Durante um par de horas, fui acompanhando, quase incrédulo, as imagens dramáticas que nos chegavam da Madeira após dez horas consecutivas de chuva torrencial. A fúria da água, transportando incalculáveis quilos de lama, transformou ruas, praças e avenidas em violentos caudais que arrastavam tudo quanto surgia pela frente. A Avenida Arriaga, a Rotunda Sá Carneiro, a Rua 5 de Outubro, a Marginal do Funchal totalmente irreconhecíveis. A ponte junto ao Mercado dos Lavradores destruída. Horas de pânico na capital madeirense e também na bela vila da Ribeira Brava. O aeroporto de Santa Catarina fechado, o porto do Funchal também. Balanço provisório da tragédia: 32 mortos. Infelizmente com tendência para aumentar, pois é grande o número de pessoas desaparecidas.
Portugal está de luto. Portugal inteiro? Não: algures no Porto, a meio da tarde, um político fala aos militantes do seu partido, com direito a transmissão directa no canal público de notícias. Pura acção de propaganda, ao jeito a que este político já nos habituou. E que diz ele? Repete que os jornalistas cometeram "crimes" ao divulgar escutas telefónicas. Proclama, como se ele próprio acreditasse nisso, que Portugal "foi dos primeiros países a sair da recessão técnica" e que "podemos esperar crescimento económico já em 2010". Empolgado pela sua própria oratória, afirma: "Aumentámos o défice para evitar que o desemprego subisse." Estranhamente, sem escutar um coro de gargalhadas na sala.
O político a que me refiro é José Sócrates. Insensível à tragédia ocorrida numa parcela do território nacional, teimou em manter o discurso aos militantes do seu partido, como se a hora não fosse de luto. Confirma-se: para ele a propaganda está sempre em primeiro lugar. Nunca conseguirei espantar-me o suficiente com a falta de sentido de Estado deste homem.


Que rumo toma este país?
Fiquei chocado com a insensibilidade do primeiro-ministro. Acabou por decidir embarcar para a Madeira ao fim da tarde, lembrando-se que antes de ser secretário-geral do PS é chefe do Governo. Ainda bem que mudou de ideias, depois de ter decidido que iria apenas o ministro da Administração Interna. Mas reagiu demasiado tarde: ainda falava como líder socialista no Porto quando já havia 30 mortos na Madeira. Chocante.
Realmente, Pedro, não se percebe a falta de tacto. Chega a ser surreal.
Cada vez mais desligado da realidade, Paulo. O problema não é só dele, infelizmente. É um problema do País.
Duma coisa assim, só me lembro de Heysel Park, mas aí, perdoa-se, creio que as pessoas não tiveram noção da tragédia.
Levei este post para o FB.
E levaste muito bem.
Sobre a falta de senso das suas (dele) palavras, sugiro que sisite o post
http://domirante.blogspot.com/2010/02/co nfio-muito-em-mim.html
O mais grave é que ele parece acreditar naquilo que diz. Assim nada o parará de continuar com o freio nos dentes.
Um abraço
João
Inqualificável!
«Insensível à tragédia ocorrida numa parcela do território nacional, teimou em manter o discurso aos militantes do seu partido, como se a hora não fosse de luto.»
Olhe, Pedro, eu julgo que esta sua “especulação” sobre a sensibilidade do PM é absolutamente doentia.
E eu julgo que “hmbf” é um esconderijo absolutamente doentio. Pelo que disse, não admira.
Criticar o primeiro-ministro é «doentio», Henrique Fialho? Já chegámos a este ponto da «argumentação» política.
A culpa da tragédia da Madeira só tem um nome: Sócrates.
O disparates têm sempre aqui um nome: “bohren”.
No further comments, Pedro.
Pode realmente ter havido uma noção real e exacta do sucedido, menos cuidada ou informada, mas creio que o mais apropriado será analisar a situação e tentar acudir a todos os que foram afectados. Partidarizar isto, é um erro crasso. É insensível e desumano até.
É triste o aproveitamento que já se faz, nas tv´s, de gente que só ganharia em estar calada.
O homem até já lá deve estar a chegar…
O ano passado fui lá duas vezes e pude fazer muitos quilómetros, em passeio, para conhecer o máximo possível. Vi muito e trouxe umas largas centenas de fotografias, felizmente.
Recordo-me de ter feito um comentário com as pessoas que me acompanhavam, de que se um dia lá houvesse um temporal daqueles que vemos nos filmes, ou que só acontecem nos outros países, aquilo não tinha ponta por onde se pegar. Porquê? A ilha não tem quase nada a direito, aquilo é tudo a subir e a descer. O local mais plano onde me lembro de ter andado é na marginal do Funchal. Uma chuvada nas zonas mais altas é fácil de ver que a água vem por aí abaixo. Por mais que se faça, por mais que se limpe, por mais que se previna, é impossível evitar o que se viu hoje.
Não vamos crucificar ninguém, mas ajudar agora a resolver.
Até o coitado do Presidente Alberto João, por quem eu não nutro grande simpatia, hoje estará a passar um dos piores dia da sua vida autárquica, mas acima de tudo, como filho da Madeira.
Solidarizo-me com a sua angustia e com todos os que estão neste momento a sofrer.
É esse precisamente o meu ponto, Tó Zé. Apreciei o registo sensato que aqui nos deixou.
O homem não é autarca. Eu queria dizer da “sua vida política”.
Raio partam o alemão….. irra
Quem deve estar a passar “um dos piores momentos da sua vida autárquica” é Miguel Albuquerque… Já ouvi chamar muitos nomes a Alberto João Jardim e ao governo da RAM, mas esse nunca 🙂
Dei pela calinada, antes do seu comentário.
Obrigado.
Mas tenho que pedir desculpa aos autarcas deste país.
AJJ tem um comportamento pior que muitos presidentes de junta (presidentes de junta, as minhas desculpas também)
Tiraste-me as palavras da boca, compadre. Até o ministro da Administração Interna, em vez de seguir para lá, foi primeiro buscar o primeiro-ministro ao Porto, onde este ainda não tinha concluído a publicidade.
Os votos antes dos mortos. Depois querem mobilizar as pessoas para a política.
Se a tragédia tivesse ocorrido em Lisboa, capital de votos socialistas, o comportamento de Sócrates seria diferente.
No entanto, ocorreu na Madeira, essa ilhota que vota obstinadamente num tipo que não abona os resultados eleitorais de Sócrates.
Pode ser coincidência, claro. Como todos os casos que envolvem Sócrates. É um azarado das coincidências.
Declaração de interesses, nunca votei nos Socialistas, excepto nas eleições Presidenciais para o Dr Mário Soares. O político que mais admirei foi o Dr Francisco Lucas Pires, de quem muita saudade tenho.
Este post diz muito de vocês.
Mesmo o Portugal dos Pequeninos foi capaz disto:
http://portugaldospequeninos.blogspot.co m/2010/02/saudacao.html#links
Daí eu concordar com o Dr Pedro Arroja no Portugal Contemporâneo, este post diz muito do que nos impede de sermos grandes:
http://haloscan.com/tb/pcontemporaneo/42 26411354067475303
E por fim as minhas desculpas se por acaso se sentirem ofendidos, é que vos considero acima dos medíocres e fazendo parte do pequeno núcleo de blogues de esquerda, centro e direita que vale a pena seguir
Quem deve desculpas é o primeiro-ministro. A ele próprio e ao País.
Os votos antes dos mortos? Isto desqualifica-o completamente.Voce e que quer utilizar os mortos como arma politica. E esta tentar lancar mais uma campanha miseravel contra o PM!
Não se preocupe que ninguém lhe vai pedir contas pelo que anda a fazer no lugarzinho que lhe arranjaram. Porque ninguém sabe quem V. é.
Escusa de vir com essa linguagem de agarrem-me-senão-vou-me-a-ele que não me intimida minimamente. Continuarei a criticar Sua Excelência o Presidente do Conselho e a sua lamentável falta de sentido de Estado quando e como entender.
Indignação…
Foi tal a insensibilidade
nestes momentos tão aflitivos
de quem tem responsabilidade
nos comandos governativos.
Num lamaçal conspurcado
e de cheiro pestilento
ficou assim demarcado
um sossego purulento.
(com o respectivo “link”, claro)
a propaganda não pode parar, está programada e custa os olhos da cara… quer dizer, custa-nos os olhos da cara.
Compreendo essas questões logísticas, Daniel. Mas neste caso alguém devia ter dito que hoje não haveria sessão partidária. Uma atitude que só poderia ter sido tomada por quem manda: o secretário-geral.
Paulo Rangel foi entrevistado, a meio da tarde, em Coimbra, salvo erro, e nem uma palavra sobre a Madeira.
Não será também no mínimo estranho?
No encontro do PS, fez-se um minuto de silêncio. Ninguém viu isso?
Estou a basear-me pelos 1ºs 45 minutos do jornal da TVI.
Ainda bem que estranha. Eu também: todas as actividades de âmbito partidário deviam ter parado no País mal começou a conhecer-se a dimensão da tragédia na Madeira. Mas não comparemos PRangel com o primeiro-ministro, que tem responsabilidades acrescidas pelas funções que desempenha. A atitude dele foi a mais chocante: devia ter anulado a sessão partidária, pura e simplesmente.
Aproveito para agradecer a observação que fez ao meu 1º comentário.
Aceito que sim, Pedro. Deveria ter olhado para o País, primeiro.
Quanto a Rangel, desculpe, mas o “génio” político que muitos fazem dele, OBRIGA-O a isso e muito mais. Ainda por cima, a Madeira é da cor dele.
Imperdoável.
Registo as palavras de apoio e solidariedade de Sua Excelência, o Sr. Presidente da República e de Jerónimo de Sousa.
Mais ninguém.
Não devia haver jornalistas disponíveis, pois….
Pedro: ocrates-diz-que-governo-tudo-fara-para-a poiar-vitimas-e-minimizar-estragos_14236 16
O seu comentário, parece-me perfeitamente descabido, tendo em conta que (e cito) “José Sócrates fez também questão de salientar que já falou com o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, que partirá de avião para a Madeira logo que as condições climatéricas permitirem que aterre nesta região autónoma”. Ver:http://publico.pt/Sociedade/madeira-s
Cumprimentos.
Assinalada a (respeitável) divergência, Francisco. Noutro dia qualquer, sobre outro tema, haveremos de estar de acordo. Como já estivemos noutras circunstâncias.
Agradeço e retribuo os cumprimentos.
Francisco Clamote, a notícia é imprecisa: Sócrates já falou com o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, que partirá de avião para a Madeira logo que as condições climatéricas permitirem que aterre e depois de ir buscá-lo à sessão partidário no Porto…
Quantos políticos suspenderam hoje as suas actividades para “fazerem luto”?
Aliás, quem ouviu as declaraçóes do AJJ, cerca das 18h, deve ter notado o desagrado pelo facto de o PM ter decidido ir in loco, depois de confirmada a reabertura do aeroporto do Funchal ao tráfego, manifestar o seu apoio e solidariedade à população da Madeira, ao contrário do PR que aguarda que as coisas estejam mais limpinhas para não sujar os sapatos. Como disse Pombal, “Tratem-se dos vivos e enterrem-se os mortos!”. Tudo o mais é pura hipócrisia.
Eu já nem “ia por aí”. O PR não vai lá fazer nada.
O 1º Ministro sim. Vai inteirar-se da situação para poder decidir e agir em conformidade. Eu espero sinceramente que o faça.
Não deixa de ser irónico, a “guerra” que foi para a aprovação de 50 milhões de euros a dar à Madeira e agora hão-de ir esses e muitos mais.
O seu comentário, pelo contrário, não tem nada de irónico, acho que, no mínimo, mostra mesquinhez. Comparar os 50 milhões que não se sabe onde iriam ser aplicados (ou até se sabe) com o que se vai gastar nesta catástrofe. Enfim não merece muitos comentários.
Caro(a) VM,
interpretou-me mal, certamente.
Eu não estava a ironizar.
Só constatei que não deixa de ser irónico, tanta discussão que houve por causa de 50 milhões e agora irem, ESPERO QUE SIM, muito mais que isso para recuperar dos estragos.
Portanto não vejo onde possa estar a mesquinhez…
Ok, foi uma deficiente interpretação da minha parte, pois pensei ver uma tentativa de ligação entre uma situação e outra, que, quanto mim, não existe. A discussão pelos 50 milhões era (é) necessária. Neste caso penso que não há dúvidas independentemente do montante. São situações completamente diferentes, não comparáveis. Mas para ver que percebi o seu ponto de vista aqui vai uma situação, também ela irónica, “o homem gasta tantos milhões à procura de água em Marte, quando existe tanta cá na Terra”. Irrelevante, não é ?
Sócrates é um insensível… curiosamente vi-o primeiro lamentar a tragédia na Madeira do que o Califa lá do sitio! Vi-o quase 2 horas depois, de papo inchado, recostado nas instalações da protecção civil.
Não sei o que terá sido mais estúpido: manter o comício do Porto ou fazer um post como este…
O Califa da Madeira agora precisa da ajuda de todos, incluindo dos cubanos (continentais)… como não deu largas à sua parvoíce, este blog prestou-lhe o serviço.
Mas enfim… parece que no dia em “Deus nosso Senhor” distribuiu a inteligência, nem todos estiveram lá com o resto de nós.
A seriedade é uma qualidade rara por aqui…
Nem precisava de ter assinado. O seu estilo é facilmente reconhecível, PM. Um animal feroz.
Brilhante caro Pedro.
Concordo absolutamente. Assim se vê as prioridades de quem nos governa. Lamentável.
Este aproveitamento é doentio, vergonhoso e, parece-me, mal intencionado. Estivesse o Pedro melhor informado sobre as horas a que o PM falou sobre o assunto, e o que disse, e escusaria de passar por esta vergonha. Mas percebo-o: de facto, os jornais não ajudaram.
Escutei-o na RTP N, a falar no Porto. Enquanto os outros canais focavam naturalmente a tragédia na Madeira. Se quisesse usar as suas palavras, diria que achei doentio, vergonhoso e – pareceu-me – mal intencionado que falasse àquela hora em questões politico-partidárias. Mas prefiro usar a minha própria terminologia: achei indecoroso. Ponto final.
Escutou-o tarde. Já antes o PM tinhas falado da Madeira. Não cronometrei, mas sei que a contagem de mortos ia nos 10, logo deviam ser umas 15:30. Penso, aliás, que o PM foi o primeiro a referir-se ao assunto, antes até do MAI.
Ó Paulo, estamos a falar de coisas diferentes. O meu ponto é este: dada a dimensão da tragédia, que já era mais que perceptível àquela hora, ele devia ter anulado a reunião partidária dessa tarde. Ficou-lhe mal, a meu ver, não ter tomado essa decisão. Pior ainda ficou na fotografia quando um canal televisivo amplificou essas declarações dirigidadas aos camaradas de partido, em perfeito contraste com o sentimento de consternação nacional. Totalmente fora de tom.
O MAI já tinha anunciado que iam, os 2. A viagem estava a ser coordenada. Não podiam levantar logo. Um PM não sai assim a correr de avião para uma zona com a meteorologia naquele estado. Era uma questão de espera. Tendo em conta a situação política actual, e as exigências desta, aceito que a escolha do PM fosse a que foi. Ficaria melhor no retrato armar um show de melodrama por meia hora, daqueles a que Paulo Portas não resistiria? Depende da audiência. Para mim, não ficaria.
Nada de melodrama. Mas nada de politiquice também. Nada de política partidária a partir do momento em que passou a conhecer-se a real dimensão da tragédia. Contenção, numa palavra. Contenção.
Não se abespinhe, Paulo Querido. O papel do primeiro-ministro era anular a acção partidária, manter-se no seu posto, acompanhar a situação, tomar decisões e coordenar as primeiras medidas. E falar ao País sempre que necessário – não falar ao partido no Porto sobre minudências que já ninguém está para ouvir.
não é ao pm que cabe coordenar o esforço. como o ministro bem disse a competência de coordenação é da região autónoma!
Ao PM pedia-se apenas respeito pelas vitimas. Por isso devia ter cancelado a iniciativa do PS que estava marcada e onde discursou como se nada acontecesse. Nada mais a acrescentar.
Paulo, um link do post do seu site, aqui, parecia-me oportuno.
Parece-me uma excelente e acertada análise do timing deste dia…
Peço desculpa mas acho que quem está a passar uma vergonha é você. Este comportamento do PM é doentio.
Um post completamente descabido, só e basta !!!!!!!!
Ena tantos pontos de exclamação. Vossa Excelência não se excite. Prometo que hoje não voltarei a criticar o Presidente do Conselho.
Essa do “Presidente do Conselho” até parece que o Pedro tem saudades das Conversas em Família…
Podemos criticar o facto de o Sócrates não ter mandado parar Portugal e ir de imediato para a Madeira, correndo o risco, como se sabe, de não conseguir lá chegar… Mas, embora em actividade partidária pareceu-me, mas desculpe pq eu só vi a Tv entre as 17 h e as 18h30, exactamente a Tv pública, RTP1, e ouvi as declarações do Sócrates PM sobre a tragédia que afectou a RAM, num intervalo daquilo que a apresentadora disse ser uma emissão especial sobre os acontecimentos na Madeira.
Exceptuando o PR que entretanto fez uma comunicação ao país, tardia e muito provavelmente pressionado pela decisão do PM de ir à RAM, não ouvi mais nenhum lider partidário falar sobre o assunto.
Aliás, ouvi o candidato a Presidente do PSD, P. Rangel falar, com aquele seu novo estilo pausado e arrastado de seminarista, limitando-se a atacar o Sócrates e nem uma palavrinha para o correlegionário AJJ ou para os madeirenses.
Sobre a caça aos votos e propaganda num momento tão funesto, quem quiser que oiça com atenção às declarações do AJJ e está tudo dito…
Apetece-me chamar-lhe Presidente do Conselho sempre que chega a brigada dos defensores de Sua Excelência que não tolera que Sua Excelência seja alvo de críticas.
Para vossa informacao nem sequer vivo em Portugal e nao preciso do governo para nada! Mas se acham que “os votos estao antes dos mortos” e fazer oposicao leal e nao ofende a sensibilidade dos outros estao muito enganados. Principalmente para quem passa o tempo obsessivamente a criticar o PM por falta de etica e desrespeito pelos outros. Isso e pura hipocrisia. Estando longe de Portugal sigo mais frequentemente a blogosfera. E sinceramente tenho pena que dois dos melhores bloggers portugueses (sem favor), num dos melhores blogs portugueses (sem favor),percam completamente a razoabilidade quando criticam o PM.
É a sua opinião. Respeito-a sem contestar. Mas acredite que me senti chocado quando fiz zapping e vi, num canal televisivo, que o PM dedicava o seu tempo e as suas energias a falar sobre questões de política partidária, aos militantes do PS no Porto, quando já havia tantos mortos na Madeira. Fosse qual fosse o PM que procedesse deste modo teria a minha crítica frontal.
Para sua informação, retiro o que lhe disse sobre o “lugarzinho”, mas foi irresistível, Mário.
O primeiro-ministro não esteve à altura do momento. Faltou-lhe realmente sentido de Estado e, mesmo que já se tivesse pronunciado sobre a catástrofe e decidido a partir para a Madeira logo que possível, fica sempre a ideia de que aproveitou o tempo disponível para não estragar o seu momento de glória partidária.
O seu papel devia ter sido anular o programa e recolher-se. No mínimo, para aquele normal “acompanhar a situação”, tomar decisões e coordenar as primeiras medidas, para partir logo que possível, sem que tivessem de ir buscá-lo ao Porto.
Nestes momentos se vê a estatura de um primeiro-ministro. Ou a falta dela. Seja ele quem for.
…”Até o ministro da Administração Interna, em vez de seguir para lá, foi primeiro buscar o primeiro-ministro ao Porto, onde este ainda não tinha concluído a publicidade”
Quanta distorção, quanto falar alto sem ver onde vão cair as palavras. Por acaso, sabe, a partir de que hora, foram permitidos vôos para o Funchal ?
Imagine que o MAI partia de Lisboa num Falcon e que o PM, pq por mera casualidade estava no Porto, requisitava o outro Falcon… era um fartote, e com alguma razão, para a 4.ª coluna se jogar ao Sócrates… de qq maneira, faça o que fizer não lhe vão dar descanso, umas vezes com razão outras sem ela.
Como deve saber, este é um blogue onde José Sócrates já foi muitas vezes defendido e elogiado. Eu próprio o fiz, em várias circunstâncias. Mas hoje, repito, fiquei chocado por ele não ter anulado a iniciativa partidária desta tarde no Porto. Àquela hora já se sabia que o País – ou uma parcela importante do País – estava de luto. Havia que pensar nisso, e só nisso.
Se o secretário-geral do PS tivesse adiado essa reunião partidária, em vez de o criticar, eu estaria aqui muito provavelmente a elogiá-lo.
Hevel, por acaso sabe quantos primeiros-ministros teriam mantido a sua dispensável e inconsequente acção partidária longe do seu centro de decisões só por não poderem voar imediatamente para o local da tragédia? Eu digo-lhe: certamente, só um (o nosso).
O homem viajou logo para a Madeira.
E segundo, fala da tv pública, acredite que foi a primeira a dar motícias sobre o que se estava a passar…
Nada a apontar à TV pública. Excelente emissão, parcialmente em cadeia com a RTP Madeira, muito bem conduzida pela Alberta Marques Fernandes.
Ricardo Ferreira, o homem não viajou logo para a Madeira. Não podia. E até estava no Porto a explicar os milagres da sua governação. Certo?
O homem esperou que o aeroporto do funchal reabrisse
Certo?
Nem por isso. Depende do avião que utilizou, porque não é a mesma coisa esperar por um voo comercial ou viajar num avião militar. Além disso, estava “ocupado” e tinham de ir buscá-lo ao Porto.
O Falcon esperou não pela reabertura do aeroporto mas pela reunião do PS no Porto, que o secretário-geral do partido entendeu não anular. spx?contentid=ADE3C19C-912A-426E-9187-3F 4E0EC3C3EE&channelid=00000009-0000-0000-0000-000000 000009&h=3
Ler aqui:
http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.a
Espero que o Ricardo Ferreira se sinta finalmente esclarecido.
Pedro Correia, já deve ter percebido que esta romaria de comentadores desabridos é um puro cumprimento. Só prova que tocou na ferida. Mas afinal a caravana anda sempre atenta. E guina em fúria para onde há fogo na blogosfera , nem que seja sob a forma da ‘chama’ de um simples post.
Você está coberto de razão. Este PM devia ter parado tudo, se tivesse um mínimo de decência. Não é demagogia alguma, é a verdade que dói.
Aliás, a verdade que dói vai mais longe. Porque nem era preciso a desgraça da Madeira para que a agenda do PM fosse reprovável. Ele devia – isso sim -, era estar em S. Bento a trabalhar afincadamente para o país, tal como exige a situação gravíssima em que se encontra.
Em vez disso, hoje – como nos últimos dias e nos muitos que hão-de vir -, S. Exa dedica 100% das suas energias a garantir a única coisa que lhe importa: o domínio sobre o rebanho do partido socialista.
Chloé, a sua habitual lucidez, mesmo nos momentos em que discordamos, é sempre uma lufada de ar fresco quando o ambiente se torna irrespirável. Quando se gosta “excessivamente” do primeiro-ministro, parece razoável que se fique calado por ele não ter actuado à altura do exigível, mas vir defender o indefensável num momento de tragédia é insuportável e doentio. Tão insuportável e doentio quanto a prioridade que ele deu à sua agenda do dia.
Qualquer primeiro-ministro, fosse ele quem fosse, mereceria esta crítica pela falta de sentido de Estado neste momento especial. Ao contrário e precisamente por ser um momento especial, qualquer primeiro-ministro, Sócrates incluído, teria merecido aqui palavras elogiosas se tivesse sabido estar à altura.
Viva, Chloé. A táctica é velha – e muito usada em Itália por ‘spins’ de Berlusconi: o uno torna-se múltiplo graças ao milagre da proliferação de pseudónimos para dar a ilusão de que constitui uma corrente “maioritária” e representa a “opinião pública”, sob o lema genérico “O respeitinho é muito bonito”, investindo à mínima referência crítica contra o chefe do Governo, onde quer que surja.
Sempre em tom intimidatório. Para pôr o pessoal em sentido. Vem em qualquer manual do ramo.
Isto é apenas um blogue com 13 meses de vida. Agora imagine-se o que pode passar-se numa rádio, num jornal ou numa televisão. Em Itália deu no que deu. Em Portugal, felizmente, somos muitos a querer que não dê no mesmo.
Obrigado pelas suas palavras.
Pedro, sinceramente esta dos pseudónimos não entendi.
Espero que não tenha dúvidas sobre o “meu”.
Podia admitir que este seu post, pecou pela antecipação, tendo por isso ficado completamente despropositado, como aliás, admitiu quando concordou com o que eu disse.
O homem é criticado pelo que não faz e logo de seguida pelo que acabou de fazer a contrapor a crítica anterior.
Já agora, eu gostava de ouvir a sua opinião, sobre as declarações de AJJ, quando pede para não alarmar as notícias que vão para o exterior, porque a região vive do turismo.
Imagino que concordará.
Mas se fosse o PM a dizer isto?
Para que fique a conhecer-me um pouco melhor e não ter tantas dúvidas a respeito do meu pseudónimo, deixe-me dizer-lhe, que a opinião que tenho dos políticos e da política, não é a mais favorável. Este termo é … muito favorável, se é que me entende.
Mas revolta-me assistir a este fenómeno inqualificável que estamos a viver actualmente.
Alguém está a fazer de tudo para que o país fique na merda (peço desculpa), não deixando governar, não querendo que isto avance.
A mim não me interessa se é o Sócrates, se o Joaquim, se o Manel.
Quero é que alguém faça alguma coisa para podermos sair do entulho onde estamos metidos.
E olhe que se o PM tem culpa de alguma coisa, o excesso de parasitas sentados no parlamento bem como psd´s e blocos e cds´s, tem muito mais.
Meu caro,
A seu respeito não há qualquer dúvida. Apareça sempre que quiser: as suas opiniões são sempre bem-vindas, concorde ou discorde do que aqui se escreve.
Sobre a Madeira, lamento mas não consigo dizer mais nada de momento. Conheço muito bem o Funchal, onde tenho muita gente amiga, tudo quanto fui vendo ao longo do dia de ontem deixou-me profundamente impressionado.
Quanto ao primeiro-ministro, nem uma linha a acrescentar nem uma linha a retirar. Agora há que seguir em frente.
Pedro Coreia, não votei e nunca votarei no Socrates. Não gosto do homem. Mas este seu post, enfim… se não é “propaganda em hora de luto”, não sei o que é. Poderia responder-he com o mesmo ar solene e muito indinado e cheio de sentido cívico pomposo do seu post que ocuparia melhor o seu tempo e revelaria melhor sentido de cidadania e solidariedade, se estivesse a fazer qualquer coisa de mais concreto do que fazer posts e responder a comentários (está dispensado de responder ao meu).
E não se importa de deixar de tratar quem discorda de si, e mesmo até quem defende o PM nisto (vaderetro) como se fossem assessores do governo? Essa já é velha, já percebemos todos.
Lamento informá-lo, mas o Governo continuará a ser criticado aqui. Este Governo e o próximo, tenha a cor que tiver.
Se bem que saiba onde moro, em que país resido e quem o governa, fiquei sem palavras.
O seu post, está excelente, tão excelente que é aprovado e desaprovado, aqui em tom de tamanha raiva, que não se consegue esconder que se mexe em ferida aberta.
Fiquei estupefacta e o meu coração ficou de luto também pelo PM que temos, só comparável ao velho Sílvio de quem nos aproximamos a passos largos.
Que sentido de Estado ….
Decerto, também não teve conhecimento formal da situação, quem sabe?
Provavelmente foi isso. Quanto ao resto, MAC, nada de transcendente: sei lidar bem com estas e outras brigadas.
Caro Pedro Correia,
Realmente é uma vergonha !
Onde já se viu ?!
Um político a fazer política…horror !
Acabemos com isso…senão que restará para “os jornalistas” ?
Escrever notícias ?! Safa !!
Post Script – Ontem também foi à Madeira , Pedro ? Ou aguarda para ir acompanhando o Sr. PR ?
1. Sugiro-lhe que leia alguma coisita do que já ficou para trás de si, para que esta caixa de comentários não se torne ainda mais repetitiva.
2. O PR tem na Madeira o que mais ninguém tem, que é a sua própria extensão; o Representante da República tem estado ao lado de Alberto João Jardim desde o primeiro momento, como é devido.
3. Aproveite para começar a pensar duas vezes antes de gravar os seus disparates preto no branco, que só lhe fica mal.
Este caso, Francisco Gonçalves, faz-me pensar como estamos a andar para trás em matéria de seriedade política. Quando caiu a ponte de Entre-os-Rios, outra tragédia que enlutou o País, o ministro Jorge Coelho apresentou de imediato a demissão. Não tinha de o fazer, mas entendeu que a culpa – ainda que em abstracto – não podia “morrer solteira”. Agora, também com o PS no poder, José Sócrates entende não anular uma sessão partidária enquanto se desenrolava a tragédia na Madeira. ‘Politique d’ abord’. Duas atitudes antagónicas, duas épocas diferentes. E esta em que hoje vivemos não é a melhor.
Caro Pedro Correia,
Ao lembrar o “caso” de Entre-os-Rios e a demissão do ministro Jorge Coelho está V. subliminarmente a sugerir-nos que o Presidente do Governo Regional Alberto João Jardim se devia demitir por “responsabilidade política” ?!
Verifico que V. não leu com atenção o ponto 3 do meu comentário anterior. Lastimo.
Não sugiro nada nem cultivo mensagens subliminares: escrevo o que penso de forma transparente. Fui claro e directo: todas as actividades partidárias de ontem deviam ter sido suspensas devido à tragédia na Madeira. José Sócrates, enquanto secretário-geral do PS, agiu mal ao ter mantido a sua intervenção na reunião partidária no Porto, parcialmente transmitida em directo pela RTP. Fiquei chocado com essa atitude, como já referi. Pode não ter sido o seu caso, mas muita gente ficou.
Não é capaz de melhor que isso? Garanto-lhe que sim. Esforce-se um pouco mais, vá lá.
Li ontem este teu post, já a desoras. Quis escrever qualquer coisa sobre isto mas não consegui. A realidade em que vivemos está tão má, mas tão má, mesmo, e agora isto…
À falta de melhor fica isto: acho que a razão está contigo.
Verdadeiramente incompreensível, esta atitude do secretário-geral do PS. Noutros tempos isto não teria acontecido, como digo mais acima. Até que ponto um político consegue ser tão insensível?
Inqualificável este post. Parecem lágrimas de crocodilo as vossas. Respeito pela tragédia da Madeira que é o mesmo que dizer, não misturem as coisas.
Lágrimas de crocodilo, as nossas, e V. é que vem para aqui perorar? Tenha juízo. Eu tenho pessoas que são quase família na Madeira. Não me venha falar de respeito.
Não há lágrimas de crocodilo. Houve apenas uma crítica, legítima e frontal, ao primeiro-ministro que não conseguiu despir em devido tempo as vestes de secretário-geral do PS, optando pelo comício quando já havia dezenas de mortos na Madeira.
Mas você fez bem em mostrar serviço. Espero que seja devidamente recompensado.
Pedro, todos nós gostamos da madeira, jornalistas ou não, muitos de nós fomos já aquele paraíso, mas por favor, politiquices, se fulano embarcou porque tal, se o ministro da administração interna precisava de companhia, se, se, se…parece-me um bocado vulgar e excessivo.
Acho que não sou nada, nem ninguém se devia julgar tão cheio de razão, para medir insensibilidades, ainda tendo em conta o facto das noticias de mortos e feridos ter chegado a conta gotas…durante horas as nossas televisões passaram imagens de dois policias a atravessar a tormenta e pouco mais, sendo que chegar ao curral das freiras, levou 24 horas…
Neste momento já estou como o Dr. Alberto João Jardim, não é hora de politiquices, é hora de arregaçar as mangas, ficarmos em frente ao nosso teclado do computador, tecendo considerações e ideias fantásticas sobre, a sensibilidade das pessoas, seja do Sócrates ou de outro qualquer….nem parece seu.
Claro que se o homem fosse a correr para lá de balão, porque os aviões não aterravam e tivesse uma lagriminha no canto do olho, não faltaria quem viesse a correr chamar-lhe falso.
Os Madeirenses não querem saber de rancores agora, querem união, querem as suas casinhas de volta e as suas vidas, já que pelos mortos nada se pode fazer infelizmente.
Temos que estar com os Madeirenses, não ficar relatando os acessórios.
Mesmo eu que admito ter um certo “ódio de estimação ” ao Alberto João Jardim, não consigo deixar de estar com ele, é tempo de tréguas, não se combatem os inimigos nas fragilidades, mesmo quando ouvimos que o plano municipal no que diz respeito ao ordenamento do território não é o mais correcto…
Devem existir mil erros, mas o Homem em geral continua e continuará a errar sempre, porque nunca iremos atingir a perfeição.
O meu ponto é precisamente esse, CR: nada de politiquices.
Caro Pedro,
O que escreve não é incorrecto – embora me pareça que na altura em que Sócrates falava aos militantes ainda não existia a noção exacta do tamanho catástrofe, visto que os números de mortos, feridos e desaparecidos foram aumentando ao longo do dia -, mas a questão é o ‘timing’. Penso que, como muito bem escreveu, é altura de luto – sobretudo para quem se encontra na Madeira, porque eu não posso ter a arrogância de imaginar que sinto o que lá estão a sentir -, e esse luto também não se compadece com este tipo de textos – embora, evidentemente, seja livre de exprimir a sua opinião.
Um abraço.
Caro Carlos,
Quando o PM falou aos camaradas no Porto, depois das 16h, a dimensão da tragédia era já evidente. Ele devia ter metido a política partidária na gaveta ao menos num dia trágico como este.
Ainda bem que me concede o direito de exprimir a minha opinião. É um direito de que não abdico, garanto-lhe.
Um abraço.
Caro Pedro,
Como calcula, não foi minha intenção afirmar que lhe concedia o direito – apenas constatei que está no seu pleno direito de exprimir o que pensa/sente -, embora me pareça – opinião pessoal, claro – pouco adequado fazê-lo neste momento.
Um abraço.
Tudo bem, Carlos. A propósito: parabéns pelo blogue.
Abraço.
Obrigado.
Abraço.
1. O Pedro Correia esperava então que o PM (que se referiu várias vezes à Madeira), não falasse noutra coisa o dia inteiro?
Focar-se num acontecimento que já estava previsto e esquecer todo o resto que foi dito e feito ao longo do dia, é no mínimo imparcial.
2. “foi dos primeiros países a sair da recessão técnica” e que “podemos esperar crescimento económico já em 2010”. Empolgado pela sua própria oratória, afirma: “Aumentámos o défice para evitar que o desemprego subisse.”
Bom.. A saída da recessão técnica está bem patente nos dados do Eurostat. A contenção de uma subida vertiginosa do desemprego é consensual entre os economistas.
Mas isso não chega, quando se vê o que se quer ver, em vez de se ver o que realmente acontece.
Cinco anos depois, V. ainda acredita no que diz este PM. Eu não.
onde é que eu disse que acreditava?
apenas me referi a factos
1. houve varias declaracoes dele sobre a Madeira
2. recessão, são dados do Eurostat
3. o consumo público sustentou a economia (consensual entre economistsas)