Hoje é dia de


Maria Dulce Fernandes,

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A 1 de Agosto assinala-se O Dia Mundial do Cancro do Pulmão 

“Esta data visa apoiar as pessoas com cancro do pulmão. Em Portugal, foram diagnosticados em 2020 mais de cinco mil novos casos novos deste cancro.

O tempo decorrido entre o início dos sintomas e a primeira consulta com o médico assistente varia entre quatro e dez meses; no momento do diagnóstico mais de 60% dos doentes estão em fase avançada do cancro e apenas 16% dos doentes sobrevivem mais de cinco anos após o diagnóstico; o fumo do tabaco é a causa mais frequente (85 a 90% dos casos) de cancro do pulmão. Outras causas incluem a exposição ao fumo do tabaco em segunda mão, a radão, asbestos e a poluição atmosférica. Para combater esta doença temos de diminuir o número de pessoas que fumam e implementar o diagnóstico e tratamento precoces.

Os sintomas que levam a suspeitar de cancro do pulmão são:

  •  Tosse persistente ou alteração das suas características habituais;
  •  Expectoração mucosa (branca) ou mucopurulenta (amarelada) persistente acompanhando a tosse;
  •  Expectoração com sangue ou com fios de sangue que persiste dias ou semanas;
  •  Dor torácica desconfortável e intermitente;
  •  Cansaço progressivo;
  •  Falta de apetite e perda de peso.

Mas nem tudo é mau. Os últimos dez anos trouxeram novidades na investigação, diagnóstico e tratamento que dão esperança às pessoas com cancro do pulmão. Pela primeira vez, regista-se diminuição do crescimento do número de novos casos (à custa da diminuição do diagnóstico nos homens, lamentavelmente nas mulheres mantém-se o crescimento da incidência).

Nesta década, pela primeira vez, verifica-se aumento do tempo de vida nos doentes diagnosticados em fase avançada da doença devido ao aparecimento de novos tratamentos, nomeadamente imunoterapia.”

 

Há cerca de quinze anos eu ainda fumava; menos de meio maço de cigarros por dia, mas para todos os efeitos era fumadora. E que tinha sido decididamente difícil, desmoralizante e enervante reduzir o tabaco, era uma triste realidade. Um belo dia uma amiga, enfermeira no IPO, onde uma colega andava em tratamentos, percebeu pela minha miserável postura que era uma questão de tempo até recair e não conseguir parar. O IPO tinha uma campanha de sensibilização para os malefícios do tabaco e fui a uma palestra onde, além da oratória e das projecções, encontrei pessoas muito interessantes, umas que sofriam de enfisema pulmonar e outras de cancro do pulmão. Uma rapariga de trinta e muitos e com três filhos, lenço na cabeça e sorriso fácil, pulverizou a minha indiferença à realidade de que fumar pode matar. Morreu quatro dias a seguir ao Natal desse ano. No dia 31 de Dezembro de 2007 fumei o meu último cigarro.

 

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Hoje é O Dia Mundial do Aleitamento Materno

“Esta data foi escolhida pela Aliança Mundial de Acção Pró-Amamentação em 1991.

Inicialmente, visava comemorar a Declaração de Innocenti, que trata da necessidade do aleitamento materno no combate à mortalidade infantil, aprovada em 1990 pela Organização Mundial de Saúde e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Em 1992, foi criada a Semana Mundial do Aleitamento Materno – de 1 a 7 de Agosto, para promover a amamentação.

A OMS recomenda que até os primeiros seis meses de vida o bebé seja alimentado exclusivamente com leite materno. Segundo dados do Unicef, apenas quatro em dez bebés no mundo são alimentados desta forma.

Em Agosto, é realizada a campanha agosto dourado para conscientização sobre a importância do aleitamento.”

 

Seguindo a tradição familiar da “mama seca”, aleitei as minhas filhas até cerca dos três meses de idade cada uma, altura em que, malgrado todos os esforços para incentivar a produção, o leite secou de vez. Não devia ser grande coisa de leite, ou as crianças não entrariam num pranto sempre que as tentava alimentar. A hora da amamentação,  que deveria ser calma e tranquila para mãe e bebé, para serenamente se criarem laços afectivos, era um stress para ambas. Acabei por deixar de tentar e o leite secou. Ambas as minhas pequenas padeceram de problemas de saúde complicados que talvez não tivessem acontecido em crianças com um sistema imunológico bem fortalecido, mas apesar de a ideia me ter torturado ao longo dos anos, quero crer que é mera especulação minha ou talvez um embuçado sentimento de culpa por não ter tentado o suficiente.

(Imagens do Google)

23 comentários em “Hoje é dia de”

  1. Amamentar é uma profissão a tempo inteiro. Não é um part time. Dificilmente uma mulher consegue amamentar um bebé até aos seis meses se pretender ao mesmo tempo trabalhar noutra coisa qualquer. Sobretudo ao princípio, tem que fazer muito esforço e estar concentrada somente naquilo. Alimentar-se abundantemente e repousar muito.

    1. Depende das mulheres. A minha comadre Argentina tinha leite para alimentar uma dúzia de crianças. Antigamente não havia estas frescuras e ela sempre trabalhou e deu de mamar até as crianças terem quase dois anos. Tínhamos bombas manuais bastantes desconfortáveis de usar. Ao mesmo tempo que eu conseguia o suficiente para uma refeição diária, a minha comadre, sem qualquer esforço, produzia leite abundante para 7 ou 8 refeições do bebé.

    2. Eu até viajei em trabalho enquanto estava a amamentar. Viagens de dois dias (uma noite fora), entenda-se. Retirava o leite numa casa de banho do aeroporto, do hotel ou do centro de reuniões e colocava numa bolsa refrigerada. E correu tudo bem. Apesar de não sei uma coisa que eu recomende vivamente, é possível ser feito se necessário. Em casa ficava um stock de leite congelado.

      1. A minha filha mais velha foi hospitalizada quando a minha neta tinha uma semana e não podia ter a bebé com ela porque não estava bem, nem a bebé poderia eventualmente ir mamar ao hospital devido a um surto de gripe. A solução foi tirar leite com a bomba, armazenar por quantidade/refeição, e eu ia aquecendo e dando pelo biberão.

          1. Ainda hoje dou graças a Deus que ela esteja connosco. Não é normal em pleno século XXI uma mulher num país do chamado “primeiro mundo” ter complicações pós-parto de tal modo que implicou uma curetagem uterina de urgência , várias transfusões e dez dias de internamento hospitalar. Foi uma sorte eu estar com ela nesse dia, porque chegou já muito mal ao hospital.
            São águas passadas, felizmente, mas cuja recordação ainda dá um baque no peito.

          2. Bolas… que horror…
            Os partos podem ser muito imprevisíveis. O parto do meu filho mais novo teve uma complicação que poderia ter ditado o fim a ambos, não fosse a experiência do médico responsável e da competência da equipa. O miúdo nasceu feito num oito. Isto depois dos partos anteriores terem sido fáceis como nos livros.
            MAs parece que entretanto voltou a ser mais comum morrer de parto em Portugal, segundo as estatísticas recentes.

  2. O cancro do pulmão é uma coisa assaz simples: tem uma relação praticamente de causa-efeito com o fumar. Quanto mais fumo, mais cancro. É tiro e queda. Oxalá os outros cancros todos fossem assim tão simples, tivessem causas tão 100% identificáveis.

    1. No entanto, há cancros do pulmão que não têm a ver com o consumo tabaco.
      Portanto tem de retirar uns sozinhos a esses 100%…

      1. Tenho 61 anos, nunca fumei. Há menos de um mês descobri que tenho um cancro no pulmão em estado muito avançado. Até agora tinha sido uma pessoa saudável, pensava eu…

        1. Maria, os meus votos de boas melhoras e rápida recuperação.
          Será possível, estou certo disso. Nós, aqui, ajudamos com pensamento positivo. Os leitores que mais estimamos fazem parte do nosso clã “delituoso”

  3. Eu sou fã da amamentação. Amamentei os meus filhos em exclusivo até aos seis meses e não foi difícil. Na realidade apenas é necessário estar totalmentemente disponível para o bebé nos primeiros dois meses. Após a amamentação estar estabelecida pode-se perfeitamente retirar o leite para o pai dar caso a mãe tenha de se ausentar.
    Penso até que a óptima relação que as minhas crianças têm com a comida pode vir do facto de só terem a experimentado quando estavam preparados e tinham curiosidade (começaram a agarrar literalmente os alimentos dos nossos pratos).
    Parece-me também que, apesar do que se diz, há pouca informação e pouca ajuda para as mães que querem amamentar. Porque para o primeiro filho, por vezes, é necessária ajuda e encorajamento. E é desumano meter na cabeça das mães que o leite delas não presta.
    Eu estava muito motivada (e o minha primeira filha foi prematura, o que complica tudo) e consegui com esforço e maquinaria manter o leite até a bebé estar preparada para mamar.
    Agora, os benefícios para os bebés são imensos, e para as mães e ainda mais…
    Para dar de mamar durante a noite é só agarrar o bebé e já está. Eu literalmente estava a dormir enquanto os bebés mamavam à noite. Para sair, basta agarrar o bebé e um par de fraldas. Nada daqueles sacos volumosos com água morna, pacotes com doses de leite, biberões esterilizados, e toda a parafernália para voltar a esterilizar os objectos. São muitas as vantagens… 😉

      1. Nestas coisas a tecnologia ajuda muito. Não me teria sido possível manter o leite para a minha primeira filha com bombas manuais. Eu aluguei uma bomba hospitalar que acho que faria os homens darem leite! 😝😝
        Estimulei tanto que quando a minha bebé teve alta eu tinha leite para 10 bebés!!!
        Muitas vezes o problema do leite não vir é da forma como o bebé puxa. Quando são muito pequenos às vezes não mamam bem (ou adormecem no processo).
        Mas três meses de amamentação já é bem bom. Os primeiros meses são os mais importantes. 😉

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