O PSD, que gosta muito de espadeirar contra a “asfixia democrática”, serve-se agora de Mário Crespo – um jornalista que já foi muito criticado pelos sociais-democratas quando transformava o seu espaço informativo na SIC Notícias numa parada de ministros – para bradar contra a liberdade de informação em perigo.
Lamento, mas o PSD não tem autoridade moral para fazer deste caso uma bandeira. Pelo simples motivo de que fechou sempre os olhos e os ouvidos a todos os atropelos à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa na Região Autónoma da Madeira nos últimos 32 anos, correspondentes ao longo mandato de Alberto João Jardim.
Querem uma parcela do território nacional onde existe “asfixia democrática”? É na Madeira, onde muitos mários crespos têm sido calados. Sem que isso perturbasse o sono dos correligionários de Jardim no continente. As coisas são o que são.

Certo. O Pedro Correira não consegue perceber a diferença entre “criticar” e “censurar” e, por isso, mete tudo no mesmo saca e mistura…
Isso quer dizer o quê? Que você critica a «asfixia democrática» na Madeira?
Tens toda a razão, Pedro. A liberdade de expressão não é um conceito assim tão vago onde agora caiba tudo aquilo que interessa a determinada força política, qualquer que ela seja. Tanto mais que se corre o risco de banalizar o tema, de tanto o utilizar ao menor pretexto. E é bom que a própria classe jornalística tenha consciência do que está em jogo, de forma a salvaguardar uma das mais emblemáticas e significativas marcas da nossa democracia. Que não tem preço, nem cor ideológica.
Dizes bem, Rui. Todos – a começar pelos jornalistas – devemos estar atentos à preservação da liberdade de imprensa, “uma das mais emblemáticas e significativas marcas da nossa democracia”. Mas – e nisto estamos também de acordo – não pode haver excepções na defesa deste princípio basilar da nossa Constituição, como tem acontecido há demasiado tempo na Madeira.
Adaptação de: A lama salpicada sobre…
É tanta lama salpicada
sobre as pétalas rosadas,
uma roseira barricada
entre estacas enfezadas.
O país dos condenados,
à beira-mar implantado,
tem valores enfunados
por um vírus enquistado.
Estás absolutamente certo, Pedro. A primeira vez que na vida senti o sofrimento do desemprego (e tinha dois bebés nos braços) foi pela mão prepotente do senhor Tomás Rosa, peão-de-brega do PSD na RTP (1976). Esses senhores, sobre liberdade de informação, deviam estar muito caladinhos.
Caro João: nesta matéria o PSD, de facto, tem muitas manchas no seu historial. Sem menosprezar as demais, a da Madeira é de longe a mais grave. Desde logo por ser a mais persistente.
Sem mais, Pedro. Mas não podemos esquecer que a Madeira é um “jardim”. E como em todos os jardins as flores murcham…
Abraço
João Severino,
Você saberá melhor, certamente, porque passou por lá, mas pensava que o capitão Tomás Rosa, nomeado para a RTP pelo governo de Pinheiro de Azevedo, não podendo, como militar, estar ligado a qualquer partido, se inclinava mais para o PS que para o PSD. Aliás, a grande ofensiva contra OCS estatizados de 1975/76, foi em grande parte dirigida pelo PS. Mas admito estar enganado.
Caro David
Para se ser correcto, diremos que a ocupação e controlo da RTP começou logo no 25A com a luta entre PC e PS. Em 1975, o PS e PSD encarregaram-se de despedir sem justa causa, controlar e manipular a informação a seu bel-prazer. Esse tal Tomás Rosa, pessoa que nunca esquecerei por ter feito o papel mais triste de qualquer palhaço (sem ofender os palhaços) foi controlado pelo PSD e PS.
Abraço
Caro João
O homem era ambivalente! E ele e outros “rosas”, em fins de 75 e 76 afastaram centenas de trabalhadores da RTP, rádios, jornais. Foste um deles. Eu fui outro.
Abraço
As coisas são o que são e por mais que se queira fazê-las parecer diferentes, não deixam de ser o que são. Tenho lido coisas do arco da velha, na blogosfera chic.Tenho visto torcer e distorcer a liberdade para servir interesses partidários ou ideológicos. Cheguei a convencer-me que toda a gente, a propósito de qualquer coisa, pode criticar o “déspota” Sócrates e que este tem que estar permanentemente calado, porque tudo o que diz , mesmo em privado, é crime de lesa pátria. Parece que a reforma dos bufos foi pura ilusão. Afinal quem nos quer pôr a mordaça.
MG
Onde se lê “(…) mas o PSD não tem autoridade moral (…)” deve ler-se “mas os dirigentes do PSD…..”. Por enquanto!
Está subentendido, caro João. Mas, naturalmente, aceito essa adenda.
No PSD, infelizmente, perdeu-se a memória. Invocam constantemente Sá Carneiro,mas se ele fosse vivo já tinha metido na ordem o Jardim e coberto de ridículo todos quantos, no PSD, o olham como um grande democrata e resistente.
Não tenho a menor dúvida nessa matéria, Carlos.
Caro Pedro,
E que dizer do ex-líder Marques Mendes?
Não haverá aí uns pecadilhos na área da comunicação social?
Consta que sim, não é?
Pedro,
Tudo isso foi dissecado e julgado há muito. Concentremo-nos no que se passa neste século, no momento actual.