja educado, antes e depois de escrever. Eu disse que esperava não contribuir, porque como muito bem se sabe, neste país não há certezas quanto ao destino dos nossos dinheiros. Como sou rapariga que sei ler, já sabia que à partida o dinheiro há-de ser angariado pela Santa Madre Igreja ou quem a representa cá pela capital. Cada um preocupa-se com o que se preocupa. É sempre bom saber que há gente que não se importa que sejam esbanjados 200 mil euros por um altar para o Papa vir rezar missa a Lisboa e também tranquilizante saber o tipo de linguagem que usam para falar do que não concordam.

          1. Em primeiro lugar cara Leonor apenas fiz o reparo pois parti do principio que a razão do seu postal assentava no desconhecimento de um facto.
            Vejo porém que a razão do seu postal é apenas para manifestar a sua intolerância para com a Igreja Católica. Para si seria indiferente ser 200 mil, 20 mil ou até mesmo 2 €, pois a razão do seu ódio não é a despesa, caso contrário falaria noutros desperdicios ainda mais gritantes.

          2. Partiu então de dois príncipios errados. O segundo é que não tenho ódio à Igreja católica. Criticar uma má atitude, condenável a meu ver, não é nutrir ódio, é tão somente criticá-la, meu direito absoluto. Se por acaso, a crítica fosse gratuita e 200 mil euros não fossem esbanjados dar-lhe-ia razão. Não é o caso. Ainda não entendi a permanente insistência noutros gastos. Em algum momento disse que não os havia? Em algum momento me ouviu legitimá-los ou desculpá-los? E mais, o facto deste ser apenas mais um não o torna melhor e vindo de uma qualquer igreja, neste caso, a Católica, torna-o ainda pior. Mas se parte do princípio que uma crítica é ódio não há diálogo possível. Quanto à intolerância, está bem patente nesta caixa de comentários.

          3. Cara Leonor
            Se ão tem ódio à Igrej Católica, parece.
            O seu texto é igual a tantos outros escritos por ateus intolerantes (Nota: Ateus são aqueles que não tendo fé combatem a sua existência, ao contrário dos agnósticos que são indiferentes à existência de fenómenos religiosos), o motivo da sua indignação é tão ridiculo que nem sequer se dá conta que 200 000€ são apenas um salário trimestral de um qualquer “Boy” de um qualquer partido, ou que não chega para pagar o salário mensal, nem o prémio de uma administração de empresa pública altamente deficitária.

            E depois remata o seu ultimo texto com a arma de arremsso tipica dos intolerantes, acusando quem manifesta uma legitma indignação de ser intolerante.
            Continue assim que o Dr. Louçã vai gostar de tê-la na direcção do Bloco.

          4. E, portanto, como 200 mil euros são uma quantia insignificante quando e se comparada com os ordenados dos boys, não tenho de me indignar. E quem lhe disse a si que eu não acho isso uma verdadeira vergonha nacional? Um insulto a quem tem de viver com salários miseráveis, pessoas que ganham, por exemplo, um euro e cinquenta cêntimos à hora, num dia de 8 horas, são doze insultuosos euros, numa semana sessenta euros e num mês duzentos e quarenta e ainda suportam isso porque não têm outra alternativa? É difícil dialogar com alguém que parte da premissa que apenas critico a Igreja Católica. Além de ateia, passando por intolerante, ainda sou do Bloco de Esquerda. Para a próxima vez que entrar num post meu venha munido de um crucifixo e água benta. Pode ser que um exorcismo ajude.

      2. Não vi por aqui…mas posso ter falhado a Leonor indignar-se com os 10 milhões pras comemorações do “centenário” desta republica!
        Certo? Certo!

        1. Certíssimo, pode procurar à vontade, não vai encontrar porque não o fiz. Para a próxima envie-me uma lista dos assuntos a que me obriga a indignar-me. Agora até o direito à indignação tem de ser etiquetado e funcionar de acordo com os desígnios de alguns comentadores. Só falta ter de pedir desculpa por me indignar com os devaneios da igreja católica.

  2. Olá, Leonor! Concordo inteiramente consigo em achar pura e simplesmente ridículo e despropositado mais este devaneio da igreja católica, que se propõe gastar uma soma muito considerável num ‘decor’ para uma cerimónia que durará apenas 1 ou 2 horas. Não corresponderia aos ideais de um espírito mais cristão e mais justo o tentarem juntar essa quantia para algo de mais palpável e útil como, por exemplo, distribuí-la exactamente pelos mais pobres e carenciados que, actual e infelizmente, são cada vez mais?
    É certo que a igreja católica tem iniciativas muito louváveis, mas também é verdade que muitas vezes, perde a noção da realidade e tem extrema dificuldade em adaptar-se aos novos tempos, julgando que ainda estamos no Renascimento.

  3. Concordo inteiramente, Leonor. É imoral esta soma gasta assim, para crente ver e engolir em seco. Cada vez entendo menos esta feira de vaidades.
    Perdoai-lhes, sim, porque sabem muito bem o que fazem.

      1. Também eu. A Igreja deveria ser a primeira a dar o exemplo de simplicidade e despojamento, sobretudo numa época tão dura como esta. Lamento que não entenda isso, porque estas atitudes são sempre alvo de críticas justíssimas e ensombram tudo o que de bom está associado ao seu nome.

  4. Leonor

    Voltou em força e em grande forma! Muito bem, muito bem, muito bem!
    Uma coisa é dignidade, outra é “isto”. E o pedido de tolerância de ponto, numa altura de crise, a bem dizer também não é lá muito “católico”. Um abuso digo eu. Espero bem que a separação da igreja do estado seja assumida.

    1. Estive a tomar balanço 🙂
      Por incrível que pareça, hoje dei por mim a pensar que o que nos vale é o Sócrates que é contra estas ‘coisas’. Assustador, Maria do Sol.

      1. Devolvo-lhe a sua resposta: 200.000€, para os quais não vai contribuir nem com um único cêntimo, para uma cerimónia que não lhe interessa? Pode sempre ignorar e não escrever (neste caso)!!!

        1. É muito bom olharmos só para o nosso umbigo. A cerimónia pode não me interessar mas interessa-me que sejam esbanjados 200 mil euros pela Igreja Católica, que se devia preocupar mais com o próximo, numa altura de crise. Podiam aliviar muita gente que vive momentos de grande aflição para conseguir sobreviver. E lamento, não consigo ignorar.

          1. Já agora, então, que valor seria tolerável este evento? Tomamos como o base o quê? A visita do Chavez? A hospedagem do Fidel em Belém? O acampamento do Kadafi? Hitchens na Casa Fernando Pessoa? Na realidade, o Chefe de Estado Papa Bento XVI deve ser muito menos que essas pessoas… Porquê dar-lhe essa dignidade?!?!

          2. Nenhum, valor nenhum. Uma vez que se trata de uma instituição que apregoa o desapego aos bens materiais não seria nada de mais se fosse mais comedida, mas isso implicaria um despojamento que a Igreja Católica desconhece. Não me parece que a dignidade seja medida pelo esbanjamento. Faz me lembrar Almeida Santos há uns anos que também veio com essa da dignidade quando os excelentíssimos deputados deste país se aumentaram, ou coisa que o valha. E pelo que refere, apenas o dinheiro gasto com Chavez , Kadafi e Fidel o incomodam. A mim incomoda-me todo o esbanjamento e pompa, da esquerda à direita, o que se gastou com o Tratado de Lisboa foi mais uma vergonha. Há falta de pragmatismo e consciência social, ainda mais grave se tivermos em conta o momento difícil que o país atravessa.

  5. Não tenho grande pachorra para este aviso, mas não vou permitir (como nenhum dos co-autores do DO) comentários inconvenientes e indecorosos. Tratando-se de uma senhora, nem sequer tolero a brejeirice baixa e despropositada.

    Fica feito o aviso (como se fosse necessário), porque já estou cansado de andar aqui de lápis azul. Mas não vou desistir, «editor69» e companhia.

  6. Falar de alto sem conhecer do que se está a falar é uma tristeza… Parece ser apanágio de alguns “intelectuais” de esquerda…
    Antes de se pronunciar em dislates contra a Igreja e os católicos, informe-se do que a Igreja e os católicos fazem no apoio aos mais desfavorecidos. Já não se lembra do apoio que o próprio Sócrates foi pedir à Igreja Católica para que se tentasse minorar os índices de pobreza que existe actualmente em Portugal – e que, curiosamente, os desmandos do governo dos últimos tempos ajudaram a subir…?

    1. Não sou um “intelectual de esquerda” e estou farto de defender o papel essencial e sem paralelo da Igreja no mundo (o que já provocou alguns debates com a autora deste ‘post’).
      Nada disso, porém, me deixa tão cego que me impeça de perceber o certo e o errado (nem que seja por mera e legítima opinião). Por isso, só não lhe respondo à letra porque não mantenho debates com anónimos. E também porque a sua linguagem não me parece cordata (o que, ainda por cima, não joga com a elegância dos textos da Leonor Barros).

      1. Por alguns comentários feitos aqui só me deixa uma coisa a dizer: fanatismo religioso… A religião cega. Faz-me confusão como é que numa altura destas, ainda há quem apoie um gasto de 200 mil euros quando seria mais sensato gastar esse dinheiro em outras “obras” essas sim muito mais importantes e urgentes… Também convenhamos, o que são 200 mil “euritos” para essa multinacional que é a igreja católica !?

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