Pensamento da semana


Pedro Correia,

Admirável coerência: os mais fervorosos defensores do Estado laico cumprem religiosamente os feriados oficiais católicos, como o que marcou o início desta semana.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

46 comentários em “Pensamento da semana”

  1. E os monárquicos cumprem republicamente o Feriado do cinco de Outubro.
    A troica é que não estava de modas, e sábados e domingos era assunto em estudo.

    1. Os monárquicos não cumprem, “republicamente”, nem republicanamente, o Feriado de cinco de Outubro.
      Aquilo que os monárquicos comemoram no dia 5 de Outubro é o tratado de Zamora, 1143.
      Salvo melhor opinião 1143 antecedeu 1910.

      1. Para quem professa o republicanismo como religião, a monarquia nem sequer existe. Foi uma espécie de vácuo histórico.
        Para tais fanáticos, Portugal começou com a revolta de Cândido dos Reis e Machado Santos de 4 para 5 de Outubro de 1910.
        O primeiro suicidou-se pensando que a revolta tinha abortado, o segundo viria a ser assassinado por carbonários onze anos depois.

  2. Ficamos com uma ideia dessa improvável devoção, quando alguns deles mandaram o país à falência, e no pacote de medidas que assinaram, vinha também a suspensão de dois feriados religiosos, Pedro. Assistimos todos a uns momentos reveladores de uma fé bem improvável.

    1. Sempre fui – e escrevi aqui sobre isso – contra a supressão de feriados. Não tenho registo de interesses a fazer pois não faço proselitismo político, religioso ou anti-religioso.
      Mas acompanho sempre, algo divertido, o escrupuloso cumprimento dos feriados religosos – ou Dias Santos, na linguagem litúrgica – pelos activistas do laicismo mais trepidante. Nestes dias, a estridente militância emudece.

      1. Eu confesso que fiz proselitismo – imbuí a minha filha, “desde a mais tenra idade”, de sportinguismo. O resto ela que escolha.
        Quanto ao laicismo mais trepidante, como bem dizes, lembrei-me agora daquele blog Diário Ateísta – uns verdadeiros Savonarolas ateus. (depois houve quem dali “evoluísse” para outras evangelizações…)

          1. Hitler era ateu? Foste buscar isso aonde? Ele que até teve o apoio da igreja católica e dos “democratas” cristãos do seu tempo.

    1. Hoje cumprem religiosamente o “descanso” católico.
      Amanhã voltam a pugnar pelo estado laico. Mas só amanhã. E só até ao próximo feriado católico, que voltam a cumprir religiosamente.

    1. O consumismo militante e desenfreado tornou-se outra espécie de devoção. Resta ver até quando, num país que perdeu (números oficiais) 5% do poder de compra em pouco mais de meio ano.

  3. O importante é que sejam feriados. Laicos ou religiosos, que mais dá? Além disso, em democracia, há que respeitar a vontade da maioria dos portugueses e a maioria é católica. Ainda que, diga-se a verdade, para católicos ou não católicos, importe apenas ser feriado.
    A mim, não sei porquê, sempre me lembra o 14 de Agosto por celebrar (ou fui eu que assim o aprendi) o feito de Aljubarrota. Durante muitos anos julguei que o feriado seria por tal motivo. Que, ser um dia depois, na minha mente palerma, não desviava um centímetro o objectivo do dia. E afinal celebra a Assunção de Nossa Senhora ao céu, cuja nos deu obras de arte de grande valor e beleza. Suponho que seja importante para a igreja, para as mulheres em geral e as mães em particular. Afinal, na minha modesta perspectiva, expressa o amor filial. Pronto, é verdade que Cristo como que se esqueceu do pai adoptivo, mas, por outro lado, vejo nele um feminista, as mulheres têm grande influência sobre ele, não só o fazem transformar água em vinho, o que já é grande feito, como o levam a ressuscitar os mortos, facto por demais extraordinário. Sempre as protegeu (foi o caso de Maria Madalena) e foi nelas – em sua casa – que descansou (na casa de Marta). Nada nEle me faz supor que as considerasse abaixo do homem, ainda que lhes enalteça as diferenças, facto que me sugere justeza e adequação.

  4. Eu cá acho mal que os negacionistas gozem os feriados católicos.
    Devia ser obrigatório possuir um certificado para gozar o feriado. Ou então aproveitar o certificado covid e assim tínhamos a certeza que só gozava o feriado quem acreditava em milagres.

      1. Lá por eu não acreditar em aparições em cima das azinheiras, não quer dizer que eu não goze o feriado. Até era pecado, cruzes canhoto.

          1. Então, deixou de acreditar na Santa Graça ou está a imitar o seu antepassado e tem de a negar três vezes antes do galo cantar?

          2. Vá lá, vá lá, o meu émulo ainda canta, agora o seu, o São Pedro, coitadito, desafinava à brava.

          3. Isso, peça ajuda ao Lavoura, mas não sei se o émulo dele, o São Luís, canta melhor. Lá garganta tem ele, no Pontal estava era um bocadinho afónico coitado.

          4. Lavoura é funcionário público no “activo”, não comparece nos feriados.
            Hoje é dia dos funcionários passivos. Que combatem corajosamente este terrível governo do Passos.

  5. É espantoso como tantos cristãos devotos pedem o feriado para orar e em seguida vão para a praia, sabendo que há milhares de pessoas que têm de trabalhar nesse dia para lhes garantir o lazer. Num país que se diz maioritariamente católico já quase ninguém vai à igreja.
    Fiquei a saber que as pessoas que trabalham hoje, e são muitas, são todas religiosas.
    O sonho molhado dos nossos liberais era um mundo sem feriados, nem férias, nem fins de semana. Isto para a ralé, que os doutores teriam direito a descansar quando fosse preciso.

    1. Há muito mais gente nas igrejas, domingo após domingo, do que em todos os comícios de todos os partidos políticos e todas as manifestações sindicais ao longo do ano.
      Não é matéria de opinião, mas de facto.

      Se você é anticatólico e trabalha hoje, louvo a sua coerência. Vá proclamando hossanas ao socialismo para se manter firme nessa fé.

      1. Num país que se diz maioritariamente católico nem 20% da população vai à missa. É um facto. Se contarmos quantos seguem as orientações do Papa no dia a dia, 20% é um exagero.
        Os portugueses que se dizem católicos, têm com a igreja católica a mesma relação que têm com os parentes afastados: só os visitam em casamentos e batizados, e não lhes dão importância nenhuma.
        Se não fosse alguma influência que mantém junto dos manda-chuvas do país, a Igreja já tinha fechado por falta de fregueses.

          1. Apenas para lhe lembrar que o Estado não é laico por imposição. É laico porque está-se toda a gente marimbando para a Igreja.
            Quem gostava de abolir feriados era o governo mui cristão de Passos, Cristas e d’el beato Cavaco.

          2. Se “toda a gente se está marimbando para a Igreja”, deves defender a extinção dos feriados religiosos. Mas depois criticas o Passos por ter feito isso, dando a entender que o teu sistema neuronal também meteu feriado.

            Entretanto, toda a gente se está marimbando para as centrais sindicais: menos de 15% dos trabalhadores portugueses são sindicalizados. Ninguém quer saber.
            Lembra-te disso quando propuseres a extinção do feriado do 1.º de Maio.

            Quase ninguém leu “Os Lusíadas”.
            Lembra-te também disso quando propuseres a extinção do 10 de Junho, Dia de Camões.

          3. Cuidado com a familiaridade, ninguém te tratou por tu.
            Extinguir feriados e fins de semana é o sonho dos nossos liberais de pacotilha, ter escravos para se poder reclamar de superior. Mesmo que isso implique ser escravo de outros.
            Dividir o mundo entre comunistas e beatos é uma perspetiva interessante, ainda dizem que o Botas morreu.

          4. Estou em minha casa, trato quem aqui aparece como quero.
            Quem entra sem se identificar, como fizeste, recebe logo este tratamento. Na melhor das hipóteses.

            Quanto a comunista e beato, tema que parece preocupar-te tanto, nada melhor do que perguntares ao teu querido Putin, que foi oficial do KGB e é devoto da Igreja Ortodoxa, com as ogivas abençoadas pelo sacrílego patriarca de Moscovo.

          5. Eu gostava de saber de onde vêm essas acusações a terceiros de serem defensores do Putin (criatura essa que devia morrer… e ontem já era tarde). Se o Pedro Abrunhosa comentasse neste blog, ainda era acusado de ser defensor do Putin.

          6. “O governo absoluto do Costa”,foi eleito ( bem ou mal),pelos Portugueses.

  6. Não sabia que os fascistas trabalhavam no 25 de Abril, os capitalistas no 1 de Maio, os monárquicos no 5 de Outubro e os espanholistas no 1 de Dezembro. Mas bom saber que toda a gente é coerente nos feriados.

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