DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Adolfo Mesquita Nunes: «Não podemos controlar o que sentimos. Podemos treinar-nos na domesticação – nem sempre pelo medo – do que sentimos, e podemos até, com sorte e engenho, aclimatar-nos a um estado de constante alerta. Mas não vale a pena perder tempo em terrenos onde a liberdade ainda não existe e a derrota é certa. O que fazer desses sentimentos, como reagir ou dar-lhes seguimento, aí sim estamos no terreno da escolha. E é aí, só aí, onde a liberdade existe, que a moral começa e a confissão encontra justificação.»

 

José Maria Gui Pimentel: «O que o relatório do FMI defende não é austeridade: é reforma do Estado. Embora o efeito de ambas no curto-prazo seja o mesmo — recessão — não são de todo a mesma coisa. Austeridade são as medidas temporárias que o Governo entende tomar para fazer face a um ciclo adverso; disto são exemplo os “brutais” aumentos de impostos, ou os cortes nos subsídios (se se admitir que são temporários). Já Reforma são as medidas de reestruturação do Estado: permanentes e, mais importante do que isso, inevitáveis. Isto porque se toma essas medidas com a noção de que o Estado, tal como está, é insustentável.»

 

Luís Menezes Leitão: «Analisando este texto bíblico a conclusão parece-me evidente. O Governo de Passos Coelho é a estátua que está assente numa coligação de pés de ferro e de barro. Como o ferro não se mistura com o barro, a estátua cairá à primeira pedrada que surgir, com o desfazer da coligação e o fim do Governo. E prevejo que a pedra que for atirada, se calhar já nas autárquicas, dará origem a um novo Governo que terminará com a passagem da soberania deste reino a outro povo. Afinal de contas o destino deste Governo já está profetizado no trecho da Bíblia que Passos Coelho citou.»

 

Eu: «Território onde implacáveis coronéis das roças casavam com respeitosas senhoras de sociedade mas conviviam afinal com “damas moças”, sempre sem questionarem a sacrossanta instituição do matrimónio, esta Ilhéus de Gabriela (que era a da infância e juventude de Jorge Amado) constitui um microcosmos de uma certa época, marcada pela hipocrisia das convenções sociais que só eram respeitadas na aparência. Que isto seja feito de forma implacável mas também divertida, em excelente português, graças a um naipe de talentosos actores bem dirigidos, e com um roteiro de qualidade, basta para explicar a popularidade deste telerromance, eficaz cruzamento de folhetim camiliano com um manual de sociologia política.»

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