Riscos, incerteza, previsões falhadas


Pedro Correia,

«Existem riscos macroeconómicos descendentes sobre a previsão pontual de saldo orçamental para 2023 (-0,9% do PIB). A enorme incerteza do contexto geopolítico, aliada às dificuldades das intervenções dos bancos centrais até à data para domar a inflação, juntamente com a degradação contínua das previsões económicas realizadas por instituições de referência, alimentam dúvidas sobre a plausibilidade do crescimento de 1,3% para o PIB real. Os riscos dominantes sobre esta previsão são descendentes, o que acarreta riscos também descendentes para a previsão do saldo orçamental.»

 

Do relatório da Unidade Técnica de Apoio Orçamental da Assembleia da República, sobre a proposta do OE

(sublinhados meus)

50 comentários em “Riscos, incerteza, previsões falhadas”

  1. “A enorme incerteza do contexto geopolítico, aliada às dificuldades das intervenções dos bancos centrais até à data para domar a inflação,…”
    “…degradação contínua das previsões económicas realizadas por instituições de referência,…”

    Então qual é o país que está a fazer bem? Ou por outra qual é o partido em Portugal que fazia melhor?
    Que eu me lembre este governo ainda não fez nenhum orçamento rectificativo.

    1. O governo das cativações não precisa de «orçamento rectificativo».
      Porque rectifica a cada cativação que vai fazendo. No ano inteiro.
      Cativação, neste contexto, é outro nome para fraude política.

        1. Fraude política é apresentar um Orçamento do Estado com previsões de receitas e despesas adulteradas pelas cativações.
          Fraude recompensada. No caso de Centeno foi generosamente recompensada com o cargo de governador do Banco de Portugal – mais bem remunerado do que o cargo de presidente da Reserva Federal dos EUA.
          https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/salario-do-governador-do-banco-de-portugal-e-superior-ao-do-presidente-da-reserva-federal-dos-eua

          1. Pode ser bem remunerado, mas não chega aos calcanhares do ordenado do Vítor Gaspar no FMI, consta que são mais de 25 mil euros por mês. Este é que foi bem recompensado atendendo a que saiu por incompetência.
            Mas claro que isto não interessa recordar.

          2. Não me diga que me vão tirar outra vez o 13° mês, porra que até rimei.

          3. O ano passado ninguém previu que eu ia receber metade da pensão este mês. Este ano então é só profetas, mas é só para a desgraça.
            Calma, gozemos um dia de cada vez porque o mundo está um bocadinho instável.

          4. Reparou que essa meia pensão, que vai receber este ano, apenas compensa metade do valor comido pela inflação, que este ano está a levar o nosso custo de vida para a hora da morte?

          5. Fraude política é orçamentar receitas e despesas que nada correspondem à realidade. O método Centeno: dar com uma mão o que se tira com a outra. Transformando o Orçamento do Estado numa peça de ficção.

          6. Dito por alguém que pelos vistos ainda vive em1660, até tem a sua graça.

          7. Mas ao menos não pode desperdiçar impostos e por essa ordem eu até pagava bem mais a um CEO do Estado, já que vamos ter um no Ministério da Saúde para arcar com as culpas quando as coisas dão para o torto.
            Limite-se á sua cartilha e não faça eco dela pois normalmente sai asneira, deixe isso para o balio e o jo e as suas tiradas demagógicas e da teta.

          8. Deixe estar para esta gente é melhor adulterar OEs por via de cativações de modo pouco ou nada escrutinado do que apresentar um OE retificativo que efetivamente é debatido. No fundo para este pessoal é melhor fazer as coisas na bruma do nevoeiro do que às claras.
            Enfim a “clubite” e/ou avença partidária assim o ditam, por mais mau e reprovável que uma dada atuação do partido possa ser no final o lema é “tudo pelo partido, nada contra o partido”.

            Mas o mais cómico é ver a forma como esta gente defende que o governo do Passos tomou uma série de medidas extremamente impopulares apenas por desporto ou porque gostava. Não conseguem perceber que a austeridade não é aplicada porque se gosta dela nem que ninguém a faz só porque sim simplesmente porque ninguém quer arriscar tornar-se impopular e perder eleições futuras. A austeridade torna-se algo inevitável quando uma ou mais governações irresponsáveis levam os países a um brutal desequilíbrio financeiro como o nosso querido Sócrates fez. Aliás até foi o próprio Sócrates a chamar a troika quando o país já estava completamente no buraco e sem alternativa para se financiar. Curiosamente nunca se lembram deste pormenor 😉

      1. De 2012 a 2015, tivemos 9 orçamentos rectificativos, com 8337 aprovados pela Assembleia, como é exemplo do de 3 de Outubro de 2014, votado numa “sessão extraordinária do plenário, ás 3:59, do dia 3 de Outubro de 2014, com a presença do secretário da mesa e do líder parlamentar da coligação de governo”, alterado 6 vezes, antes do final de Outubro de 2014.
        É isto que é bom? Aprovar orçamentos ás 4 da manhã, com a presença de 2 pessoas, dando a oposição como abstenção? Basicamente é 1000000 vezes pior que cativações para manter a despesa controlada e não seguir as propostas do IL-PSD-Chega que dariam 78400 milhões de déficit que é preciso cobrir de algum lado… colocar o IVA em taxa fixa de 35%, removendo as outras todas? Pedir emprestado? (ingleses seguiram a ideia do IL e olha… 270000 milhões de libras pelo cano abaixo em 22 dias) Subida do PIB em 6000% ao ano? (inflação de 200% ao mês, como os amigos argentinos que o PSD tanto adorava até falirem 730 vezes, nos últimos 8 anos)
        Não há milagres. E se as pessoas fizessem as contas (e se informassem) não havia tantas parvoíces.

  2. Felizmente temos como timoneiro o próprio fundador da AntónioCosta School of Economics.
    A primeira regra foi emanada há cerca de um ano: “Esta inflação é temporária”.
    A segunda foi há dias: “Não é com a subida das taxas de juro que combatemos esta inflação”.
    Podem já encomendar as faixas do Nobel da Economia para este senhor.

  3. Tudo isto é verdade, e eu creio que até o ministro das Finanças subscreveria: o orçamento está cheio de riscos.

      1. Leia a seguinte, em que o líder do PSD exigiu o fim das ajudas do Covid “porque a inflação será de 0,9% no final de 2022” (declarações de Luis Montenegro, feitas a 19 de Março de 2022, numa visita onde prometeu 7700 milhões de euros para 3 novas auto-estradas para e de Chaves).

        1. Leia o que Costa e Medina anunciaram ao País em Abril: a inflação iria ser “temporária”.
          Foi só há seis meses. Entretanto a inflação subiu quase para 10%.
          Felizmente temos governantes previdentes, esclarecidos e que só falam verdade aos portugueses.

          1. Eles são tão mas tão bons que, pelo facto da nossa dependência do gás russo ser baixa, afirmaram que o impacto das sanções seria muito baixo no preço da nossa energia. Ora das duas uma, ou se esqueceram de que, se os outros consumidores europeus deixavam de comprar o gás à Rússia, passariam automaticamente a compra-lo a outros e que isso levaria a uma maior procura junto dos nossos fornecedores e consequente subida dos preços (são incompetentes), ou então sabiam disso e simplesmente preferiram contar estórias de embalar ao país (são mentirosos). Tendo em conta o ilusionista de renome mundial e “empurrador” profissional de problemas com a barriga que lá está apostaria na 2ª opção.

  4. Quando é que comecam a levantar as sanções à Rússia!! Toda a gente já viu que a Europa na ânsia de ganhar a guerra na Ucrânia vai levar os portugueses para a miséria… Divisão já dá Ucrânia, aquilo nunca foi um país e não vale a pena ir para o fundo do poço por causa deles

      1. Sim, esperem pela divisão da Rússia e da derrota da Rússia na Ucrânia… acho que primeiro ainda sai a Autoeuropa de Setúbal… A adidas já se foi…

        1. Mais cedo do que pensa a saída da AutoEuropa num regime criptocomunista em que liberdades básicas como dar um passeio ou comer-mos o que queremos são postas em causa.

    1. Já cá faltava essa, concordo com o Pedro Correia mais fácil dividir a Rússia , até aos Urais fica para a Ucrânia como compensação de guerra , o resto pode ficar para os USA e para a China.

        1. A minha resposta foi ao anónimo de cima que diz que devemos deixar de ser solidários com o povo ucraniano que luta e morre todos os dias pela nossa parca liberdade.

  5. A UTAO é um caso estranho: parece ser mantida só para que os ministros das finanças se riam na cara dela. Múltiplas vezes a ouvi, nos anos recentes, acusar os Orçamentos de Estado de falta de transparência (por causa de cativações orçamentais que desvirtuam a sua execução e das “cativações de informação” que impedem a sua interpretação). Mas estamos num mundo onde Centeno, popularizando os Orçamentos de Estado que, graças às cativações, já incluem os seus próprios rectificativos, é incensado como génio.

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