Aguiar Branco e Paulo Rangel não abdicam das suas candidaturas à liderança do PSD (agravando o fim da amizade que os unia, como na objectiva de Adriano Miranda/Público). Com um congresso extraordinário (e de utilidade misteriosa) pela frente, nada disto é necessariamente definitivo. Parece-me, no entanto, que há uma diferença entre os dois. Se Aguiar Branco vier a desistir, ainda poderá dizer-se que o fará em nome de interesses superiores, que não os dele. Já se for Paulo Rangel a deixar a corrida, a história é déjà vu: Rangel também garantia abespinhado que não seria candidato, horas antes de anunciar a sua candidatura.
Também déjà vu é a viragem de 180 graus três meses após ter declarado com pompa que cumpriria o mandato no Parlamento Europeu para que foi eleito. Mais? Sacrificar uma amizade a uma candidatura é outro caso déjà vu. «A minha candidatura é de ruptura» – diz o ainda eurodeputado. É capaz de ser: de uma só penada, a ruptura foi na lealdade que devia ao amigo.
Pela parte que me toca ao olhar a vida pública, estou esclarecido sobre as qualidades do candidato. Tudo isto começa a ser demasiadamente semelhante a outros políticos em diversos momentos, aqueles que não deixaram saudades. É tão semelhante que até pode pensar-se que, de ruptura, é tudo: ruptura do mandato europeu, ruptura no distanciamento da eleição partidária e ruptura com o seu velho amigo.
Acabaram aqui as rupturas, talvez, porque este modus faciendi de Rangel é tão semelhante ao de tantos outros que não se encontram diferenças para uma desejável viragem. Palavras inflamadas, promessas juradas, o-dito-por-não-dito – é tudo o que o País está cansado de ver e ouvir.
P.S. — Depois do congresso se saberá se o candidato que começou mal e que Pacheco Pereira apoia (na rota do seu habitual feeling) opta por uma derradeira ruptura com esta corrida. Ou se o seu ex-amigo desiste ou não. Se nenhum sair, Passos Coelho agradece.

Paulo Rangel começou a sua campanha com uma ruptura: rompeu com a palavra dada aos eleitores acerca do cumprimento do seu mandato no Parlamento Europeu. Continuou com outra ruptura: rompeu com Aguiar Branco, de quem fora secretário de Estado no Ministério da Justiça, durante o Governo Santana Lopes.
Esta campanha promete.
Sem esquecer que rompeu com a palavra acerca de nem pensar apresentar-se como candidato.
A campanha promete, sim. Haverá mais rupturas? Rangel é o homem que rompe, mas pelo que tenho visto não rompe com o essencial, que é romper com o hábito instalado na classe política: o hábito dos troca-tintas.
Rangel é O troca tintas.
O seu comentário João, não poderia ser mais pertinente e sensível.
Realmente o País esta farto, cansado, de ver e ouvir do mesmo.
São (quase) todos iguais.
A menos que as aparentes contradições nas recentes entrevistas de Aguiar Branco não sejam apenas aparências.
O Pacheco Pereira é aquilo a que os brasileiros chamam um “pé frio” – candidato que conta com o seu apoio tem fortes probabilidades de perder. O Rangel devia romper com o Pacheco. O país está cheio de rupturas e de rompedores. Mas este rapaz vai longe…
Bem… foi ele que elevou a líder actual…
Não creio sinceramente que PPC beneficie deste plus de candidaturas. Agora há 3 pessoas que são, grosso modo, da mesma geração. E com muito CV. Descontados os votos dos fiéis, por convicção ou conveniência, os votos desprendidos ou de circunstância (que são a maioria) vão repartir-se de forma imprevisível.
Pode ser, Chloé. Já ouvi que a candidatura de Aguiar Branco seria até mais próxima da de Passos Coelho do que da de Paulo Rangel, que assim poderia distinguir-se.
Humm… não me parece.
AB e PR têm um traço fundamental em comum, que os separa do território de PPC: alinharam com MFL.