
José António Abreu: «Há pessoas com quem não nos apetece estar. Não lhes temos ódio ou qualquer outro sentimento “forte”. Há apenas algo que nos retrai e afasta delas. Consideramo-las frívolas ou tagarelas ou demasiado carentes. Mas por vezes, depois de, contrariados, termos passado algum tempo com elas (num almoço ou num jantar, num encontro fortuito na rua ou num café, numa reunião familiar) surpreendemo-nos ao chegar à conclusão de que não custou tanto como temíamos e de que até apreciámos aqueles instantes. Reconhecemo-lo com uma vergonha ligeira, pela injustiça que cometemos, mas também com um pouco de má vontade, pela cedência a que somos forçados: é desagradável que pessoas de quem decidíramos não gostar nos mostrem que não tínhamos razões válidas para o fazer. E, por isso, continuamos a não ter vontade de estar com elas.»
Luís Menezes Leitão: «Dizia Maurice Duverger na sua obra sobre o sistema semipresidencial que não se elege um Presidente da República por sufrágio universal para que ele inaugure exposições, mas antes para ele agir. Quando vemos o Presidente da República dedicar este discurso à inaguração de uma árvore de Natal, na altura da maior crise que o país atravessa, ao mesmo tempo que vai promulgar de cruz o Orçamento de Estado mais violento das últimas décadas, temos a sensação de que o País caminha para o desastre.»
