«O cão é o homem em melhor», escreveu Vergílio Ferreira em Para Sempre, obra-prima do romance português. Cada vez concordo mais com esta frase.
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.
«O cão é o homem em melhor», escreveu Vergílio Ferreira em Para Sempre, obra-prima do romance português. Cada vez concordo mais com esta frase.
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.
Para cão, não tenciono…
No século XIX, em Portugal, ficou célebre a frase «Foge cão, que te fazem barão.»
Alguns não terão escapado.
Para onde se me fazem conde!
Melhor evitar Vila do Conde.
Ou Gimonde (existe mesmo, já lá estive)
“A solidão do indivíduo no universo, simbolizada na montanha altaneira e majestosa”. Isto que escreveu, Pedro Correia, há pouco mais de um ano, é bem verdade. A serra – a Serra – olha-se de forma bem diferente, e preciosamente inexplicável, depois de ler Vergílio Ferreira.
Um cão, um gato (criado entre uns e outros, tantos e tantas memórias, sou suspeitíssimo), é melhor do que um homem.
Não sei se por mérito de cães e gatos. Sei, lapidarmente, que por demérito dos homens.
«Quanto mais conheço os homens mais gosto dos cães.»
É uma frase atribuída a Churchill, provavelmente apócrifa, como muitas das frases que o apontam como fonte autêntica. Mas nem por isso menos verdadeira.
Severa auto-crítica.
Anónimo que ladra não morde. Como diz um velho provérbio português que acabo de inventar.
Curioso: para se escrever/pensar isso, é preciso ter uma ideia de cão que, se pudesse pensar/escrever, nunca diria isso do homem.
Demonstrando assim precisamente o que VF escreveu: o cão é o homem em melhor.
Discordo. Porque desconheço o contexto da frase; mas também porque, há no homem muita qualidade e característica que um cão não atinge. Suponhamos um caso (visto não saber o que visa o escritor): no cão admiramos a inteligênci. Mas, sobretudo – parece-me a mim -, a fidelidade amorosa que dedica a quem obedece e ama no mundo dos homens. Ora, um cão está pré determinado a tal forma de sentir, à rendição a um dono ou donos. Os homens, desculpe, mas rendem-se com mais valor: alguns escolhem render-se, outros possuem essa suprema qualidade de rendição incondicional que a muita gente parece loucura (e talvez seja, considero-a um bocadinho patológica, coisa do pathos), mas, em qualquer caso, estão conscientes do que se passa, facto que, não sendo invariável alegria, confere qualidade ao vivido. Digo eu.
Vergílio Ferreira, se não me engano, compara os piores homens aos melhores cães.
Poucos teremos dúvidas de que os últimos são melhores do que os primeiros.
Dispenso-me de apontar exemplos. Mas não seria difícil invocá-los.
O contexto é tudo. Descontextualizada, a afirmação parece outra coisa. Gostei qb de Para Sempre, mas não recordei a frase, nem me apeteceu procurá-la. Bem haja.
Eu é que agradeço a gentileza de sempre, Bea.
Para mim não é o cão é a cadela, basta apanhar uma começo logo a marcar território.
A doutrina divide-se. Há quem opte por cachorros quentes e quem prefira cadelinhas.
«Guimarães: esfola gatos e mata cães»
em Coimbra o Joaquim Pirata tinha ‘o livro dos cães’
Conheci um Pirata, mas não tinha cão. Tinha papagaio.
Não li a obra e por isso não conheço o contexto da frase, mas creio que pode ter um duplo sentido.
Por um lado, o homem criou um animal cuja principal característica é ser fiel, criou o seu melhor amigo, o que é belo.
Por outro, o homem pegou num animal selvagem e alterou-o, selecionando as características que lhe davam mais jeito de acordo com o objectivo pretendido, criando nalguns casos autênticas aberrações como o pug. Ou seja, escravizou o extraordinário lobo até o transformar num quase rato, o que diz bem do potencial destrutivo da nossa espécie.
Em ambos os casos, o cão, incluindo o pobre pug, ou o lobo, é o homem em melhor, sem dúvida.
Gosta mais de gatos? Ainda bem.
Já tenho conhecido gente que elogia crocodilos e idolatra hienas.
Um cão escreve poesia? E música? Ladra.
Um cão entende Matemática (uma das maiores criações do espirito humano embora poucos a entendam)?
O Homem está muito acima do cão. Muito, muito acima.
“Estar acima” e ser “melhor” são duas coisas completamente distintas.
Além disso, o seu “estar acima” refere-se apenas à inteligência/cognição. Não é comparável. É claro que o cão não escreve poesia. Já agora, o João Silva escreve poesia?
Este comentário fez-me lembrar aquelas pessoa que dizem que a tourada está fraca porque o touro não se mexe.
Pois. mas um cão cheira-te ao longe para saber que és a porra de um lampião.
A cadela é a mulher em melhor, 😛
Você lá saberá. Cada um fala do que mais conhece.
Se bateres num cão – há excepções – ele agacha-se e fica a pensar o que terá feito de mal. A única ocasião – há excepções – em que não se controla um cão é quando cheira uma cadela com cio.
Diz-se que homem pequenino, ou velhaco ou bailarino. O equivalente podia ser dito dos cães.
Pode ter-se um cão – sem excepções que conheça – mas o máximo que se tem de um gato – há excepções – é a graciosa autorização para o alimentar e, ocasionalmente, para o acarinhar. Por isso nenhum ditador gosta de gatos. Claro que a rainha Isabel II tinha cães; e claro que a minha mulher odeia gatos. Eu gosto muito de gatos e de cadelas porque, na sua espécie, são sempre mais espertas do que os cães. O que, incidentalmente, invalida qualquer comparação com humanos(*).
A única excepção que conheço – habilidades circenses não contam – em que os gatos são menos eficazes do que os cães é o atravessamento de vias públicas. Pura e simplesmente, não olham nem aparentemente ouvem. Decidem o momento, sabe-se lá como e porquê, e atravessam a correr. Talvez tenha a ver com o motivo de não existirem gatos nos circos.
(*) A partir do momento em que foi reduzido o IVA nos produtos relacionados com a menstruação e que continuo com IVA de 23% nos produtos para a barbara diária, decidi que o exercício de algum machismo é saudável.
Não faltam homens abaixo de cão.
Dispenso-me de apresentar exemplos.
Um cão é um cão, uma pessoa é uma pessoa. Tudo o que seja confundir ou comparar ambos revela, a meu ver, mau gosto ou duvidoso juízo.
Há liberdades literárias e liberdades poéticas.
Hoje todos temos tendência para interpretar cada texto no sentido literal, nunca no sentido metafórico.
É evidente que esta frase encerra uma metáfora – e a chave de leitura implica isso.
Infelizmente, nos dias que correm, a comparação é feita literalmente, na teoria (por exemplo, , em leis obradas pela nossa AR, que utilizam, relativamente a animais, termos jurídicos associados à dignidade da pessoa humana) e na prática (pela quantidade de pessoas que substituem por bichos, às vezes aos três de cada vez, o convívio de que se privam com pessoas). Ainda vale o Tribunal Constitucional, face ao que a AR tem obrado em matéria de “Direitos dos Animais” (conceito absurdo, como atestou, mais uma vez, em 2020, o extermínio de todas as martas na Dinamarca – 15 milhões de animais – por força do receio que fossem ou pudessem vir a ser portadoras do coronavírus) quando o que existe são deveres éticos das pessoas face aos animais (e ao restante meio ambiente). Porém, nada nos protege contra as almas penadas que, a desoras, retiram os cães dos apartamentos e os metem a obrar nos passeios, nos relvados, ou, em massa, como se fossem latrinas, nos “lusos” descampados (assim reafirmando, várias vezes ao dia, o seu desprezo pelas restantes pessoas, e pelo seu direito a não terem de limpar trampa da sola – ou da roupa, se brincarem ou se sentarem na relva – ou a não terem de navegar entre fezes, moscas e mau cheiro).
Há aí muita matéria para reflexão e debate, mas trata-se de facto de outro tema.
Há, de facto muita matéria para reflexão e debate, e sim o tema é outro. Não o da metáfora, mas o da literalidade (em grau, pelo menos). Em todo o caso, caro JPT, não vejo motivo de especial repugnância por essa utilização que refere, de “termos jurídicos associados à dignidade da pessoa humana”.
Talvez até essa utilização, no contexto em que a invoca, tenha na verdade mais de efectiva dignidade humana (desde logo para com o restante reino animal, de que se arroga, a humanidade, o estatuto de pináculo, o que lhe deveria trazer tantos – ou mais – deveres do que direitos; e não, não é preciso ser “vegan” para o afirmar) do que o conceito de dignidade humana como é tantas vezes, entre humanos, tratado: invocado quando convém, se necessário em inflamadas indignações; ignorado quando interessa, em relativizações hipócritas ou afastamento puro e duro. Cheia disso, concordará, está a distância entre as nossas leis, a Constituição desde logo, e a sua aplicação.
Presumindo a tolerância do autor do “post”, e que agradeço, permita-se-me deixar aqui o que há algum tempo escrevi, noutro local:
«Leio num jornal “online” que um ucraniano terá caminhado centenas de quilómetros, em busca de alguma segurança, acompanhado da sua cadela. O animal terá ferimentos resultantes do longo esforço e de ter passado por áreas onde abundantes destroços de guerra lhe terão provocado lesões nas patas. O dono (deixemo-nos por favor dessas idiotices, fundamentalmente de inútil ociosidade, que pretendem impor o “tutor”), manifestando imensa ternura e grande preocupação pela saúde da cadela, terá solicitado apoio financeiro para os cuidados veterinários que se revelam necessários. Parece que o apelo – “crowdfunding”, chama-se-lhe por estes dias – terá sido bem sucedido.
E logo pude ler, em comentário de um leitor desse jornal, a inevitável e indignada referência às crianças que morrem de fome em África (e, já agora, não é só lá) enquanto alguém tem a intolerável ousadia de se preocupar com o sofrimento de um animal dito irracional. Como se a dignidade e a protecção da espécie humana tivesse que ser defendida em oposição – e por exclusão – ao bem-estar de todos os restantes animais. Como se fosse inaceitável, um crime insuportável, que enquanto houver um humano com fome, sem abrigo, sem cuidados de saúde, se preocupe alguém com a condição dos restantes animais. Como se estes fossem culpados da loucura humana e das suas consequências. A loucura do Homem, esse ser alegadamente racional e que parece ver nessa racionalidade todos os direitos e nenhum dever.
Coisa muito em voga nestes tempos em que tanto se critica quem, em idade fértil, acolhe e protege animais e não tem filhos. Talvez fosse, na verdade, preferível cuidar de saber das razões de, nestes tempos, não ter (de não poder ter, de racionalmente entender não ter) filhos. É que nem sempre é por uma eternizada, estúpida, imaturidade que rejeita responsabilidades e tem da vida uma visão mais e mais hedonista (que existe, de facto, e cresce).
Essa, aliás, nem para os animais é boa.»
O resto, JPT, gente mal educada, incivilizada, incapaz de adoptar – recusando-o até e com orgulho – regras de elementar civilidade, decência e responsabilidade, haverá sempre. E isso entre os humanos, esses seres racionais, esses cumes da Criação. Os tais a quem é devida essa dignidade.
“!e “Direitos dos Animais” (conceito absurdo,….”
“o que existe são deveres éticos das pessoas face aos animais”
Muito bem, quero aplaudir. Diz-se tantos disparate sobre este assinto que me deu grande satisfação ver escrito o que sempre tenho defendido.
“”Não faltam homens abaixo de cão.
Dispenso-me de apresentar exemplos.””
Quando se diz uma coisa destas nunca se apresentam exemplos. Porquê?
Sente-se excluído?
Nem tudo pode ser preto no branco.
Não faltam “homens” que se comportam muito pior que dobermanns ou rottweilers.
Alguns até ousam intitular-se “estadistas”.
é exactamente ao contrário : o cão existe para mostrar-nos como não devemos ser , dependentes , barulhentos , escravos ; em matilha , uns traiçoeiros perigosos.o que vocês chamam de amor incondicional não é mais que graxa a quem dá a comidinha.
o gato existe para mostrar-nos como devemos ser.
Tudo isso é muito estereotipado. Há incontáveis cães que já salvaram vidas humanas. Alguns morreram nessa tentativa, como aconteceu no 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque.
Creio mesmo que nós, humanos, não devemos a nenhum animal supostamente irracional tantas vidas salvaguardadas como aos cães.
muito provavelmente a expressão lambe botas tem origem em comportamento canino…
É possível, embora seja tema em que não sou – de todo – especialista.
O autor da máxima ….”quanto mais conheco os homens mais gosto dos caes” …….foi o brilhante italiano Curzio Malaparte …. mas agora os “progressistas” insinuam a autoria em personalidades pseudo liberais tais como “Churchill ” , Alexandre Herculano , da Vinci , Júlio César e outros ……. o que é o cúmulo do descaramento !!!