Isto faz-me lembrar alguém


Pedro Correia,

 

Uma polémica biografia de José Luis Rodríguez Zapatero aparece a partir de amanhã nas livrarias espanholas, com chancela da Editorial La Esfera. Intitula-se El Maquiavelo de León e o seu autor é o jornalista José García Abad, director da revista El Siglo de Europa. Ainda antes de ser posta à venda, já está a gerar controvérsia pelo retrato impiedoso que traça do presidente do Governo espanhol, com base na recolha de dezenas de testemunhos, incluindo de personalidades que frequentaram o seu íntimo círculo político. "A biografia mais dura de Zapatero", chama-lhe o diário El Mundo.

Hei-de voltar a falar aqui desta obra. Para já, e segundo os trechos que pude ler no El Mundo, acho interessantíssimos os traços da personalidade de Zapatero, sobretudo por os associar a outro político também chamado José e que bem conhecemos em Portugal.

Algns excertos, para abrir o apetite:

 

– «(…) Me decia um ex ministro: "Com Felipe [González] uno podía tener grandes discrepancias, pero generaba empatia, José Luis no la genera. Si un día cae, nadie saldrá en su ayuda."»

– «Um compañero de la Ejecutiva lo dice de forma más dramática: "Nadie se atreve a contradecirle, pero algún día saldrá toda la rabia, todo el rencor contenido."»

– «Um ex ministro me lo dice de forma más castiza: "Es uno de los personajes que he conocido con un sentido del poder más puro, del poder por el poder. (…) Zapatero te puede decir una cosa y la contraria en el plazo de una semana y sin pestañear."»

– «En el primer debate sobre el Estado de la Nación en el que interviene como lider da la oposición se pasa tres dias estudiando con su equipo de imagen los videos de otros debates para decidir la camisa que debía ponerse, elegir la corbata adecuada y memorizar dónde ponder los enfasis.»

– «Su visión de la politica es cinematográfica, incluso en lo que a las ideologías respecta. Le interesan las marcas, las etiquetas. Se siente sinceramente de izquierdas, pero comulga com la izquierda del glamour, no con la izquierda de la reflexión profunda.»

– «Lo que le importa es quién le da su opinión, no la razón de los juicios que le transmiten. Si quien opina es amigo, las da por buenas. Si se las dice alguien que nos es incondicional, no las escucha, le resbalan.»

– «Zapatero se sirve de un elenco de incondicionales en el que sólo entran unos pocos ministros. Ello explica la baja calidad de su Gabinete, que selecciona a golpe de capricho o de estética.»

23 comentários em “Isto faz-me lembrar alguém”

  1. Pedro, isto para mim é a última das surpresas. Tenho na minha revista um colunista de Espanha que escreve muitas vezes sobre Zapatero (inclusive são de terras próximas, e conhece bem os pais dele). Alguns exemplos estão aqui:
    http://floresta-do-sul.blogspot.com/2007/10/o-pequeno-heri-penteado.html
    Já agora, na crónica da edição de Março, escreve isto: «Séneca dizia que ‘nenhum vento é favorável para aquele que não sabe para aonde vai’. É disso que estamos a padecer em Espanha com o pesadelo Zapatero e o lixo das suas leis contra a vida e a igualdade de direitos de todos os cidadãos, a sua memória histórica, a sua negociação com os terroristas, os seus escandalosos contubérnios que metem polícias, políticos, juízes e fiscais, as suas mentiras e manipulações sistemáticas sobre a crise, tudo só para manter-se no poder, custe o que custar… Zapatero e a sua dívida pública galopante, o seu défice de 12% e sobretudo os seus quase cinco milhões de desempregados. Haverá quem seja capaz de pior em tão pouco tempo?»

    1. Zapatero, com a sua desastrosa gestão da economia, que fez a Espanha bater no fundo, tem pelo menos uma vantagem: por comparação, ao pé dele, alguns outros dirigentes políticos europeus quase parecem verdadeiros estadistas.

  2. Volte, volte, Pedro. Mas, hombre, prepare-se para ter que responder a mais de 50 comentários… e quiçá desta vez também em castelhano.

  3. Una fantastica comparación! Sin embargo, no hay solo un José, pero dos, uno y otro muy esquisitos …
    Se pasa tres dias estudiando…para decidir la camisa que debía ponerse…
    Voltamos ao sentido de estado que nos acompanha há muito.
    Olé!!!!
    De facto, aguça o apetite esta biografia.

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