1921, Prémio Nobel da Física

Albert Einstein, «pelos seus serviços à física teórica, e especialmente pela sua descoberta da lei do efeito fotoeléctrico».
Este Prémio Nobel da Física será um dos mais dúbios da história deste prémio, não por Einstein não o merecer, mas antes porque a citação teve que esconder os seus méritos. Em 1915, Einstein tinha publicado o seu trabalho sobre a Teoria da Relatividade Geral, a qual continha várias previsões sobre o efeito da gravidade do Sol sobre fotões mais distantes. Em 1919, Arthur Eddington provou esta previsão como exacta assim demonstrando a importância da Teoria da Relatividade Geral. Só que por esta altura a Alemanha, onde Einstein vivia e da qual era cidadão, vivia nos seus turbulentos anos de pós-guerra, onde ser judeu e pacifista (como Einstein) era perigoso. A Alemanha fez então lobby para que Einstein não recebesse o prémio pela Teoria da Relatividade, que era complicada para muitos e como tal fácil de atacar. O Comité Nobel decidiu então que a forma mais simples de o honrar seria através das suas múltiplas contribuições para a Física Teórica (só o seu annus mirabilis de 1905 deveria ser suficiente) e foi mesmo ao ponto de comentar que o prémio não levava em consideração a Teoria da Relatividade, deixando talvez em aberto a possibilidade de lhe entregar o prémio novamente no futuro.
Isso acabou por não acontecer. À medida que Einstein se tornou a maior figura da Física, a mesma começou a mover-se em direcções com as quais ele discordava (Física Quântica). Com o tempo, talvez a entrega de um segundo prémio a Einstein se tivesse tornado embaraçosa. Curiosamente, Einstein não esteve presente em Estocolmo para receber o prémio. Estava na altura no Japão, em grande parte devido ao risco que a sua vida corria.

Boa tarde
Aqui do meu “Chapéus” o meu cumprimento por esta iniciativa.
António Cabral
Obrigado caro António
«a mediocridade é imbatível»
Era de certeza a referir-se a comentários em blogues. E ao blogues em geral.
O conhecimento matemático que é atribuído a Albert Einstein na verdade pertencia à sua mulher, Mileva Marić, e não ao primeiro.
Albert Einstein inclusive apropriou-se do trabalho desenvolvido por Henri Poincaré e Hendrik Lorentz.
A própria teoria matemática e física de Einstein foi amplamente batida por Georges Lemaître, padre Católico, matemático, astrónomo, e físico, que criou a Teoria do «Big-Bang».
Essa sua primeira parte é uma “teoria” múltiplas vezes citada, mas não há quaisquer indicações de assim ter sido. Embora Marić fosse sem dúvida uma excelente estudante e física (nunca teria entrado na Politécnica de Zurique de outra forma) nada indica que ela tivesse conhecimento matemático superior a Eintein (as notas dele em matemática eram melhores). Isto pode vir do mito que Einstein era mau a matemática, o que não era verdade.
Não posso comentar melhor que outros físicos ou quem estudou a História da Teoria da Relatividade. O que vou lendo é que Poincaré, Lorentz e outros terão desenvolvidos várias partes que hoje associamos com a Teoria da Relatividade restrita, mas que a mesma, como teoria completa, foi desenvolvida por Einstein, elaborando o trabalho daqueles. A opinião parece ser que se Einstein não a tivesse formulado, a Teoria da Relatividade Restrita teria aparecido em breve por outro físico.
Já trazer Lemaître a esta história só por piada, confusão (com Hubble) ou por preguiça em procurar as referências. Einstein publicou o seu trabalho sobre Relatividade Geral em 1915. Nessa altura Lemaître andava nas trincheiras da I Guerra Mundial após interromper os seus estudos em Engenharia Civil. Não obteve o doutoramento até 1920 e não começou o seu trabalho em Cosmologia (ou o que seria hoje visto como Cosmologia) antes de 1923.
Aquilo que Lemaître realmente fez foi utilizar várias teorias, incluindo a Relatividade Geral, para chegar à conclusão que o Universo estava em expansão (e aqui de facto antecipou-se a Hubble, mais famoso por esse trabalho). Igualmente compreendeu que se o Universo estava em expansão, teria de ter um ponto de origem, no que mais tarde daria origem ao termo (criado por Fred Hoyle para desacreditar o conceito) de Big Bang.
Verdade que Einstein teve muitas dificuldades em aceitar o conceito, mas acabou por o fazer quando as observações apoiaram a teoria.
O conhecimento matemático que é atribuído a Albert Einstein pertencia à sua mulher, Mileva Marić, e não ao primeiro.
Isto não sou eu que digo ou escrevo, são os especialistas que o confirmam e comprovam.
Para além disso, Albert Einstein inclusive apropriou-se, ou melhor, roubou grande parte do trabalho desenvolvido por Henri Poincaré e Hendrik Lorentz.
Uma vez mais, isto não sou eu que digo ou escrevo, são os especialistas que o confirmam e comprovam.
A teoria matemática e física de Einstein foi amplamente batida por Georges Lemaître, padre Católico, matemático, astrónomo, e físico, que criou a Teoria do «Big-Bang».
E, como já referi, isto não sou eu que digo ou escrevo, são os especialistas que o confirmam e comprovam.
Quanto ao mito sobre o Dr. Albert Einstein, tem razão, efectivamente gerou-se em torno da sua pessoa, do seu conhecimento e trabalho, um mito hiperbólico que teve por de trás uma ampla máquina de promoção e propaganda.
Tome algo para a azia,
Pode acreditar no que quiser relativamente a Marić e à precedência do trabalho sobre a relatividade restrita, mas quanto a Lemaître só se você for louco.
É um facto que a transformação de coordenadas da Relatividade Restrita foi descoberta por Hendrik Lorentz, aliás por isso mesmo é que se chama “Transformação de Lorentz”. Ninguém disputa isso.
Porém, para Lorentz a sua transformação era um mero exercício matemático. Foi Einstein quem descobriu e enunciou o princípio que estava por trás dela.
De certa forma, tal como Planck descobriu os quanta matematicamente mas não lhes deu significado físico, Lorentz descobriu a transformação matemática mas não entendeu o seu significado físico.
A Alemanha fez lobby para que Einstein não recebesse o prémio pela Teoria da Relatividade, que era complicada para muitos e como tal fácil de atacar.
Que teoria tão estranha. A Alemanha, uma país batido e na mó de baixo, fez lobby? Quem, concretamente, fez o lobby?
Onde viu o autor do post esta teoria?
Batido e na mó de baixo, mas ainda assim com algum peso. Neste caso teria mais a ver com o anti-semitismo (que não era – nem é – exclusivo alemão) e com o escândalo que seria se um vencedor do Prémio Nobel fosse assassinado. A verdade é que parecia haver hostilidade a esta ideia.
Li isto num artigo (penso que) no The Guardian, há já uns anos. Talvez esteja a lembrar-me mal. Talvez tenha antes havido pressão britânica para não lhe atribuir o prémio pela Relatividade Geral devido ao facto de suplantar Newton. Talvez tenha sido por outras razões. Não julgo possuir a verdade.
Li isto num artigo (penso que) no The Guardian, há já uns anos.
É preciso ter muito cuidado quando se vê uma fonta inglesa a dizer mal de algo alemão. Há uma inimizade mal oculta entre esses dois países, e os ingleses – que são muito melhores em relações públicas e propaganda – gostam muito de acusar os alemães de diversas coisas más.
Não deixa de ter razão, e por isso fiz essa ressalva no meu comentário. Talvez adicione uma referência para esta discussão no post em si. Obrigado pelo seu sentido crítico.