Da liberdade de expressão (1)


imagenscomhistoria,

Relembro uma cena passada há uns meses, que ilustra bem como algumas pessoas encaram a liberdade de expressão em Portugal.

Uma jornalista em reportagem  disse ao PM : “você não morde, mas rosna e muito…”

Para mim, que sou cota, trata-se de um caso de imbecilidade, de uma jornalista  que desconhece totalmente o que é o jornalismo e o desacredita. Daí não vem mal nenhum ao mundo e, provavelmente, até houve quem se risse muito e aplaudisse a coragem. (Pessoalmente apenas fiquei envergonhado por saber que há jornalistas deste quilate a trabalhar em redacções, mas isso explica bem algum jornalismo que por cá se vai fazendo). Adiante…

Imagine-se, agora, que a mesma jornalista escreve num artigo “O PM rosna e muito”.

O editor tem, obviamente, o dever de lhe cortar essa passagem. Poderá ela queixar-se de estar a ser censurada? É evidente que não… Quando não há bom senso e as pessoas não sabem gozar a liberdade de que usufruem, correm o risco de cometer abusos que, obrigatoriamente, deverão ser cortados cerce. O jornalismo não é para idiotas que pretendem ser protagonistas, mas para profissionais que prezam o rigor e a verdade. O resto é folclore.

19 comentários em “Da liberdade de expressão (1)”

  1. Carlos Barbosa Oliveira,

    é curioso que também retive essa frase da jornalista, mas foi muito rápido, imprevisto, num magote de jornalistas e mais gente, que tive pena de não perceber quem disse tal coisa, para mais dirigida a um PM, e a correr na tv.

    Não cheguei a perceber, ainda, se a jornalista era de televisão ou da rádio, se tinha microfone, ou apenas usava caneta e, nesse caso, se citou a sua impertinência ao PM.

    A verdade é que, tirada do contexto, essa frase pode merecer os epítetos que lhe destacou o Carlos, mas também me passou que, para ela reagir assim, porventura despeitada, foi porque o sagaz e pertinente PM tinha dito algo como “vá lá, eu não mordo” também só não percebi se ele queria dizer “perguntem-me coisas que eu não mordo” ou se porventura terá dito “deixem-me passar que eu não mordo”.

    O que se entendeu foi, num contexto melhor do que o Carlos descreve, um repto e a associação a que alguém o assumisse. Assim o entendi e tive pena de alguém não ter reposto a imagem e o som no ecrã onde, penso, não se vislumbrou quem tal ripostou ao PM.

    Com estas premissas, talvez a sua conclusão não seja a mais correcta, precipitada e conclusiva.

    Até porque, mediante o repto lançado, e dada a crispação que sempre envolve o PM ante os jornalistas, ainda que desse a entender que “não mordo” (e isso claramente foi ouvido), se a jornalista fizesse um texto de opinião a propósito porque razão um editor lhe recusaria a publicação? Até porque os prezados rigor e liberdade não estariam postos em causa, a não ser pelo carácter do editor e a falta de confiança que pudesse ter na jornalista.

    Portanto, o Carlos promove o que, antes deste lamiré todo, há muito chamo de autocensura na Imprensa?

    E que melhor modo de compreender o condicionamento da Informação do que, no pressuposto da desconfiança do editor, enviar uma jornalista mais pacata e pouco dada a protagonismos, que se rebaixe sempre, nunca saiba ripostar e traga a informação de agência controlada pelo Estado?

    1. Não se trata de defender a auto-censura, nem de defender que os jornalistas se rebaixem, Zé Luís. O que acontece é que fui educado a ver com maus olhos esse tipo de tratamento.
      Quando fui editor de uma revista, os jornalistas que comigo trabalhavam, sabiam que era assim. Há um mínimo de respeito que se deve ter, só isso…

          1. Não o conheço de lado nenhum… porque me trata por tu ? só perguntei qual era o nome da revista que editou … registo a sua falta de educação .

  2. Está a pregar no deserto Carlos, infelizmente está a pregar no deserto. já ninguém quer entender estes “mínimos”. É o nivelamento por baixo que contamina tudo.

  3. “O jornalismo não é para idiotas que pretendem ser protagonistas, mas para profissionais que prezam o rigor e a verdade.”

    Por favor emoldure e coloque na redacção. Obrigado.

  4. Infelizmente, Carlos, não deixa de ter razão, mas também não contextualizou devidamente a questão. Sócrates não faltou ao respeito? Não acicatou os ânimos? Ou desconhece o contexto local em que tudo surgiu?

    Isso dos mínimos a respeitar é uma regra, mas não deixa de ter um sentido lato; e depende de cada editor, de cada sensibilidade, não é?

    Achava eu que, por norma, defende-se o nosso repórter, o jornalista enviado para o campo, salvo prova em contrário. Para “defender” ou não beliscar o PM, já há muita gente. Ou não?…

    Você acha que aquilo foi superar um “mínimo”, pela negativa. Eu até achei corajosa a intervenção da moça e ainda hoje não sei quem é, a que OCS pertence ou pertencia, porque aquilo podia dar brado para o bem ou para o mal… e com isto, continuamos no limbo.

  5. Tenho evitado falar do caso para não ofender susceptibilidades, mas a verdade é que neste caso a “censura” não me parece censura, escrevo para jornais e revistas há tempo suficiente para saber que os bons chefes de redacção, como o do “JN”, não publicam artigos ditos de “opinião” que na prática são textos e desabafos de teor pessoal, privado.

    Estranho seria se alguém tivesse publicado aquele texto, seria uma clara violação ética, imaginem que eu aproveitava o espaço das minhas crónicas para falar mal de pessoas que, em privado, teriam falado de mim aos amigos???

    Sobre a dita manifestação anti-Sócrates de quinta-feira, deito uma farpa no meu blogue hoje.

      1. Estou abismado, até um pouco incrédulo, com as reacções ao seu outro post sobre o tema.

        Eu bem me queria parecer que aquele ditado de “quem tem olhos em terra de cegos, é rei” devia ser “quem tem olhos em terra de cegos, sofre”.

        Mas não me admiro muito, há uns anos para cá que me ando a mentalizar que devo ter entrado numa qualquer “twilight zone” e vivemos num Portugal irreal com um povo surreal. E nem me quis esticar muito com teorias da conspiração (a SIC e o Expresso, que fazem parte – ou causaram – boa parte disto são pertença do Dr. Pinto Balsemão).

        1. Já nada me espanta, Flávio. O conceito de democracia e de liberdade de expressão é cada vez mais subjectivo e a frontalidade, uma palavra em desuso, principalmente para quem prefere o politicamente correcto que melhor defenda os seus interesses.
          É a vida!

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