
Anteontem assisti ao Chéquia-Portugal, jogo não só importante para a qualificação à fase final da secundária Liga das Nações mas também muito relevante para se aquilatar das capacidades da “equipa de todos nós”, quando se apresta a cumprir o Mundial, ao qual já há meses o seleccionador Fernando Santos se apresentou como candidato à vitória.
Fiquei verdadeiramente surpreendido. Pois, ao invés do que se tornara hábito, antes do apito inicial os jogadores não se ajoelharam em gesto solidário. Como não o tinham feito durante a execução do hino nacional ou mesmo na realização do fotografia protocolar. Nenhuma atitude simbólica.
Ora há dias a iraniana Mahsa Amini foi assassinada pela polícia iraniana, devido a ter sido considerado incorrecta a forma como expôs os cabelos. Tal atitude das autoridades estatais provocou manifestações de repúdio naquele país, e até ao dia deste nosso jogo de futebol já haviam sido mortos pelo menos 36 pessoas pela polícia iraniana. E os nossos jogadores, que se vinham habituando a usar os jogos da selecção para saudavelmente exprimirem opiniões políticas de solidariedade internacional, deixaram-se mudos e quedos. Não há qualquer dúvida do sentido daquilo que os nossos campeões quiseram significar: “o futebol não é para mulheres!”.
De qualquer forma, logo nesse início do jogo, fiquei mais capaz de compreender outras posições semelhantes. Pois ficara surprendido com a ausência de manifestações solidárias com Mahsa Amini, sua família e sua “comunidade”, convocadas por instituições mais tendentes a estas causas solidárias, como os partidos LIVRE e BE. Tal como, talvez distraído e nisso relapso no folhear, notara a inexistência de textos veementes, e apelando à mobilização geral para esta “causa”, publicados no jornal do grupo SONAE, este muito vinculado ao sempre solidário Bloco de Esquerda. E ainda me surpreendera por não ter visto ecos nas redes sociais – às quais ando um pouco alheado, dado um incómodo ciático que me acometeu e que tanto me impacienta – das habituais geniquentas feministas, da abissal Coimbra e não só, sempre lestas a contestar o heteropatriarcado normativo do explorador capitalismo ocidental. Enfim, de tudo isto retiro a confirmação da tal velha máxima: “o futebol não é para mulheres!”.
Enfim, após aquela reflexão sobre questões de “género”, lá vi os seguintes 89 minutos (+ tempo de compensação) do jogo da selecção. Esta está bem e recomenda-se. Espero que assim se mantenha, feita de homens talentosos, de barba rija e de máscula organização.

O problema não é o futebol não ser para mulheres. O problema é que tudo aquilo que acontece nos EUA é por estes exportado, e por nós importado, de muito bom grado, enquanto que aquilo que acontece no Irão tem pouco comércio internacional.
Você tem razão.
São as agências internacionais que vendem as notícias que aparecem nos nossos jornais.
Agora se o jornal do grupo SONAE quer ter nas suas páginas escritos do BE, isso é lá com eles.
Quem quiser compra e lê quem não quiser comprar não lê.
Neste caso dos escritores convidados, para escrever sobre o Brasil, é por serem quem são já que a História do Brasil escrita por outros não ser muito diferente.
O comércio internacional de notícias políticas é dominado pela esquerda. Se a notícia não tem expressão internacional e expressão internacional quer dizer dar destaque, muitas opiniões então é porque não lhe dá proveito político.
É a mesma razão porque o Assad da Síria quando combate a oposição é “ditador Sírio”, quando combate Israel passa a ser “líder Sírio”.
As direcção editoriais das agências noticiosas ou dos jornais é que “fazem” as notícias e não propriamente os jornalistas. Um jornalista do ABC nunca escreverá direitóide ou ditadura militar ao governo de Pinochet ou do Videla.
A obsessão de lucklucky com a esquerda é muito estranha… Já agora, porque é que Roman Abramovich é um oligarca mas Jeff Bezos ou Elon Musk não?
“contestar o heteropatriarcado normativo do explorador capitalismo ocidental”
Esqueceu-se da palavra branco, deveria ter escrito heteropratiarcado branco.
tem razão, escapou-se-me
Espero que amanhã não sintamos a falta da Padeira de Aljubarrota
Esperemos que não. Mas, justiça lhe seja feita, a referida industrial da panificação portava-se “como um homem”.
Io sono nato qui
Dove i palazzi non affacciano sul mare
Dove è più facile star zitti che parlare
Dove si finge di cercare un altro amore
Ma si è più onesti a soffocare nel dolore
Io sono nato qui
Dove la pioggia lava il sangue dalle mura
Dove il coraggio non uccide la paura
Dove anche il vento non si muove sulle vele
Uns dias antes do 8 de Março cruzei-me com umas senhoras que colavam cartazes apelando a uma greve feminista no tal dia 8 de Março. Não resisti a perguntar o que era uma greve feminista. Lá ouvi uma explicação de que se tratava dum movimento iniciado (acho que) na Argentina, para protestar contra a discriminação das mulheres na nossa sociedade ( a tal hetero-patriarcal etc, etc). Ao meu silêncio seguiu-se a pergunta se eu não estava de acordo ao que respondi que tudo visto e ponderado eu me considerava uma privilegiada por ter nascido no lado e tempo certos do mundo, achando outrossim que haveria causas mais importantes para apoiar, tais como os direitos das mulheres nos países muçulmanos, a excisão feminina epor aíadiante. Aqui, a interlocutora disse muito depressa que esse era um assunto hiper- exagerado pelo, lá está, hetero-patriarcado, que não eram tantos os casos, etc, etc. A minha estupefacção fou tanta que apenas retorqui que um só caso já era muito e afastei-me rapidamente porque ela tinha um balde de cola nas mãos e eu não queria ficar sem cabelo nem roupas.
A designação é República Checa e não Chéquia.
Obrigado. Mas não é bem isso: https://www.dn.pt/mundo/republica-c heca-vai-ter-outro-nome-5128009.html
O brigado!
Andava intrigado com o raio do nome; na lingua deles deve soar melhor.
Abalaram com 4 chequias