DELITO há dez anos


Pedro Correia,

21523202_SMAuI.jpeg

 

João André: «Portugal foi assolado pela tempestade e o caos apareceu. Pelas redes sociais notei que muitos começaram a dizer que era um país do terceiro mundo, que bastam umas chuvas e um vento mais forte e a infraestrutura vai abaixo. Discordei sempre que vi essas opiniões. Qualquer país sofreria com mau tempo extremo. Há uns anos caiu aqui na Holanda um nevão forte seguido de um degelo parcial e de novo congelamento e neve. Devido a isso ficaram algumas localidades sem água, luz e gás. Terceiro mundo? Não, apenas clima.»

 

José Navarro de Andrade: «Ali está, em rapazinho, o homem que conheci nos primeiros anos deste século, já de cabelos brancos. O que esta foto tem de especial é que resume num instantâneo, tudo, mas tudo, o que foi Angola para quem nasceu nela portuguesa. Se lerem a auto-biografia concisa e certeira que o Etiano nos legou, talvez concordem que é uma imagem absoluta. Obrigado Etiano Branco.»

 

JPT: «2012 foi o ano em que morreu o meu pai. Assim, sem mais, deixando-me esta papaia na garganta a qual não há maneira de escorregar, e já correu um ano inteiro. Depois, meses depois, morreu o meu sogro. De repente, inesperado. A devastar a Inês, a alquebrar-me. Velhos já, octogenários, idosos como se diz dos burgueses – ambos “senhores engenheiros”, daqueles dos anos em que “engenheiro” era engenheiro… Por isso, por acabrunhados sem o dizer, por doridos, este Natal, esta quadra, mudámos, cedemos, voámos para a família, para o frio, para o nosso Portugal, lamentando toda esta década e meia de vida dos nossos mais-que-queridos que perdemos, e como se assim recuperássemos algo do irrecuperável, dos nossos mais-velhos que não mais veremos (ou só em sonhos, como hoje, na sesta, raisparta, a acordar para as lágrimas, esquivas, do desencanto).»

Um comentário em “DELITO há dez anos”

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *